João Vitor

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Trabalha como consultor financeiro, é estudante de Engenharia Química pela Unesp e escreve sobre temas relacionados a economia, finanças e investimento.

A presença dos ativos de proteção financeira dentro da carteira de um investidor é algo muito importante, porém, muitos acabam negligenciando essa questão e não dando importância devida para isso.

Esse tipo de ativo tem como principal objetivo, ao longo do tempo, manter a estabilidade do capital investido neles, ou seja, atenuar variações bruscas do valor de investimento quando outros ativos da carteira tiverem bruscas quedas. Mas para que isso ocorra, é necessário que se tenha presença de um elemento importância nesse momento, que é a covariância negativa.

Para entender melhor sobre o quê se trata isso, quando dois ativos estão em covariância negativa, quer dizer que quando um está subindo o preço, o outro está na maioria das vezes diminuindo seu valor. Resumidamente, se um vai bem o outro vai mal.

Sendo assim, é nessa covariância negativa que vai fazer com que ocorra a proteção do capital total, pois o crescimento de um, vai abater a queda do outro, ou então, em casos de altas quedas de um ativo, essa correlação vai fazer com que o prejuízo naquele momento seja atenuado.

Isso não significa ficar no zero a zero de crescimento, pois, a intenção das escolhas dos ativos que não sejam os de proteção, é justamente que nos momentos de crescimento econômico, esses ativos eles valorizem o máximo possível. 

Ou seja, eles devem subir mais do que a queda do seu ativo de proteção, que por sua vez, devem ter maior estabilidade em relação a diferentes fases da economia quando comparados com ativos como ações.

ativos de proteção

Ouro e dólar como principais ativos de proteção

No mundo todo temos o ouro como principal ativo e proteção. Sendo assim, caso haja um temor, falta de confiança ou até mesmo uma queda em todos os ativos do mundo, o ouro tende a subir, uma vez que as pessoas acabam vendendo seus ativos que estão em desconfiança no momento e migram para o ouro, aumentando a demanda em relação a sua oferta, que por fim, aumenta seu preço.

No Brasil, assim como em outros países, temos além do ouro que é uma proteção mundial, tem também o dólar e euro como outros ativos de proteção também. A ideia em si, é que quando se perca nas ações ou em outros ativos além dos ativos de proteção, essa perda seja menor, porém quando essas ações subirem, que sejam muito altas.

É impossível prever todos os momentos em que a bolsa de valores vai ter grandes quedas, e é por isso que os ativos de proteção são tão importantes, para que estejamos mais preparados quando isso acontecer.

Entretanto, vale ressaltar também que nem sempre essa covariância negativa vai ocorrer. Porém, ela ocorre na maior parte dos dias do ano, ou seja, a maior parte do tempo e isso vai depender de diversos fatores econômicos do momento. 

É importante se analisar as estratégias contextuais de quanto sua carteira terá de cada um dos ativos e qual deles é mais pertinente em certos momentos para proteção, tendo essas adaptações quando for necessário.

Além dessas questões de mercado ligadas a valorização e desvalorização de ativos, além de princípios básicos de mercado como oferta e demanda, as questões de proteção estão diretamente ligadas com questões econômicas do país em questão, no nosso caso, o Brasil.

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Medidas políticas e econômicas, podem mudar o dinamismo econômico, que, aliado aos fatores já citados, podem refletir na inflação ou desvalorização da moeda corrente nacional, o Real.

Embora essa questão de valor da moeda nacional já esteja interligado com a questão da inflação, é importante deixar claro esse conceito, uma vez que tratando-se de valorização da nossa moeda e como isso interfere no dia-a-dia da maior parte dos brasileiros, o termo “inflação” é bastante utilizado para dizer a respeito de como a desvalorização afeta o poder de compra de produtos mais básicos de sobrevivência nos supermercados, farmácias e afins.

Portanto, entender conceitos ligados a proteção de capital não serve apenas para investidores e pessoas ligadas ao mercado financeiro, mas também de pessoas que estão aquém do assunto, mas que podem estar protegendo seu dinheiro dos desgastes da moeda brasileira.

