João Vitor

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Trabalha como consultor financeiro, é estudante de Engenharia Química pela Unesp e escreve sobre temas relacionados a economia, finanças e investimento.

O setor elétrico tem ganhado muita força ao longo dos tempos, principalmente em contexto de crise. Alguns momentos de crise foram essenciais para perceber que alguns setores acabam sendo menos afetados que outros, de modo que os que acabam sentindo menos essa variação acabam sendo tratados como ativos defensivos para esses momentos.

E é justamente o setor elétrico, uma das alternativas que têm se mostrado mais resistente a crises, que tem ganhado tanta força durante o período de pandemia. Obviamente que nenhum resultado ocorrido até então é garantia de resultado futuro. No mercado de ações, os estudos e especulações, embora muito bem analisados, jamais podem ter uma certeza quanto aos rumos de suas altas e quedas.

Aproximadamente 5% do volume de ações hoje é ocupado pelo setor elétrico e este tem sido visto não só como uma alternativa que já deu certo em diversos momentos, mas também uma possibilidade promissora para o futuro.

Outro ponto bastante importante, é o pagamento de bons dividendos geralmente oferecidos nesse setor, assim como acontece também no setor bancário. O setor elétrico tem algumas divisões importantes de serviços, entre elas temos: Geração de energia, transmissão de energia e distribuição.

Para se ter uma ideia, dessa relação das empresas do setor elétrico com o pagamento de dividendos aos seus acionistas, podemos mostrar uma comparação do DY de algumas empresas comparado ao Ibovespa.

O DY é um indicador que relaciona o preço das ações de uma empresa e o total pago de dividendos pela mesma. Quanto maior o DY, maior o pagamento relativo da empresa em relação aos dividendos. Vejamos essa comparação no período de julho de 2019 a julho de 2020:

dividend yield setor elétrico

Algumas empresas trabalham exclusivamente ou de forma majoritária com algum dos campos de atuação citados, porém, há também a possibilidade de se atuar em todas as linhas, como o que já ocorre com empresas dominantes nesse setor.

No quesito transmissão de energia, temos como principais representantes para o momento a Taesa (TAEE11) e a ISA CTEEP (TRPL4). No setor de geração, temos a Engie (EGIE3) e a Eletrobrás (ELET6)

Dentro do setor de distribuição de energia, temos como destaque a Neoenergia, com representação nas ações com o código NEOE3. Outra empresa forte nesse quesito é a Copel, com código CPLE6.

Algo muito relevante dentro do setor, é que temos empresas que tem se mostrado bastante lucrativas, e o lucro por si só é um fator essencial para a valorização da marca e de suas ações. Além disso, altas lucrativas acabam atraindo também o pagamento de bons dividendos. Por isso vamos citar a seguir, 6 empresas do setor elétrico que são as mais lucrativas do setor elétrico.

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Cesp (CESP6)

A Cesp (CESP6) é uma produtora energética em São Paulo com bastante propriedade quanto a lucratividade. Com dados de outubro deste ano, a Cesp apresentou uma margem de lucro líquida de 94,2%. Esse número expressivo, acompanha um lucro de R$ 1,2 bilhão só em 2019.

As ações da Cesp, ligada ao papel CESP6, foram as que tiveram uma das valorizações mais rápidas, ligado ao seu destaque em aumento de lucratividade. As ações quase dobraram de valor a partir do segundo semestre de 2018:

Transmissão Paulista – ISA (TRPL4)

É uma companhia ligada a transmissão de energia e tem crescido muito em seus indicadores. O lucro líquido ficou em torno de R$ 919 milhões, com aumento de 289,5% em comparação do ano anterior e acabou se saindo muito bem em sua redução de perdas no período de pandemia. Até outubro deste ano a margem líquida de lucro da empresa foi de 57,1%.

No crescimento e valorização das ações, a Transmissão Paulista é umas das líderes dentre as opções que citamos aqui. Desde 2016, suas ações chegaram a triplicar de valor, o que se mostra algo muito expressivo para quem colocou dinheiro na empresa desde essa época. 

Porém, o crescimento tem sido visto praticamente em todos os anos subsequentes, com ressalva de alguma estabilidade maior em 2018, e algumas perdas no primeiro semestre de 2020, devido aos efeitos da pandemia:

Taesa (TAEE11)

Como já citamos, a Taesa (TAEE11) é um dos destaques do setor elétrico em relação a transmissão de energia. Mesmo em meio a pandemia, o lucro da empresa no 2º semestre de 2020 foi 42,4% maior do que o ano passado no mesmo período. Sendo assim, esse valor passou a ser expressivos R$ 437,8 milhões. Quanto a margem de lucro líquida até outubro deste ano, os dados eram de 54,1%.

