João Vitor

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Trabalha como consultor financeiro, é estudante de Engenharia Química pela Unesp e escreve sobre temas relacionados a economia, finanças e investimento.

Nos dias atuais, num contexto de juros baixos no Brasil, o país vem avançando um pouco mais em um mercado que ainda não é tão explorado por aqui, que é o mercado de ações. Com as seguidas quedas na taxa Selic, a poupança rendendo cada vez menos, e diferente de décadas anteriores, o número de brasileiros que migraram para renda variável aumentou muito esse ano.

Em 2020 o número de investidores em ações no Brasil aumentou cerca de 47% em relação a 2019, porém, mesmo com esse aumento, ainda é um total que não ultrapassa 2,5 milhões de pessoas, uma parcela que corresponde a menos de 1,2% da população.

Só pra se ter uma ideia, nos EUA, aproximadamente 65% da população já investe na bolsa de valores, sendo assim, investir já é um assunto onde grande parte das pessoas, nesse caso, a maioria da população, têm alguma familiaridade, ou então tem pelo menos conhecimento sobre o assunto.

Aqui no Brasil embora esse assunto ainda esteja engatinhando, assim como a educação financeira do país no geral, é algo que tem sido cada vez mais explorado, ainda que de forma lenta, mas que gradualmente se observa como algo promissor e que terá uma considerável expansão ao longo dos anos, com essa tendência cada vez mais convergente a ideia de juros em baixa tanto durante como no pós pandemia.

Sendo assim, o termo “ações” recentemente passou a ser cada vez mais presente dentro da cultura brasileira, mesmo muitas pessoas não sabendo de fato explicar o que é. Afinal o que são ações dentro do mercado financeiro?

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Como ganhar dinheiro com ações?

Ação de forma mais simples é a menor parcela do capital de uma empresa, quando se está comprando uma ação, na verdade, está se comprando uma pequena parcela da empresa ou companhia, sendo assim, em posse da mesma, você terá os mesmos direitos de um sócio.

Quando uma empresa precisa de capital para sua empresa, ela pode recorrer a diversos meios, nas ações ela está tendo auxílio de seus sócios, nesse caso, os acionistas.

 Para os acionistas, há duas formas de lucrar comprando ações. Uma delas é através da valorização de suas ações, que pode acontecer tanto por fatores macro: tais como econômicos, políticos e sociais, assim como por fatores “micro”, ou seja, questões ligadas diretamente a estruturação, questão de caixa e de desenvolvimento da empresa.

Outra forma de ganhar dinheiro é pelo recebimento de dividendos, ou seja, o acionista estará tendo parte do lucro que aquela empresa obteve, onde a própria empresa decide o período referente ao lucro que será pago aos investidores, seja por mês, trimestre, ano ou outro intervalo de tempo. Vale ressaltar que nem todas empresas inseridas na bolsa de valores necessariamente pagam dividendos.

3 formas de investir em ações

Para os investidores, nesse caso, os acionistas, existem 3 formas de se expor ao mercado de ações: Stock Picking, ETF’s e fundos de investimento em ações.

O Stock Picking nada mais é do que escolher individualmente cada ação que você deseja comprar, ou seja, é preciso encontrar uma a uma as ações ao qual se quer adquirir e obtê-las colocando parte do valor de seu investimento em uma quantia de ações daquela empresa em si que se deseja, manualmente.

Obviamente que escolher quais são as melhores empresas para colocar seu dinheiro não é uma tarefa fácil, afinal, são mais de 350 empresas presentes na bolsa valores do Brasil atualmente. 

Sendo assim, escolher as que mais vão se valorizar não é uma tarefa fácil, exigindo de muitos investidores muito estudo ou até mesmo alguns recorrer a casas de análises para se obter essas informações e ter maior possibilidade de lucro.

Quando se escolhe uma empresa para investir é preciso analisar uma relação importante que é a de potencial vs. risco. Ações são um investimento de risco, sendo assim, escolher mal pode custar a perda de capital. Entretanto, essa relação citada é de extrema importância para se ter resultados de escolha com maior possibilidade de acerto.

Negociação de uma ação na Bolsa de Valores

investir em ações

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Como saber o potencial de uma empresa?

Quanto ao fator de potencial, não é por mera tentativa e erro tentar saber quanto uma empresa poderia valorizar. Para isso, existem alguns fatores de estudo que podem nos indicar isso de alguma forma, ainda que não existindo uma certeza sobre isso.

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Além disso, esse potencial de valorização também é aliado a uma maior ou menor probabilidade de acontecer, além de ser preciso analisar também as possibilidades de desvalorização. Essas questões são os que nós podemos denominar como gerenciamento de risco.

A empresa ideal para de se investir, seria com alto potencial de valorização e o menor risco possível, porém sabemos que é um pouco difícil conciliar esses dois fatores de forma completa e ter certeza dessas empresas ideias num mercado tão variável e volátil.