Características do ouro

Tratando-se do ouro, ele tem algumas particularidades de mercado que o fazem ser um ativo tão procurado. Ao passo que há uma questão histórica que faz com que o mundo o tenha adotado como um ativo de fato e que por sua vez tem vislumbrado grande valorização ao longo de décadas.

Mas por quê ele seria um ativo de proteção? Algo muito importante a se destacar é justamente sua escassez, já que não é um ativo que se possa criar e colocar em circulação com facilidade. Por isso, o Ouro apresenta um valor por si só, até pelas leis que tangem as relações de oferta e demanda do mercado.

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Outra questão é que devido a essas questões de valorização, aliada a motivos históricos de uso do ouro, questões ligadas ao material em si, que pode ser utilizado para diversas finalidades, que vai de eletrônicos (que tem grande demanda no mundo tecnológico atual) até mercado de luxo para jóias e adereços.

Um outro fator em favor do Ouro, é que por não ser um ativo ligado necessariamente a nenhum Estado/país, ele não tem uma questão de conflitos políticos que possam atuar para facilitar manipulação dentro de seu preço do momento como as moedas convencionais de diversos países.

O ouro tem passado por uma questão bastante interessante nos últimos tempos, que é justamente ser além de um ativo de proteção, ser também uma possibilidade de investimento com pensamento de valorização, o que não precisa necessariamente serem coisas separadas no momento de pensar nesse tipo de investimento. A escassez do ouro, que vem crescendo ao longo do tempo, faz com que sua valorização atenda a essas duas questões atrativas: Proteção e lucro.

Dá pra notar tanto a correlação negativa em tempos anteriores, tanto essa mudança ocorrida nos últimos tempos do preço do ouro em dólares (azul) e a bolsa de valores (laranja) representada pelo Ibovespa:

ouro vs bolsa

Como funciona a dinâmica bolsa de valores x dólar/euro?

Para entender um pouco mais da dinâmica da bolsa com o dólar: Boas notícias no mercado e na economia, além de uma visão macroeconômica e questões estruturais políticas, sociais e econômicas favoráveis ao crescimento econômico do país fazem com que investidores coloquem mais capital dentro do país. 

Sendo assim, as empresas acabam sendo mais investidas dentro da bolsa, ocorrendo uma valorização dessas ações e da bolsa no geral. Além disso, questões ligadas a juros baixo, acabam atraindo investidores estrangeiros, pois acabam rendendo seu capital através dessas altas taxas em relação ao seu próprio país. 

Sendo assim, ocorre que o capital de investidores passa para reais, em vez de dólar como antes, pois para comprar essas empresas no Brasil, é necessário a conversão em reais. Assim, há uma maior demanda da moeda nacional brasileira, fazendo com que ela se valorize em relação ao dólar e o preço do dólar cai.

Vejamos essa relação na prática através da comparação de crescimento nos últimos 12 meses do dólar em relação ao Real (azul) e do índice Ibovespa (laranja):

ouro vs ibovespa

Mas além dessa correlação negativa, o que mais faz o dólar ser um ativo de proteção? Justamente a força da moeda. Ter parte do seu capital investimento em uma economia mais estável e de hegemonia histórica nas questões comerciais do mundo todo, faz com que tenhamos uma maior segurança para se amortecer prejuízos grandes em momentos de crise.

A mesma dinâmica ocorre na lógica com o Euro, porém essa análise feita no Brasil, ocorre em um volume muito maior em dólar, que é geralmente a moeda estrangeira que mais tem relações nas questões econômicas brasileiras, mas que pode ser estrategicamente utilizada na carteira com a mesma lógica, tendo parte do capital direcionado a ativo europeu.

Pode ser pensada mais afundo como uma boa possibilidade em momentos no qual a Europa tenha questões mais favoráveis economicamente do que na economia norte americana, por exemplo.

Bitcoin como ativo de proteção

Quanto ao Bitcoin, tratamos aqui de um mercado bastante promissor e também novo, que avançou muito juntamente com a expansão do poder tecnológico e digital pelo mundo.

