Lucas Bassotto

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Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

Ouro, o metal amarelo milenar que vem cativando a humanidade desde que mundo é mundo. Ele já foi o sistema de dinheiro vigente na humanidade por séculos, tem diversos usos na indústria, em artigos de joalheria e hoje é utilizado também como investimento. Mas por que as pessoas investem em Ouro? Qual é a tese de investimento?

Antes de começar a entender os motivos por trás da tese, é essencial entender o motivo de Ouro ter se tornado um dos bens mais valiosos da história, a ponto de se tornar quase que uma “língua universal”. Para compreender o seu valor, é preciso conhecer um pouco sobre como o nosso dinheiro evoluiu até hoje.

Desde que começamos a produzir bens em excesso, precisávamos de um meio de contabilizá-los e trocá-los por outros bens de nossos interesses. Por exemplo: uma pessoa que pescou 10 peixes na semana só precisa de 5 para toda semana. Ela pode trocar os 5 excedentes em outros bens de seu interesse, como frutas, lenha e outros recursos.

O problema é encontrar alguém que esteja disposto a trocar frutas, lenha e qualquer outra coisa exatamente pelo peixe. As negociações eram muito difíceis de ocorrer. Era preciso um bem que serviria como bem de troca comum em todas as negociações. Mas esse bem de troca deveria ser escasso (não poderia ser criado facilmente), não-perecível (conservar valor), fácil de carregar e contar. 

Primeiro vieram os grãos, alguns animais, couro, sal e as pessoas foram fazendo esse processo de livre escolha até chegar no Ouro, Prata e Bronze. Quando encontramos o Ouro como “moeda universal perfeita” ficamos com ele por séculos, porque ele tinha as características desejáveis de um bom dinheiro: muito difícil de encontrar, durabilidade infinita, poderia ser cunhado a qualquer forma, fácil de contar e carregar.

Por muitos séculos o Ouro foi o lastro de todo dinheiro da humanidade, sendo unânime seu reconhecimento. Isso era nítido nos adereços das realezas, nos presentes, lendas e até nas guerras causadas pela cobiça. O metal é muito difícil de encontrar, e por mais que se tente, até hoje é impossível de reproduzir. Ele virou uma forma excelente de reserva de valor.

Governos não podem imprimir ouro

Antes das duas Grandes Guerras no século XX, todas as moedas eram lastreadas em Ouro. Os governos e bancos não podiam imprimir mais moedas do que tinham em custódia nos seus cofres. Na verdade, em tese até poderiam e faziam, mas era bem mais limitado que hoje, porque estariam correndo um grande risco de falência caso todos os seus credores resolvessem buscar seu Ouro ao mesmo tempo.

Esse vínculo com o Ouro se enfraqueceu após as grandes guerras. Primeiro, os Bancos Centrais impediram que as pessoas comuns trocassem suas notas por Ouro, permitindo a troca apenas entre Bancos Centrais de diferentes países. Em 1971, o presidente dos EUA, Richard Nixon, definitivamente deu um fim ao padrão-ouro, suspendendo por tempo indeterminado este vínculo.

Poder de compra do Dólar desde 1913

Desde então, nosso dinheiro é baseado na confiança que as pessoas têm na moeda do país. Teoricamente, um Banco Central não tem limite para emitir moeda. Na prática, eles podem emitir até que a população tenha confiança no valor da moeda por conta da inflação. Quando esse temor acontece por parte da população, a primeira coisa que se pensa é: Ouro.

O motivo para isso é simples, governo nenhum pode imprimir Ouro. Muitos países têm vastas reservas de toneladas de Ouro em seus cofres. Ele é o “ativo final” de garantia em muitos Bancos Centrais, antes de imóveis, terras e outros ativos do governo. E é por isso que ele é tão valioso. É um refúgio contra a inflação e a emissão desenfreada.

Qual é o papel do Ouro em uma carteira de investimento?

Como foi visto acima, o Ouro é uma forma de se proteger quando a confiança na moeda de um país está abalada. Ele é utilizado para se proteger da inflação, recessões, guerras e crises socioeconômicas. Mas vale lembrar que Ouro por si só não remunera juros e dividendos. Você basicamente compra Ouro para vendê-lo por um preço maior no futuro, é assim que se ganha dinheiro com ele.

Histórico de preço desde 1971

Nos últimos 2 anos, o Ouro subiu mais de 50% e, desconsiderando o ajuste por inflação, está sendo cotado no maior preço da história, exatamente o período em que o medo de crises e inflação aumentou entre investidores. Desde o começo de 2020, o Banco Central dos Estados Unidos vem sistematicamente injetando dinheiro na economia, principalmente após a Covid-19.

FED injetou mais de US$ 3 trilhões só em 2020

ouro banco central

A corrida para o Ouro se acentuou nos últimos meses. Mas muitos ainda têm a dúvida se vale a pena investir, mesmo com o preço tão alto. E é por isso que devemos nos lembrar dos conceitos básicos de investimentos: diversificação e compras parciais. Quem segue este “feijão com arroz”, consegue ficar em posições mais vantajosas: preço melhor e mais confortável.

O papel do Ouro em uma carteira de investimentos é o de proteção. É recomendado ter pelo menos 10% de seu patrimônio em ativos com características de escassez como Ouro, investindo com visão de longo prazo e lógica de acumular pouco a pouco com o passar do tempo. 

Hoje, principalmente em um cenário em que as taxas de juros são negativas, os bancos centrais estão precisando emitir dinheiro para salvar a economia e os governos aumentam seu endividamento, ter Ouro faz completamente sentido.

Como investir em Ouro?

É possível investir comprando fisicamente de distribuidoras de procedência e certificadas como Parmetal ou OuroMinas, evite comprar no mercado paralelo, até pelo risco de adulteração. Também é possível investir através de instrumentos como ETFs de Ouro, fundos e até criptomoedas lastreadas em Ouro.

O post abaixo mostra em detalhes como investir parte de seu patrimônio em ouro:

Vá com cuidado

Ouro é um excelente ativo, mas lembre-se que não se investe TUDO o que você tem, e logo de uma vez. Isso não é uma questão de “vida ou morte”. Se for investir, vá com calma, comprando aos poucos e apenas uma quantia cuja perda não resulte em ruína financeira para você.

É preciso se lembrar dos principais fundamentos de finanças: diversificação, alocação de risco e o seu perfil de investidor.

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