João Vitor

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Trabalha como consultor financeiro, é estudante de Engenharia Química pela Unesp e escreve sobre temas relacionados a economia, finanças e investimento.

A cada dia, novas pessoas buscam conhecer um pouco mais sobre investimentos. Nesse contexto, começam a procurar informações a respeito do assunto, alguns mergulham em um acúmulo de informações indicadas por pessoas que muitas vezes não tem o devido embasamento no assunto.

Outros nem mesmo verificam como essas informações são obtidas, mas mesmo assim a vontade de entrar no mundo dos investimentos acaba fazendo com que eles coloquem seu dinheiro em diversos ativos ou produtos financeiros, cometendo diversos erros que custam a perda do que foi investido e gerando diversos outros problemas.

E é por isso que aqui vamos abordar os 14 erros mais comuns de investidores, alguns que estão começando ou até mesmo que já estão há um tempo, mas que cometem os mesmos erros de investidores iniciantes. Sendo assim, vamos citar e explicar cada um desses erros, para que você não os cometa novamente e tenha melhores resultados e sucesso em seus investimentos futuros.

1) Não conhecer seu perfil de investidor

Um erro muito comum de quem está começando a investir é justamente pensar que todos que investem pensam da mesma forma e isso acaba fazendo com que este acabe tomando diversas decisões equivocadas.

Todo tipo de investimento, seja em renda fixa ou renda variável tem diversas particularidades, entender cada uma delas e aliar aos seus próprios objetivos é muito importante.

Nem todos estão dispostos a correr os riscos em se investir de forma mais despojada e arriscada como em ações, assim como nem todos acham suficiente a rentabilidade do tesouro Selic que temos atualmente, ou ainda, que querem tirar dinheiro a curto prazo, o que prejudicaria seu investimento caso ele seja de longo prazo ou com tempo pré-determinado de retirada.

Os investimentos feitos precisam ir de encontro ao perfil do investidor e também aos seus objetivos, porém para entender qual é o seu perfil talvez não seja uma tarefa tão simples assim, o que nos faz gerar uma necessidade ainda maior de conhecer o maior número de possibilidades e como funciona cada uma delas, o que torna isso mais fácil de decidir.

2) Investir sem um plano

Esse erro talvez seja o mais comum de todos dentro de um grupo, não só de investidores iniciantes, mas também em relação a vida financeira como um todo: A falta de planejamento.

As pessoas acabam construindo em mente diversos objetivos financeiros. Dentro dos investimentos, acabam inclusive pensando a todo momento que vão ganhar montantes de dinheiro de forma fácil, segura e rápida.

Infelizmente, não se trata de uma fórmula mágica e fácil, embora muitos influenciadores, em busca de atrair atenção ao seu curso ou produto, acabam prometendo esse tipo de coisa. Ter um planejamento e listar as melhores estratégias para se alcançar seus objetivos dentro do mercado de investimentos é o primeiro passo para algum sucesso nesse meio.

Não se pode fazer operações, entrar em ações, bitcoin, renda fixa ou qualquer outro tipo de investimento sem antes ter pelo menos uma ideia do porquê você está fazendo isso e quais as possibilidades podem acontecer dentro daquilo que você escolheu.

Seguir um planejamento de investimentos, faz com quem possamos saber o que fazer e não ficar perdido no momento que algo não sai como esperado, traçando alternativas para todo tipo de situação, além de ter maior controle da situação.

3) Começar a investir em renda variável antes da renda fixa

O Brasil é um país iniciante ainda no mundo dos investimentos, mas não só nisso como também em conceitos básicos de educação financeira. Sendo assim, muitos acabam apenas surfando na onda do momento, seguindo a “dica esperta” de alguém e entrando em investimentos aos quais não tem conhecimento a respeito.

É o caso da renda variável, principalmente no mundo das ações. Essa tendência que estamos tendo em se discutir cada vez mais as altas rentabilidades que algumas ações tiveram ao longo dos anos, faz com que pessoas iniciem sua vida de investidor colocando dinheiro em ações, expondo-se a um mercado de alto risco sem antes conhecê-lo.

Nesse caso, é extremamente importante que se estude primeiramente no que está se expondo, ao passo que seria interessante iniciar em mercados de menor risco antes, como os de renda fixa e entender também a sua importância.

Vale ressaltar que mesmo depois de ter aprendido a respeito do mercado variável, não significa que se deve necessariamente abandonar totalmente a renda fixa. Ela tem sua importância dentro de qualquer portfólio, e distribuir o dinheiro de maneira correta entre renda fixa e variável pode ser uma excelente alternativa na obtenção de algo mais seguro.

4) Não fazer diversificação

Dando continuidade até mesmo à ideia que já estava sendo passada a respeito dessa distribuição do capital em diferentes tipos de ativos, vamos de encontro a uma famosa frase de Warren Buffett no mundo dos investimentos: “Não coloque todos os ovos na mesma cesta”.

Isso no mundo dos investimentos, significa colocar todo seu dinheiro em um único ativo, o que não é interessante, principalmente se este tiver um risco maior.

