Tesla no S&P 500: O que muda no mercado financeiro?

A informação que ganhou destaque nos noticiários do mercado financeiro pelo mundo afora nos últimos dias foi justamente a inclusão da Tesla no principal índice acionário dos EUA. Pra quem acompanha o mercado financeiro de perto, talvez já saiba desse fato. Mas afinal, o que representa a inclusão da Tesla ao S&P 500?

Primeiramente, é importante entrar em alguns conceitos iniciais. Vamos entender a princípio o que representa o índice S&P 500 e sua influência dentro do mercado financeiro e da bolsa de valores não só nos EUA, mas também mundialmente.

O S&P 500 é um dos índices que compõem a bolsa de valores de Nova York, que é a maior bolsa de valores do mundo. A New York Stock Exchange, ou também conhecida pela sigla NYSE, tem uma capitalização superior a US$ 19 trilhões em 2020, tendo alcançado números de até US$ 20 trilhões em 2019.

A capitalização da bolsa representa o valor de mercado de todas as empresas somadas que a compõem. Seguindo essa mesma linha raciocínio, é importante lembrar que o S&P 500 também está inserido na segunda maior bolsa de valores, que é a Nasdaq, que atualmente conta com uma capitalização superior a US$ 13 trilhões.

Só para ter uma ideia do que esses valores representam, o PIB dos EUA em 2019 foi de aproximadamente US$ 21,6 trilhões e o da China foi de US$ 14,96 trilhões. Isso significa que a bolsa de Nova York tem um valor de mercado superior à soma total de todos os bens e serviços captados pela segunda maior economia do mundo durante um ano todo.

Com a crise causada pela pandemia em 2020, os países tiveram uma perda considerável em seu PIB, de modo que o valor da bolsa de Nova York deve ficar muito próximo ao próprio PIB dos EUA. O S&P 500, por sua vez, compõe números superiores a metade de todo esse valor.

O importante a ser considerado aqui, no final das contas, é toda exposição financeira que a Tesla vai estar incluída dentro do mercado financeiro a partir de então. Mas é preciso ter cautela nessa análise, pois não é como se a companhia já não tivesse uma enorme relevância no mercado internacional.

Sem dúvidas, compor o índice do S&P 500 era um dos grandes desejos da empresa comandada por Elon Musk, que agora aumenta o prestígio pessoal de estar no top 2 de homens mais ricos do mundo após a Tesla ter sido inserida no índice.

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O que representa o S&P 500?

O S&P 500 é o índice mais conhecido do mundo do mercado financeiro internacional. Junto com o índice Dow Jones, que é outro de grande relevância dentro do mercado, compõem a bolsa de valores de Nova York, a NYSE, que como já dissemos é a maior bolsa de valores do mundo.

O S&P 500 surgiu em 1957, e até por ser o primeiro índice de ações dos EUA ponderado por uma capitalização de mercado, acabou sendo utilizada pelos maiores investidores do mundo, assim como também as maiores empresas.

Ela inclui, até como sugere o seu nome, as 500 maiores empresas dos EUA, e atualmente representa cerca de 80% do valor de mercado de ações do país. Dessa forma, o índice S&P 500 tem uma enorme influência em atrair investimentos a um país, de modo a ter grande papel de desenvolvimento econômico do mesmo.

O que é a Tesla?

A Tesla, por sua vez, se tornou recentemente a maior montadora de veículos do mundo em valor de mercado, e o seu diferencial se dá justamente por faturar e expandir muito sua marca, mesmo vendendo muito menos veículos do que seus concorrentes.

Se tornou líder mundial na venda de carros elétricos pelo mundo, e mais do que isso, acabou transformando completamente o setor automobilístico, já que conseguiu atrair sofisticação, inovação e sustentabilidade para um mesmo veículo.

É a primeira vez que se pôde atrair um número tão considerável de pessoas do mundo todo para o uso de carros elétricos, não apenas dos que estão preocupados com as questões de sustentabilidade do planeta, mas também, pela qualidade do produto e inovação tecnológica.

