João Vitor

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Trabalha como consultor financeiro, é estudante de Engenharia Química pela Unesp e escreve sobre temas relacionados a economia, finanças e investimento.

A dívida nos EUA tem aumentado de forma recorde em 2020. Com políticas econômicas totalmente voltadas no combate à pandemia e ao reaquecimento da economia, os EUA elevaram sua dívida a patamares parecidos com os vistos somente durante a Segunda Guerra Mundial, mais especificamente 1946, mas acabou inclusive superando esses valores esse ano.

Já há estimativas de que o aumento dessa dívida ainda vai continuar ocorrendo nos próximos anos. A dívida federal total dos EUA chegou ao valor de cerca de US$ 26,8 trilhões ao passo que o PIB fica em torno de US$ 19,6 trilhões, ou seja, a dívida já alcançou 136% do Produto Interno Bruto do país.

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A dívida pública, por sua vez, alcançou US$ 20,7 trilhões ao final de agosto, também ultrapassando 100% do PIB como já era esperado, sendo assim, quase US$ 6 trilhões do total da dívida federal é interna.

Os EUA têm a maior dívida externa do mundo e quando se alia o assunto de dívida ao país, parece algo novo para as pessoas, mas na verdade ela sempre esteve presente. Os EUA só esteve totalmente livre de alguma dívida em 1835, por um curto período de 2 anos.

O que chama atenção nesse momento em específico, são os níveis ao qual essa dívida chegou. Só no segundo trimestre deste ano, a dívida chegou a aumentar US$ 3 trilhões em 1 mês, o que acaba sendo preocupante. No gráfico vimos que embora o aumento da dívida pública se deu especialmente após a Crise de 2008.

Dívida dos Estados Unidos – Série Histórica

Ao passo que o PIB anual dos EUA teve redução de 32,9% no segundo trimestre de 2020, a dívida só vem aumentando drasticamente, o que acaba tornando insuficientes as medidas de reaquecimento da economia, adotadas pelo governo americano.

Até a presente data, a economia mostrou alguma reação em relação aos piores momentos da pandemia, um panorama de melhora ou uma projeção positiva acaba sendo incerta, devido às circunstâncias.

Jerome Powell, presidente do FED, afirma que os esforços dos EUA e das autoridades estão voltados a uma possível recuperação mais acelerada, limitando os danos da pandemia. Ao mesmo tempo, Powell diz que essa recuperação é incerta.

A questão é que uma pequena melhora neste momento não é o suficiente. Antes da pandemia, tinha-se o mais longo período de expansão da economia já visto. A expansão e o crescimento dos anos anteriores a pandemia pode ser vistos graficamente:

Evolução do PIB dos EUA ao longo desde 1970 (em US$ bilhões)

pib e dívida dos estados unidos

Desde então, com o início da pandemia, vieram as medidas de isolamento social, associadas ao fechamento e até mesmo falência de muitas empresas, queda na atividade econômica, aliados a importância e a necessidade de gastos com saúde e auxílios de emergência às pessoas e empresas aceleraram o ritmo de crescimento da dívida.

Foram aproximadamente US$ 2,2 trilhões em ajudas para as famílias americanas apenas em março e mais US$ 500 bilhões em abril. Além disso, os EUA têm hoje 29 milhões de desempregados, ou seja, uma boa parcela da população que precisa receber o seguro-desemprego.

Algumas medidas tomadas pelo governo foram voltadas justamente a criação de diversas linhas de crédito, cortes de juros, que ficaram praticamente zerados e compras em montante de títulos.

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Só em junho deste ano, o FED revelou a compra de mais de US$ 1,3 bilhão em ETF’s, sendo uma parte desse valor, aproximadamente 16%, destinado a fundos de compras de dívidas. Para Powell, presidente do FED, o atual ritmo que vem tomado a compra de títulos e ativos dos EUA é apropriado, mas que também estão flexíveis para mudar a qualquer momento.

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