Se alguém vende um ativo, alguém está adquirindo este, e o que vendeu por sua vez vai comprar outro ativo que algum outro está vendendo. Sendo assim, não faz sentido pensar em um único ativo como algo isolado, pensando-se na forma de como funciona a compra e venda dos mesmos, pois todo o mercado está de alguma forma interligado.

Sendo assim, ter uma diversificação na carteira de investimentos faz com que se tenha um portfólio muito mais consistente e preparado para riscos e maximizando os ganhos. O que deve ser inclusive muito bem pensado em sua formação, tanto qualitativa, como também quantitativamente.

5) Deixar dinheiro parado na corretora

As corretoras, embora existam muitas hoje no mercado muito bem estruturadas, com confiabilidade e estabilidade na área de atuação, é preciso se atentar a um fator muito importante, que é o de que as corretoras não possuem o Fundo Garantidor de Crédito, que protegeria o seu dinheiro caso acontecesse algo com a corretora.

Os bancos possuem isso, mas as corretoras não, então embora seja difícil algo do tipo acontecer em corretoras bem conceituadas, é um risco que é desnecessário de passar, afinal é o seu dinheiro que está ali em jogo.

6) Achar que investimento é aposta

Muitos costumam achar que investimentos são como apostas ou cassinos, na qual você tem que testar a sorte pra ver se compra algo que lhe dê uma boa rentabilidade, ou ficar contando com resultados do passado para embasar as escolhas do presente.

Importante lembrar que o que determinado ativo rendeu em determinado período não é garantia de que vai render igual depois ou que os que tiveram queda vão continuar caindo. Obviamente não se escolhe ativos a dedo conforme o que se acha que vai lhe trazer bom lucro, principalmente os de maior risco, é preciso um elaborado estudo para que as opções escolhidas, ainda que sem certeza de resultado, tenha uma probabilidade muito maior de lhe render ganhos.

No caso de ações é preciso fazer uma minuciosa avaliação no mercado para analisar diversos fatores da empresa, como:

  1. Margem de lucro é positiva?
  2. Dívidas da empresa.
  3. Marca.
  4. Roic: Retorno sobre o capital investido.
  5. Lucro (em diferentes cenários).

Enfim, achar as melhores opções jamais podem estar ligadas necessariamente a sorte, pois a chance de se frustrar é grande.

7) Esquecer dos impostos

Esquecer de pagar imposto de renda dos seus ganhos com ativos pode lhe render muitos prejuízos e até problemas futuros com a justiça. Caso sejam ativos negociados na bolsa, ocorre que há um pagamento de multa cumulativa de 0,33% ao dia e que pode chegar até 20% do valor do imposto não pago.

Além disso, tem ainda um acréscimo de juros adicionados por mês que vão de acordo com a taxa Selic do momento. É preciso tomar cuidado, para que não se tenha prejuízos futuros e problemas relacionados a sua situação fiscal no país e assim colocando abaixo boa parte do lucro que você poderia construir com seus ativos.

8) Pagar TED para a corretora

Isso é um problema corriqueiro, principalmente se a quantidade de dinheiro que você está mandando para a corretora é pequena, sendo assim, evite mandar dinheiro para sua corretora através de bancos que cobram taxas de TED, uma vez que essa taxa vai acabar tirando aos poucos uma parte da sua possível rentabilidade com ativos ou até mesmo piorando o quadro de perdas.

Para tal, tenha preferência por montar contas dentro de bancos digitais, que hoje tem diversas oportunidades de economizar dinheiro, comparado às taxas que os bancos convencionais te cobrariam.

9) Deixar dinheiro na poupança de banco

Essa é uma questão muito importante pra quem ainda pensa que poupança é investimento, e é um conceito equivocado, já que poupar também não é igual a investir. Além disso, a poupança tem sido cada vez mais um mau negócio ao longo dos anos no Brasil.

Ela vai render de acordo com a taxa Selic, mas mesmo assim, chega a render até 70% da taxa Selic + Taxa referencial, isso se a taxa Selic estiver abaixo de 8,5% como é o caso que temos até o presente momento do ano de 2020.

Ou seja, embora seu dinheiro esteja rentabilizando de alguma forma ao valor que você colocou lá, ele está na verdade desvalorizando ao passo que é consumido pela inflação. Hoje há diversas possibilidades muito melhores que a poupança, então não é mais um lugar que vale a pena estar “investindo” seu dinheiro, que mais uma vez, ressaltamos que não é um na verdade um investimento.

10) Escolher só pela rentabilidade

Escolher um ativo, seja ele títulos de renda fixa, ações ou fundos, não se pode pensar apenas na renda que você vai obter com o dinheiro investido. Obviamente esse é um quesito muito importante, porém é preciso analisar alguns fatores nas particularidades de diferentes ativos.

Existe o que chamamos de trilema dos investimentos, no qual comparamos os ativos em relação a 3 características: Potencial de rentabilidade, segurança e liquidez.

É quase impossível obter um ativo 100% ideal, no qual temos a máxima de cada um desses 3 fatores, e é por isso que é preciso dosar cada um deles na construção da sua carteira de investimentos.

