João Belarmindo

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João Belarmindo. Graduando em administração pela UERJ, aficionado pelo mercado financeiro. Cobre assuntos como finanças pessoais, carreira, negócios e investimentos.

É inegável o crescimento do mercado de capitais no Brasil ao longo dos últimos anos, com o oferecimento de várias opções de investimentos, sejam elas conservadoras ou mais arriscadas. 

Todavia com o endividamento cada vez maior no país, a pouca efetividade das reformas e os recorrentes conflitos internos do Governo, fazem com que o investidor estrangeiro olhe com desconfiança para o Brasil. 

risco brasil

O CDS (Credit Default Swap) checa se um país apresenta alguma ameaça ao mercado financeiro, ou seja, funciona como medidor do risco-país. Caso sua pontuação suba, há falta de confiança no futuro financeiro do país, caso ele desça, há convicção na capacidade do país em liquidar suas dívidas, sendo um ambiente seguro para investir.

Enquanto o Brasil não consegue transmitir uma imagem de segurança institucional, o afastamento de investidores estrangeiros se torna cada vez maior.

desvalorização do dólar
Fonte: G1

Esse fator afeta diretamente em nossa moeda, tornando o dólar cada vez mais forte e o real mais desvalorizado. Para que você possa ter uma ideia, conforme apresentado no gráfico abaixo, no ano de 2020 o real se tornou a segunda moeda que mais perdeu valor, só ficando atrás do bolívar, da Venezuela. 

investimento estrangeiro no brasil como investir no exterior

Países emergentes como o Brasil, diante de uma recessão global, ampliada pela pandemia do COVID-19, não se tornam imunes e sofrem consideravelmente, conforme relatado acima. Diante deste cenário, o investidor deve se proteger contra a perda constante de capital em seu portfólio de investimentos, se expondo a moedas fortes e reservas de valor.

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Todavia, a falta de familiaridade com o assunto e o desconhecimento sobre as opções disponíveis para investimentos no exterior é um fator limitador. Por essa razão, o artigo de hoje tem o intuito de desmistificar o investimento no exterior, considerado por muito um processo trabalhoso e um privilégio para os mais afortunados.

Primeiros passos para investir no exterior

Hoje, uma das maneiras mais simples de investir no exterior é a abertura de uma conta em uma corretora lá fora, no geral, basta uma cópia digital de seu RG, seu comprovante de residência e de 5 minutos para preenchimento dos seus dados para cadastro. 

Após esse processo, basta realizar a transferência do valor desejado, via TED do seu banco brasileiro para a corretora, caso a sua corretora não possua esse tipo de serviço, a remessa poderá ser feita através de plataformas de empresas terceirizadas, que receberá o valor em reais e irá realizar a conversão, enviando o dinheiro diretamente para a conta da corretora.

É importante frisar que a cotação do câmbio para a transferência internacional normalmente é baseada no câmbio comercial. Além disso, quando a operação de câmbio é fechada, o cliente pagará Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), alíquota de 0,38% sobre o valor. Após esse processo, já com dinheiro lá fora, basta começar a investir nas melhores empresas do mundo. 

Indicações de corretoras estrangeiras

Para facilitar ainda mais a sua decisão de investir no exterior, deixo aqui um comparativo com as 3 melhores corretoras. 

Avenue

A Avenue é uma corretora americana criada exclusivamente para atender brasileiros. Isso porque sua plataforma é totalmente em português, o que facilita muito na democratização, para os investidores que não dominam o inglês. Fora isso, a corretora oferece suporte para o imposto de renda, com relatórios completos que facilitam o preenchimento da declaração. 

Outro destaque positivo é que a corretora não cobra taxa de manutenção de conta e possui corretagem zero. Oferece também uma plataforma integrada, capaz de realizar câmbio entre o real e o dólar, depositando real diretamente na conta da empresa e convertendo em dólar. Todavia possui alta taxa de spread (custo embutido na taxa de câmbio para realização da transação). 

Passfolio

A Passfolio é uma corretora com acesso global ao mercado acionário americano. As negociações das ações são realizadas exclusivamente através do seu aplicativo para smartphones.

Para começar a investir é necessário um cadastro simples.  A corretora também é livre taxas e possui suporte em português. As transferências via Ted são acrescidas de 1,2% taxa de conversão + 0,38% IOF. 

Além disso o investidor iniciante tem um incentivo para se cadastrar na corretora, para cada amigo convidado que realize um depósito de pelo menos US$25 ambos ganham até US$100 em uma ação surpresa. Sua desvantagem é não oferece uma plataforma web/desktop. 

Interactive Brokers

Ao contrário das corretoras citadas, a Interactive Brokers não oferece nenhuma plataforma em português, o que sem dúvida, pode ser um empecilho para vários investidores. Contudo, ela oferece uma plataforma de investimento mais completa e tecnológica, podendo ser mais indicada para os investidores que negociam ações com frequência.

Além disso, a gama de produtos oferecidos é bastante ampla. Nela, o investidor tem acesso a todas as ações negociadas na NASDAQ e NYSE, além de acesso a opções, futuros, ETFs, renda fixa, Forex, etc. 

