Lucas Bassotto

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Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

A economia global enfrenta um futuro sombrio no qual o capitalismo (ao menos em sua essência original) pode sofrer uma derrota, ao menos que os governos tenham suas respostas em políticas econômicas corretas, alertaram dois economistas de destaque no mercado financeiro internacional: Stiglitz e Roubini.

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Falando na conferência online da Bloomberg Invest Global, Nouriel Roubini previu que a recuperação da crise da pandemia em breve fracassará e será mais anêmica do que a que se seguiu ao colapso financeiro global há mais de uma década. Joseph Stiglitz disse que os políticos devem combater isso, garantindo aos cidadãos que os programas de ajuda financeira do governo continuarão enquanto for necessário.

“A questão crítica é a qual política os governos estão buscando”, disse Stiglitz, professor da Universidade de Columbia e ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2001. “Precisamos ser francos – há muita incerteza sobre isso.”

economia mundial estagnação

Roubini – conhecido por alertar o Fundo Monetário Internacional em 2006 de que o mercado imobiliário dos EUA entraria em colapso – pintou uma imagem de um futuro sombrio com a chamada estagflação, na qual o crescimento estagna, mas a inflação aumenta.

“Vamos enfrentar agora uma quantidade significativa de choques negativos de oferta na economia global”, disse ele, citando a desglobalização e a inovação tecnológica mais lenta, além de uma enorme criação de dinheiro para ajudar no carregamento de dívidas. “Eventualmente, o gênio da inflação sairá da garrafa.”

Trecho traduzido da Bloomberg

Bancos Centrais com menos margem de manobra?

O fato é que os Bancos Centrais, principalmente europeus e asiáticos já estão sem margem de manobra. Na última década o que vimos foi uma sincronia no corte de taxa de juros, deixando-a próxima de zero ou negativa em alguns países. Essa é uma tentativa de adicionar liquidez ao sistema monetário para fazer a economia crescer.

O problema é que o crescimento econômico parece cada vez menos sensível às políticas de corte de juros. Hoje, a Covid-19 criou uma grande urgência para os governos diante de uma quadro de grave recessão econômica. Além de cortar juros, alguns bancos centrais fizeram uma grande injeção de liquidez no sistema monetário.

O problema continua sendo o de cortar juros: qual é o limite para mais cortes? O governo vai penalizar os poupadores que deixam seu dinheiro no banco? Os juros vão ficar cada vez mais negativos? Em algum momento esta solução deixará de ser sustentável.

É por isso que ativos escassos como terras e ouro tendem a subir no futuro. Governos não podem imprimir Ouro, por exemplo. Com os poupadores sendo punidos por taxas negativas, eles irão colocar seu dinheiro onde conseguirão manter pelo menos o principal.

Em um cenário no qual o governo eventualmente não consiga fazer a economia se recuperar, surgirão os “pacotes de guerra”, estímulos fiscais muito maiores que aqueles feitos no Plano Marshall (pacote de recuperação na Europa pós-segunda guerra) e New Deal (estímulos fiscais para recuperação da crise de 29).

Além disso, a economia passa por uma mudança de paradigma, com possível aumento da concentração de mercado nas “Big Techs” como Amazon, Apple, Microsoft e Google. O comportamento social está mudando muito rápido, e estas empresas conseguem criar soluções que apresentam economias de escala na mesma velocidade. Com isso, vemos a “economia real” e o pequeno comerciante em apuros. 

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