Em meio ao sucesso da companhia, surge a figura marcante do empresário Elon Musk. Ele assumiu a empresa com diversos problemas financeiros, diversas trocas de CEO e dificuldades na entrega de produtos para a demanda mundial.

Acabou de imediato resolvendo boa parte desses problemas, e desde então, tem feito a empresa performar de modo extraordinário. Foram diversos produtos desenvolvidos, até chegar nos sofisticados e conhecidos modelos de veículos S, X e 3 e muitos outros.

Um dos diferenciais da Tesla é justamente atribuir um alto poderio tecnológico em seus produtos. É como se ela desenvolvesse a tecnologia para utilizá-la nos carros e não desenvolver os carros utilizando tecnologia. A empresa gosta de ser conhecida mais pela sua performance de criar tecnologias inovadores do que propriamente uma montadora de carros.

Tesla decolando durante o ano de 2020 

Em agosto de 2020, as ações da Tesla tiveram uma alta histórica de 56% em um único mês, performance que só foi repetida pela companhia em 2013, obtendo a terceira maior valorização mensal de sua história.

Desde agosto já se cogitava a introdução da Tesla no índice S&P 500. Porém por diversas questões, a comissão responsável por tomar essa decisão acabou deixando a companhia de fora, mesmo que atendesse aos requisitos para entrar.

Um dos motivos, foi justamente o valor de mercado altíssimo da Tesla, já que para empresas com valor de mercado muito alto em relação a outras do índice, ou seja, muito maior do que a mínima de US$ 8,2 bilhões, existe muito mais cautela em sua inclusão, já que ela representaria uma parcela considerável de todo o índice.

Por esses e outros motivos, setembro foi um mês marcado pela decepção de Elon Musk em relação a não ter visto a Tesla entrando no S&P 500, ao passo que a quebra de expectativa e de falta de otimismo dos investidores com relação a empresa, fez as ações da tesla despencaram na época.

O fato é que com apenas 17 anos de empresa, a Tesla atingiu patamares incríveis de lucro e valorização de sua marca. Este ano, foi praticamente um estouro de sucesso da empresa, chegando ao patamar de montadora de veículos mais valiosa do mundo, passando inclusive a Toyota, que tinha esse posto até então.

Em 11 de agosto de 2020 a Tesla anunciou o desdobramento de suas ações de 5 pra 1, de modo a reduzir o preço de suas ações que estava entre as de maior valor do mundo. Esse desdobramento tinha por objetivo tornar mais acessível a compra das ações por parte de investidores, atraindo ainda mais capital para sua marca.

Só para se ter uma ideia da proporção de valorização das ações da Tesla, no primeiro pregão do ano, no dia 2 de janeiro,  sua cotação era de aproximadamente US$ 86. Até o momento, no final de novembro de 2020, as ações da Tesla tange valores de US$ 542.

Isso significa em termos práticos, uma valorização da ação em mais de 500% durante o ano de 2020. Obviamente que nesse preço já está sendo levado em conta o desdobramento das ações da empresa em agosto, o que fez com que as cotações tanto no presente quanto no passado tivessem um remanejamento de forma proporcional.

Mas basicamente, caso esse desdobramento 5 para 1 não tivesse acontecido, as ações da Tesla hoje ficaria na casa dos US$ 3000, o que corresponde a uma das ações mais caras do mundo, e até por esse motivo, que ocorreu essa importante divisão. Podemos ver como foi visível e de forma acelerada a ascensão das ações da Tesla durante os últimos 5 anos no gráfico a seguir:

ações da tesla

O que chama a atenção na companhia, são os lucros chamativos mesmo em mesmo a pandemia e o crescente valor de mercado, que aumenta seus números de forma incrível desde o início do ano, um exemplo de boa gestão, força empreendedora e principalmente inovação tecnológica.

O que muda com a Tesla entrando no S&P 500?

Desde que a S&P Global, responsável pelo principal índice da bolsa norte-americana anunciar no dia 16 de novembro que a Tesla, líder mundial no ramo de carros elétricos, faria parte do S&P 500, muita coisa tem mudado para a companhia em questão de dias, principalmente tratando-se de questões financeiras.