Quando estamos analisando empresas com maior potencial de valorização, é preciso avaliar alguns pontos, que fazem parte do que chamamos de análise fundamentalista do mercado:

  • Oferta e demanda;
  • Presença ou ausência de dívidas da empresa;
  • Projeção de crescimento da empresa e de sua receita;
  • Alterações na macroeconomia e taxa de juros do país;
  • Fluxo de caixa da empresa e sua redução de custos;

Entendendo os ETFs

Os ETF’s, que significa Exchange-traded fund são grupos de ações, ou seja, adquirindo um ETF você não está comprando ações apenas de uma empresa, mas de um grupo de empresas. Um dos maiores exemplos de ETF no Brasil é o Ibovespa, que agrupa as empresas brasileiras com maior volume de capitais do mercado, chegando a praticamente 80% dessa parcela, compondo mais de 70 empresas agrupadas.

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Com tamanho volume do total de capitais, o Ibovespa acaba sendo o maior índice de desempenho médio das ações da B3, que é a bolsa de valores brasileira. Olhar quantos pontos ou porcentagem subiu ou desceu o Ibovespa é ter uma noção de como está média do desempenho dos mercados naquele período.

Como funcionam os fundos de ações?

Os fundos de investimento em ações são administrados por gestores aos quais você vai confiar seu capital de investimento para que eles escolham e comprem as ações que justificam o investimento, de acordo com o gestor do fundo. 

Obviamente que quando se coloca o próprio dinheiro na mão de uma pessoa pra fazer esse tipo de trabalho por você, espera-se escolher profissionais extremamente capacitados, atualizados e que estudam o mercado, de forma que o capital que você investiu tenha maior chance de voltar com lucro pra você.

Nesse sentido, na verdade o que se está comprando é o conhecimento daquele gestor ou empresa que vai gerenciar seu dinheiro para investimentos, confiando em sua capacidade de conseguir um potencial de ganho tal que seja pertinente que este ficará com um determinado valor pelo serviço prestado, que é a taxa dos fundos de investimento, e ainda assim, você tenha uma parte de ganho pra você, que alocou capital para esse gestor.

Nesse caso, geralmente grandes gestores também são grandes investidores e os melhores são os que conseguem ou já conseguiram ter grande lucratividade para si mesmo, antes de prestar esse serviço às demais pessoas.

Vantagens e desvantagens de cada método

Importante também entender as vantagens e as desvantagens dentro de cada uma das possibilidades citadas. Stock Picking e ETF’s apresentam vantagens em questões como a liquidez, ou seja, compra-se e vende as ações a qualquer dia em que a bolsa esteja funcionando, no caso operando por algum home broker, que é a plataforma digital de compra e venda de ações.

Nesse quesito de liquidez, os fundos de investimento em ações podem ter uma demora maior para conseguir tirar o dinheiro de onde o capital foi investido, a partir do dia que se deseja fazer essa retirada, uma vez que, para a segurança do próprio gestor em termos de fluxo de caixa, é preciso solicitar essa retirada com antecedência, para um controle de entrada e saída de forma mais efetiva da parte de quem está gerenciando os fundos, respeitando assim, prazos de resgate previstos pelo gestor.

Nos ETF’s e fundos de investimento há uma taxa a mais para quem está gerenciando os investimentos do que no Stock Picking, que é justamente pagar o que chamamos de taxa de administração.

No Stock Picking, há a possibilidade ou não de apenas uma taxa de corretagem, dependendo da corretora ao qual se vai abrir conta pra investir, mas que provavelmente será mais barato do que pagar por uma taxa de administração.

Embora com taxas menores e com boa liquidez, o Stock Picking tem a contrapartida de não ter um gestor como nos fundos de investimento, precisando assim de conhecimento próprio ou de assessoria de pessoas que estudam isso, o que pode custar mais tempo, trabalho e talvez alocar dinheiro em outros locais, caso comprar analises de alguém ou buscar conhecimento de livros ou cursos, por exemplo.

Um ponto bastante importante de se ressaltar, é que as ETF’s são uma maneira de diversificar os seus investimentos com menos capital de aporte, uma vez que caso se comprasse uma cota de ação de cada uma das empresas que estão dentro de uma ETF, precisaríamos alocar mais capital do que comprar uma cota desse ETF, que por si só já tem todas essas companhias inseridas no ativo que você adquiriu, além disso o lote padrão para comprar uma ação é 100 unidades, enquanto para os ETF’s é 10 unidades, sendo possível ter menos capital para começar.

Sendo assim, o ETF poderia ser uma opção muito interessante pra quem está começando no mercado de ações e não tem uma experiência de escolher com uma chance maior de assertividade ações manualmente como no Stock Picking, por exemplo.

Vale lembrar que nessas 3 formas citadas de entrar no mercado de ações, não existe uma forma certa ou errada e sim escolher a maneira que mais vai se adequar ao perfil e as necessidades do investidor para obter mais resultados. 

Além disso, não é preciso escolher uma só das três formas, sendo possível ainda fazer uma diversificação de sua carteira entre duas ou até mesmo as três formas citadas, distribuídas de forma que vai de acordo com as decisões do acionista.

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