O Bitcoin atualmente é disparado a maior das criptomoedas, que nada mais são do que um tipo de dinheiro, assim como temos atualmente em real ou dólar, entretanto com diversas diferenças que o fazem atualmente tão atrativo.

Primeiramente por ser um dinheiro totalmente digital, logo, não há como guardar num cofre assim como guardaria suas moedas, por exemplo. Outra questão, essa ainda mais interessante, é que a maneira com a qual o sistema do bitcoin funciona, faz com que nenhum governo ou banco central consiga emitir a moeda e nem sequer rastreá-la.

Sendo assim, essa descentralização das operações, não sendo necessário um intermediário nas transações comerciais utilizando o Bitcoin, faz com que seja um grande atrativo para questões de valor do ativo, já que não nenhum conflito de interesses de algum país ou governo envolvido e opera de forma mais pura as questões das leis do mercado, principalmente na relação da oferta e demanda.

Para entender melhor essa valorização do bitcoin ao longo do tempo, vejamos por exemplo essa correlação negativa em diversos momentos entre o valor do bitcoin em dólar (em azul) e o índice Ibovespa (em laranja) durante todo esse ano:

Pode-se ainda potencializar os ganhos, comprando dólar primeiro usando Real e depois comprar bitcoin. Vejamos graficamente como fica isso comparando o índice Ibovespa (em laranja) e o bitcoin em reais (Azul):

Bitcoin x ouro: Quais são as diferenças?

Devido a sua escassez e de funcionar de forma livre de qualquer ideologia política governamental, o bitcoin acaba recebendo grandes comparações com o ouro nesse sentido, surgindo algumas dúvidas de algumas de alguns investidores onde colocar seu dinheiro.

Obviamente, os dois ativos apresentam suas particularidades e assim, podemos destrinchar características do bitcoin, ao passo que compará-lo ao ouro para traçar possíveis vantagens ou desvantagens de acordo com cada interesse possível de um comprador desses ativos.

Quanto a liquidez, o ouro tem uma questão prejudicial no Brasil que é justamente estar atrelado a disponibilidade do ativo fisicamente, um pouco diferente dos EUA, onde é possível investir por meio do mercado futuro.

No bitcoin, por ser ainda um mercado relativamente novo, talvez não tenha a liquidez de mercado esperada, não sendo ainda utilizada de forma ampla no mundo como os demais ativos convencionais, porém tem obtido um alto crescimento ao longo de seus poucos anos de história e assim, valores enormes foram atribuídos desde sua criação, que tem muito a crescer ainda nesse sentido.

Quanto a estabilidade do preço da moeda, vemos que o ouro tem uma menor variação histórica em seu preço, enquanto o bitcoin ainda varia bastante. Embora isso possa ser considerado por alguns algo preocupante em termos de considerar o bitcoin um ativo de proteção, na prática não funciona assim, porque a valorização que se tem visto e ainda se pretende ver de uma visão de anos, aliados a questão da escassez, faz com que o bitcoin seja sim, não só uma opção de ativo para oportunidades pontuais de longo prazo buscando valorização e obtenção de lucro, como também de proteção de capital.

Além disso, outras características como praticidade, privacidade (por meio de criptografia avançada) e dificuldade crescente de colocar maior quantidade no mercado (o que aumenta a escassez de forma exponencial com o passar dos anos) faz com que o bitcoin seja uma excelente alternativa, embora seja extremamente importante o conhecimento sobre, tanto de como funciona o ativo, tanto de entender seu comportamento variável, antes de iniciar investimentos.

Em termos de segurança, o bitcoin não é uma moeda palpável, o que pode ser uma desvantagem para uma geração que não está acostumada a lidar com um dinheiro totalmente digital e um mercado que ainda não está totalmente adaptado a isso.

Porém, isso pode ser uma vantagem, pois não é possível roubar bitcoins de uma carteira protegida com chave privada que só o detentor possui, obviamente se ela proteção mínima de deixar o bitcoin em uma carteira segura seja feito por quem o possui.

