Lucas Bassotto

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Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

Hoje (17/jun), o COPOM (Comitê de Política Monetária) deve prosseguir para mais um corte expressivo na ordem de 0,75% na taxa de juros básica da economia (Selic), o que a deixaria na casa dos 2,25% a.a, impactando diretamente o rendimento da poupança e títulos de renda fixa, que é indexado na Selic.

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Nos últimos 2 anos, a taxa Selic caiu de 6,5% a.a para 3,0% a.a., representando uma redução de mais de 50%. O intuito do Banco Central com estes cortes é estimular a economia através de crédito em tempos de pandemia, que por sua vez irá impulsionar o consumo. O mercado financeiro estima uma contração de 6,4% da economia brasileira em 2020.

Taxa de juros de abril de 2019 a julho de 2020

Em contrapartida, o dólar subiu conforme o mercado criava a expectativa de um corte mais agudo na Selic. Depois de chegar a R$ 4,80 após atingir a máxima de R$ 5,97, a moeda norte-americana vem em alta, e está cotada a R$ 5,20. Com a Selic em baixa, a tendência é que haja fuga de capitais para o exterior com investidores estrangeiros procurando países mais interessantes para investir.

Sem pressão para cortar?

O Banco Central continua cortando a Selic porque não vê pressão da inflação. Os dois últimos meses (abril e maio) foram marcados por deflação (inflação negativa), quando os preços caem de forma generalizada. Contudo, estes dois períodos coincidiram com o momento em que o comércio brasileiro estava parcialmente fechado.

Então, com a volta das atividades econômicas, a tendência é que haja um aumento da inflação nos próximos meses. Hoje, o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo), está acumulando um resultado negativo de 0,16% em 2020. Nos últimos 12 meses, o acumulado é de 1,88%.

Inflação (2010-2020)

Por outro lado, a taxa de juros vem em tendência de queda no mundo inteiro. Na Europa, muitos países já trabalham com taxa de juros negativas. Os Estados Unidos estão se aproximando cada vez mais de ter uma taxa zero. Essa tendência também elimina a pressão do Banco Central.

Caso a inflação suba nos próximos meses, quem investe na poupança verá seu dinheiro tendo um rendimento real negativo (rendimento descontado da inflação). Com isso, no final do mês, quem investiu na poupança ficaria com seu poder de compra defasado. Em alguns títulos de renda fixa, o mesmo poderá acontecer caso sejam considerados taxas e impostos.

Hoje, a deflação beneficia aqueles que já estão investindo, uma vez que os preços estão diminuindo e o dinheiro está rendendo juros, desta forma, o rendimento real se torna maior do que a Selic. No entanto, juros baixos podem acelerar a inflação no futuro e corroer o rendimento dos investidores.

Armadilha para pequenos investidores?

Com a queda da Selic, naturalmente há um movimento de migração do mercado de renda fixa para renda variável. Afinal, ninguém quer ficar com o dinheiro parado na conta e rendendo menos que a inflação. Neste cenário de queda de juros, cresce o número de cotistas em fundos de investimento e de investidores em bolsa.

Muitos destes investidores estão chegando em um dos momentos mais confusos do mercado de ações, pois este vem de recuperação após ter contraído uma média de 45% do seu topo histórico. Hoje as ações estão subindo em um momento no qual as perspectivas para a economia são extremamente ruins.

A aposta do momento é em uma recuperação econômica rápida, o que poderia diminuir o impacto de uma recessão econômica sobre os resultados financeiros das empresas listadas em bolsa. O fato é que ninguém sabe em que ritmo essa recuperação acontecerá, e ainda há o fator da potencial segunda onda de infectados.

O mercado de ações vem subindo muito por conta da memória de preços, expectativas de recuperação econômica e também pela injeção de liquidez na ordem de pelo menos US$ 2 trilhões de dólares na economia. Caso o preço das ações se mantenha o mesmo diante de uma situação econômica ruim, haverá indícios de supervalorização.

Se a supervalorização for confirmada posteriormente, o mercado corrigirá o preço das ações para baixo, prejudicando diretamente os investidores que migraram da renda fixa para ações. 

Diante disso, o recomendado para quem está olhando para este mercado é a entrada de forma parcial, investindo aos poucos e uma quantia que vá de acordo com seu perfil de risco. Com isso, o risco de mercado é evitado, sendo possível comprar ações em diferentes momentos de mercado.

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