A corretora pode cobrar até 20 dólares por mês em taxa de manutenção, dependendo do valor a ser enviado para a conta. Contudo, esse valor é abatido na taxa de corretagem, que é de $1 dólar pôr ordem no mercado à vista.

Vantagens de investir no exterior 

A bolsa brasileira é repleta de boas empresas, mas, ainda assim, representa apenas 3% da economia mundial. Já parou para pensar que você investe 100% do seu capital em apenas 3% das opções disponíveis. 

Se todo o seu dinheiro está aplicado em produtos locais, é provável que seu portfólio inteiro sinta os impactos da economia brasileira. Um pouco arriscado, não acha? 

Investir no exterior garante a possibilidade de diversificar e proteger sua carteira, tendo maior segurança e estabilidade durante as crises. Além disso, ao investir no exterior você se expõe à um mercado consumidor muito maior, com muito mais oportunidades e opções para lucrar. 

Os investidores de longo prazo, podem se tornar sócios de empresas grandes como Apple, Facebook, Google, Microsoft, Amazon e Coca-Cola, recebendo dividendos periódicos em dólar, ganhando na alta da moeda e com a valorização dos ativos. 

Vale ressaltar que a possibilidade de encontrar ativos baratos, negociados com Valuation atrativo, torna-se maior, tendo em vista a variedade de ativos presentes no mercado. 

Escolhendo o tipo de investimento 

Stocks

Assim como os papéis das companhias negociadas na B3, stocks são ações de empresas negociadas nas bolsas de NASDAQ ou NYSE. Empresas como Johnson & Johnson, Visa, Walt Disney, McDonald’s e Nike, que se encontram presentes na vida de bilhões de pessoas, podem ser negociadas diretamente no mercado americano.

Reits (Real Estate Investment Trust)

Os REITs funcionam de forma parecida com os Fundos Imobiliários brasileiros. Nesse sentido, os Reits possuem atuação no setor imobiliário, sendo possível encontrar Reits que investem em lajes corporativas, hospitais, indústrias e muito mais. 

A principal diferença para os nossos FIIs é que essa modalidade de investimento permite alavancagem. Ou seja, as empresas podem pegar empréstimos para adquirir novos imóveis, com isso o potencial de ganho do investimento pode ser aumentado. Além disso, há obrigatoriedade de distribuição de 90% do lucro líquido aos acionistas, o que os tornam excelentes pagadores de dividendos. 

3. ETFs (Exchange Traded Funds)

É possível investir em índices de ações por meio de ETFs, ou exchange traded funds.  Nome dado aos chamados fundos de índices, que procuram replicar fielmente a carteira de um índice, acompanhando o seu desempenho. No mercado americano existem diversos EFTs, destaco os dois principais: 

SPY – Busca performar o S&P 500, índice que engloba 500 ações de empresas listadas na Nasdaq e na NYSE, principais bolsas de valores do mundo. O SPY é um ativo altamente diversificado, concentrando as melhores empresas do mundo. Além disso, possui taxa de administração de 0,10%, o que podemos considerar baixa comparada às praticadas pelos ETFs nacionais.

QQQ – Preferido dos amantes de tecnologia, é o segundo EFT mais negociado nos Estados Unidos, possuindo uma taxa de administração de 0,2%. Com aproximadamente 100 bilhões de dólares sob gestão, esse ETF segue o desempenho do índice Nasdaq 100, composto por 100 grandes empresas de tecnologia americanas e mundiais, incluindo as queridinhas do mercado — Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google (FAANG). 

Cuidado com o leão  

Todos os valores investidos no exterior devem ser declarados anualmente à Receita Federal, assim o investidor poderá realizar o pagamento dos devidos impostos. Investidores que possuam no exterior capital superior a US$ 100 mil, além de informar o valor à Receita Federal, deve prestar contas ao Banco Central. 

Vale destacar que países como os Estados Unidos possuem um acordo tributário com o Brasil. Por essa razão o imposto de renda pago fora do Brasil pode ser ressarcido na declaração anual de ajuste, evitando uma bitributação. 

A liquidação ou resgate de aplicações financeiras no exterior devem ser tributadas em 15% sobre o lucro, a apuração do lucro deve ser calculada em relação à variação em reais dos investimentos. Todavia, na Receita Federal Brasileira, há um limite de isenção de 20 mil reais em relação a soma total das vendas de ativos apuradas no período.

Conclusão 

Apesar da melhora na quantidade de produtos oferecidos na bolsa brasileira nos últimos anos, ao comparamos com o cenário externo, observamos que as opções de investimentos aqui no Brasil são limitadas e pouco desenvolvidas. 

Com o histórico de apreciação do dólar em relação ao real, a diversificação geográfica, a proteção que nos oferece e uma gama de ativos que atendem a todos os gostos, dificilmente poderíamos afirmar que investimentos no exterior não valem a pena.  Afinal, tornar-se um investidor global nunca foi tão simples, prático e eficiente.

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