Enquanto o ouro, embora muito seguro nos dias de hoje, já que você não precisa ficar carregando seu ouro por aí e pode deixá-lo em bancos ou corretoras do tipo e terá que pagar um pouco a eles por isso. 

E mesmo assim, existe uma possibilidade maior, mesmo que mínima, de ocorrer qualquer incidente com seu ouro do que no caso do bitcoin em carteira protegida. Afinal, não é possível perder fisicamente algo que nem existe no mundo físico, ao passo que o ouro existe e é palpável. 

Embora o ouro seja protegido por um gestor muito bem assegurado e que prometa devolver a quantia de valor do ouro caso aconteça algo, ainda seria menos seguro que a questão de segurança do bitcoin por meio do sistema de blockchain, que permite essa descentralização, que torna o sistema tão confiante.

Maneiras de se expor aos ativos de proteção

Na questão de como comprar dólar, exige-se fazer cadastro em instituições autorizadas pelo Banco Central, e as opções variam em adquirir dólar em espécie ou então no cartão débito. Existem diversas taxas que várias nessas duas formas ou até mesmo numa terceira opção, que é a partir de cartão de crédito.

Os preços variam em cada instituição e preço do momento e estão embutidas taxas cobradas pela própria instituição ou até mesmo o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), no qual este último acaba até sendo maior nas opções no cartão do que físico. Da mesma forma funcionaria com o Euro, obviamente com valores e taxas também diferentes do que o dólar.

Para comprar ouro, há as possibilidades: Comprar contratos futuros de ouro pelo home broker (de maneira semelhante com a compra de ações) ou então investindo num fundo de investimento em ouro, no qual um gestor vai cuidar disso pra você juntamente com uma equipe. Em fundos de investimento em ouro teremos questões de compra mínima de ouro e taxas variantes de acordo com o lugar ou o fundo que você está investindo.

Além disso o seu ouro pode ser gerido de duas formas: De forma passiva, onde o gestor pretende obter lucro mais próximo possível de uma referência que o gestor tem, ou seja, da tendência que o preço do ouro tende a seguir conforme índices e a situação do mercado. Além disso há a forma ativa, na qual o gestor sempre pretende obter lucro maior do que seu índice de referência, de forma que o maior lucro possível é o objetivo nesse tipo de gestão.

Uma terceira opção seria comprar ouro físico, que é uma questão um pouco mais complicada e burocrática, porém é possível conseguir mais facilmente hoje com instituições autorizadas pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Nesse caso, é preciso ter cuidado com a segurança, que você mesmo deverá investir para que seu ouro esteja seguro.

Falando um pouco sobre o Bitcoin, a obtenção deles pode ter algumas variações: Através das Exchanges, que é a plataforma onde se compra e vende Bitcoin. Essa forma é vista como uma das mais seguras e práticas.

Comprar e vender diretamente com outra pessoa também pode ser uma boa opção, desde que se tenha consciência dos riscos, afinal, lidar diretamente com alguém para esse tipo de negociação faz com que tenha que se confiar na pessoa com a qual se está negociando.

Minerar bitcoin é outra forma de obtenção, através de resolução de problemas voltados a criptografia, que com o passar do tempo e das resoluções ficarem mais difíceis, acabam exigindo hoje muita tecnologia e consequentemente mais investimento inicial para tal.

Conclusão

Os ativos de proteção têm um papel essencial dentro das estratégias de rentabilidade, gerenciamento de riscos e diversificação de carteira. Além disso, a forma e a dinâmica com o qual cada uma opera e estão sistematizados podem atender a diferentes demandas nos interesses de investidores e da necessidade da economia/mercado. 

Para se expor dentro de cada um desses ativos com segurança, é preciso conhecimento básico do funcionamento deles além de suas particularidades e comportamento de preço.

Entender a lógica por trás de cada um deles é essencial para saber em qual investir ou até mesmo o quanto investir em cada um, pensando em obter todos eles e assim, tirar maior vantagem nas questões de proteção, rentabilidade, segurança e praticidade que cada um deles pode oferecer em diferentes níveis e momentos.

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