A Tesla será negociada no S&P 500 a partir do dia 21 de dezembro, após seu primeiro ano de lucro e ter atingido todos os demais critérios exigidos pela S&P. A informação veio de encontro com as expectativas de que a empresa entraria no índice, com tentativas que foram feitas desde o mês de setembro e que a partir de agora se concretizam.

As ações da Tesla dispararam mais de 12% logo no dia seguinte ao anúncio, mais precisamente no dia 17 de novembro, durante sua abertura, causando um aumento no otimismo em relação ao futuro das ações e também do índice S&P 500. 

Desde o dia do anúncio da S&P Global, o mercado financeiro já viu as ações da Tesla subir mais de 30%, levando em conta a cotação medida entre o intervalo do dia 17 até o dia 24 de novembro de 2020, apenas 1 semana e 5 pregões fechados, como podemos ver no gráfico mensal:

gráfico ações tesla

Como se vê, o S&P 500 fez muito bem para a companhia de Elon Musk, que agora se tornou o 2º homem mais rico do mundo, passando o tão conhecido Mark Zuckerberg, fundador do facebook e hoje dono do Whatsapp e Instagram, e agora no dia 24 de novembro de 2020 empatando sua fortuna com Bill Gates em US$ 128 bilhões.

Desde o anúncio da entrada da Tesla no S&P 500, Elon Musk faturou cerca de US$ 37 bilhões e essa fortuna só tem aumentado dia após dia. Até o dia 21 de novembro esse aumento era de US$ 13,7 bilhões. Aparentemente foi uma semana extraordinária para a Tesla e principalmente para Elon Musk.

A exposição com a qual as ações da Tesla terão a partir do momento que entrarem no índice S&P 500 é altíssimo. Dessa forma, fazer parte disso é na verdade abrir as portas para investidores do mundo todo, que operam e colocam grande volume de dinheiro nas empresas participantes do índice.

Isso acontece porque as maiores empresas do S&P 500 também acabam sendo algumas das maiores do mundo. Entre as participantes temos: Microsoft, Apple, Amazon, Facebook, Berkshire Hathaway, Johnson & Johnson, Walt Disney, Coca-Cola, McDonald’s, Nike e muitas outras gigantes marcas globais.

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Mas a entrada da Tesla no índice não é por acaso. Além de preencher todos os pré-requisitos para estar composta dentro no S&P 500, ela já vai entrar como uma das blue chips, do tamanho da Berkshire Hathaway, pertencente a Warren Buffett. Nunca uma empresa de tamanho porte entrou no índice dessa forma, pois todas as empresas que o compõem hoje tinham valor de mercado inferior a Tesla quando foram introduzidas.

Desse modo, não só o S&P 500 tem muito a oferecer para o crescimento da Tesla, mas também a própria empresa consegue oferecer muito ao índice americano. É muito importante frisar que a Tesla tem diversos diferenciais que atraem todo investidor moderno.

Cada vez mais o mundo dos investimentos têm sido transformado com novas ideias e princípios para se determinar quais são as boas empresas para se investir. Nesse sentido, a Tesla se encaixa muito bem no perfil do novo critério utilizado para ser um investimento atrativo, que é o conceito de ESG.

A ESG é uma sigla para Environmental, Social and Governance, que em português significa Ambiental, Social e de Governança. Ela leva em conta uma série de fatores de preocupação com questões ligadas a sustentabilidade e impactos sociais, além de boas práticas de governança das companhias.

Empresas que se preocupam com a ESG, tendem a atrair um maior número de investidores a longo prazo no mundo atual dos investimentos, já que essa tem sido uma tendência que já vem ocorrendo e vem se expandindo ano após ano.

A Tesla de Elon Musk, consegue diversificar um alta tendência a uso de tecnologias muito bem desenvolvidas, juntamente com as questões relacionadas à inovação e também sobre a preocupação com ESG, tudo isso representado em seus produtos.