Um dos diferenciais da Taesa, é que representa uma companhia com alguns dos maiores índices em relação ao pagamento de dividendos, e até por isso tem sido obtido espaço na carteira de muitos acionistas.

Levando em contas o período desde 2016, a Taesa (TAEE11) obteve um “boom” significado em suas ações, com destaque para um início acentuado de crescimento a partir do segundo semestre de 2018:

Alupar (ALUP11)

A Alupar (ALUP11) atua nas áreas de geração e transmissão de energia, de forma a ser um dos destaques dentro do setor elétrico. Sua lucratividade líquida representou até outubro deste ano 27,2%, um número bastante expressivo.

A mesma apresenta lucros consistentes e também bons pagamentos de dividendos aos seus acionistas, o que torna a empresa bastante atrativa.

Dentro do quesito valorização de suas ações, a Alupar (ALUP11) mais que dobrou o preço de suas ações desde janeiro de 2016, ou seja, lucro superior a 100%:

Só no quarto trimestre de 2019, a empresa obteve crescimento de 438,8%, totalizando R$ 166,3 milhões. Esse valor representou 5 vezes o valor do mesmo período em 2018. O lucro da empresa cresceu cerca de 130% no ano, chegando a R$ 890,3 milhões.

Eletrobrás (ELET6)

Embora seja um dos destaques no quesito geração de energia, a Eletrobrás (ELET6) é participativa tanto na transmissão, quanto na distribuição também. Sua margem de lucro líquida com dados atuais de outubro de 2020, apontam um percentual de 26,7%.

Mesmo o lucro líquido tendo uma queda de quase 80% no primeiro trimestre de 2020 em relação ao mesmo período no ano passado, a empresa conseguiu recuperar-se fortemente nesse segundo trimestre, após passar meses com os efeitos da pandemia.

No segundo trimestre de 2020, chegou a quase R$ 4,6 bilhões em lucro líquido, 18% menor do que 2019, porém um valor extremamente relevante, já que as despesas da empresa reduziram 26% no mesmo período.

Em julho deste ano, a empresa divulgou o pagamento de R$ 2,4 bilhões em dividendos, o que torna uma companhia bastante atrativa para os investidores com perfil mais voltado na busca por boas pagadoras de dividendos.

Devido a todos diferenciais de mercado, a Eletrobrás (ELET6) tem sido vista com uma visão mais promissora a longo prazo por alguns analistas, embora nos últimos anos apresentou uma volatilidade em seus preços, que no geral, o saldo acabou sendo menor desde 2016 que as outras possibilidades que citamos aqui: 

Engie (EGIE3)

A empresa é a maior geradora de energia privada do Brasil, e tem participação de 6,2% do mercado. Conseguiu um aumento de quase 99% de seu lucro trimestral, comparando o 2º trimestre de 2019 e 2020, chegando ao valor de aproximadamente R$ 765 milhões.

Em 2019, o lucro anual da Engie (EGIE3) chegou a aproximadamente R$ 2,3 bilhões, mantendo uma estabilidade lucrativa em relação a 2018. Dentro do próprio estatuto da instituição, não é permitido uma distribuição de dividendos que seja inferior a 30%, aprovando em julho de 2020 um total de R$ 677,6 milhões na distribuição desses dividendos aos seus acionistas.

Com os altos lucros e atração de novos investidores, as ações da Engie (EGIE3) tiveram uma alta valorização, principalmente a partir do segundo semestre de 2018, como podemos ver a seguir:

Conclusão

O setor elétrico tem um histórico de bons pagadores de dividendos, mas também de pouca volatilidade em seus preços de ações. 

Frente a isso, temos a possibilidade de investimento em um setor mais defensivo em momentos de crise, que se mostrou bastante interessante principalmente nessa época de crise econômica e os efeitos da pandemia do novo coronavírus.

Não à toa, cerca de 43% dos investimentos da China no Brasil atualmente se dão dentro do setor elétrico, mostrando que além de ser um setor promissor aos investidores brasileiros, se dá da mesma forma com investidores de outros países, atraindo capital estrangeiro ao país.

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