Geralmente ativos de altíssimo potencial de rentabilidade, também são ativos de alto risco e os que são mais seguros, não interferem em uma variação tão grande no preço, e assim, também não terá tantas possibilidades de retorno ao investidor.

Outro fator citado é o de liquidez. Muitas vezes, achar o momento certo de vender seus ativos pelo maior preço possível, que é o objetivo de todo mundo que investe, tem um empecilho que é muitas vezes a falta de liquidez.

Isso significa que mesmo que você esteja no momento ideal para venda, pode ser que não tenha pessoas que vão comprar seu ativo naquele momento e nisso você terá que esperar um tempo pra conseguir vendê-lo. Isso pode resultar em novas alterações de preços e algumas perdas de oportunidade.

Obviamente que estamos tratando até esse ponto de objetivos rentáveis, porém dentro da escolha de ativos, deve estar ligado a outros objetivos que são particulares do perfil de cada investidor, como proteção de capital, por exemplo. Sendo assim, voltamos ao primeiro erro que investidores cometem que é não conhecer o seu perfil, suas próprias características e o que pretende nesse meio, o que pode comprometer sua jornada e seus ganhos.

Além disso temos por exemplos outros contextos a serem analisados nisso, como o cenário com o qual o país vive, o que altera muito as possibilidades, e também, os prazos de contrato de certos ativos feitos, que devem ser respeitados para ter nele o melhor aproveitamento possível para o momento.

11) Não ter reserva de emergência.

Como já citamos aqui sobre ter um planejamento, diversificação e não esquecer dos impostos, a construção de reserva de emergência é extremamente importante para segurança do seu patrimônio e também da sua própria vida.

Problemas e imprevistos, tanto na vida pessoal, quanto no que tange às questões macroeconômicas do país como crises financeiras e políticas não podem ser o tempo todo previstas. Entretanto, podendo prever isso ou não, é sempre importante estar preparado para esses momentos, e é aí que entra a construção de uma reserva de emergência.

Essa reserva deve ser feita em um local seguro, ou seja, que os riscos de perda seja o menor possível, e também de alta liquidez, para que você consiga utilizá-lo em momentos oportunos e tenha caráter urgente, caso aconteça, afinal esse é o objetivo dessa parte reservada.

A não construção dessa reserva, pode te trazer dificuldades na hora que esses problemas surgirem, tanto por não conseguir utilizar o dinheiro para resolver as emergências, como também no risco de que problema demande custo com a qual você não terá outra escolha a não ser perder parte do seu patrimônio investido para saná-lo.

12) Emoção dominar as escolhas

Utilizar-se de emoção, tomar decisões por impulso e pelo que está sentindo não é recomendado no mundo das finanças e dos investimentos.

Como é uma área que demanda estudo e planejamento com ideias e escolhas bem pensadas e construídas, tomadas de decisões sem muita racionalidade farão com que você tome decisões erradas cedo ou tarde, tanto no seguimento do planejamento, como na escolha de ativos.

E essas decisões erradas, por sua vez, trarão diversos problemas como a falta de dinheiro, estresse, problemas com dívidas ou perda de patrimônio.

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13) Esperar o momento certo e nunca começar

Eventualmente há momentos melhores que outros para investir, porém não existe momento perfeito e mesmo que o tenha, ninguém consegue prever com certeza quando isso acontece. O problema aqui não é ter cautela e cuidado e sim, ter medo de investir.

Afinal, pra começar, não precisa ser por ativos de alto risco como comprar ações, mas pode se iniciar em ativos mais seguros como os de renda fixa, e conforme vai se obtendo mais conhecimento e segurança nos investimentos, há a possibilidade de correr um pouco de risco para tentar ganhar mais dinheiro, porém isso não é uma obrigatoriedade, pois existem perfis de investidores mais conservadores ao qual não é prudente pra ele entrar em investimentos de risco.

A questão aqui, no final das contas, é ter consciência do que se está fazendo e de forma planejada e direcionada ao perfil e aos objetivos do investidor e não necessariamente que haja um certo ou errado, embora o “errado” esteja presente sim em pessoas que investem sem essas noções necessárias previamente.

14) Excesso de confiança

Falamos aqui de não agir pela emoção no mundo dos investimentos e que seria preciso evoluir aos poucos, aumentando o conhecimento e confiança no que se está fazendo. Essa confiança também pode vir de bons resultados nas escolher que tomou anteriormente.

Entretanto, um excesso de confiança em um investidor, pode fazer com que ele haja por impulso e emoção sem nem mesmo perceber, perdendo princípios de cautela e se arriscando muito mais do que está realmente disposto a correr ou então que seja prudente pro momento. A dosagem e o equilíbrio entre cautela e confiança aqui é muito importante.

É quase impossível encontrar investidor com anos de experiência e volume de operações em investimento em alto risco que já não tenha errado pelo menos uma vez, geralmente diversas vezes.

Sendo assim, mesmo que seu conhecimento no mercado seja alto com o passar do tempo, isso não te deixa livre de riscos, reiterando mais uma vez que, na verdade, o mais importante para se investir é o acúmulo de conhecimento prático e teórico, junto com a consciência e controle emocional, que também está relacionado a um bom planejamento.

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