Os carros elétricos, pela primeira vez, conseguem atrair tanto pela sofistificação em inovação e tecnologia de ponta que a Tesla apresenta em seus veículos, como também em pessoas que se interessem pelas questões de sustentabilidade.

Dessa forma, sabendo que a entrada da Tesla no S&P 500 tende a trazer um avanço enorme de recursos para a empresa, através de investidores de todas as partes do mundo, e que também pode servir como vitrine para mostrar ao mundo ainda mais o seu portfólio de produtos, isso faz com que essa tendência de uma possível substituição dos carros convencionais movidos por combustíveis fósseis por veículos mais sustentáveis seja cada vez mais acelerada.

Não por acaso, o Reino Unido anunciou no dia 18 de novembro, um plano com uma série de medidas com o objetivo de estimular a economia britânica e fazer com que se chegue muito próxima de zero sua emissão de carbono até 2050.

Para alcançar tal feito, o plano anunciado pelo primeiro ministro Boris Johnson tem como nome “Revolução Industrial Verde”, e será baseado em medidas que vão diminuindo a necessidade de veículos movidos a diesel e gasolina, até que eles sejam definitivamente proibidos de serem utilizados até 2030. 

Essa medida, que começa no Reino Unido e tem a possibilidade até mesmo de curto prazo a se expandir para outros países, poderia atrair bilhões em investimentos em empresas com alternativas sustentáveis como os próprios carros elétricos, ao qual a Tesla hoje é líder mundial no ramo.

Levando em conta todos esses fatores, podemos enxergar a inserção de grandes empresas dentro da bolsa, principalmente as que têm um viés voltado à inovação e tecnologias do futuro, como uma possibilidade de mudanças não só no mercado financeiro, mas também abrir espaços para transformações estruturais importantes na sociedade, no presente e também no futuro.

E para o índice S&P 500, trazer empresas com este potencial, pode atrair grande força de investimento estrangeiro, que por sua vez, corrobora para um crescimento consistente de capital investido nas bolsas de valores dos EUA a longo prazo. 

Com a bolsa de valores ganhando cada vez mais capital e mais adeptos, iremos observar todas as vantagens que ela traz consigo dentro de um país, assumindo seu papel de ajudar no crescimento econômico e no PIB, de forma cada vez mais presente na economia nacional e consequentemente no desenvolvimento social de forma sustentável.

Conclusão

No dia 21 de dezembro de 2020, a Tesla finalmente terá a possibilidade de participar de um dos maiores índices acionários da bolsa de valores dos EUA e também do mundo, que é o S&P 500. Isso traz vantagens não só para a empresa, mas também para as próprias bolsas de valores dos EUA que incluem o índice.

É muito importante observar esse fato através de diversos pontos de vista. O primeiro deles  e também o mais óbvio é o financeiro, no qual tanto seu proprietário Elon Musk, que agora se alavanca para a 2ª posição de homem mais rico do mundo, quanto para a Tesla, que é uma empresa com potencial gigantesco, tem trazido benefícios incríveis para ambos nesse quesito.

De maneira análoga, é uma empresa que tem um viés voltado às questões que relacionam alta tecnologia, sustentabilidade e inovação. Dessa forma, deixar um volume tão grande de dinheiro nas mãos de quem consegue pensar em coisas tão relevantes e criativas para a sociedade pode ser transformador a longo prazo.

Quanto às ações da Tesla, por sua vez, fica muito difícil prever o seu crescimento a partir de então, dado que só neste ano, antes mesmo da empresa ter sido anunciada dentro do S&P 500, os preços de suas ações ultrapassaram todas as expectativas do mercado financeiro. 

Sendo assim, as projeções até o momento apontam um alto grau de otimismo para sua valorização, a curto, médio e também a longo prazo, embora seja muito complicado e até irresponsável fazer qualquer tipo de recomendação sem embasamentos claros e demonstrados, já que nesse caso a Tesla acaba sendo um ponto fora da curva para o uso de muitos indicadores.

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