O que leva a TAESA pagar bons dividendos?

Existem alguns ativos listados em bolsa que se tornam “queridinhos” por parte dos investidores. O motivo? Acredito que o leitor investidor deve saber. Resultados excelentes que proporcionam o pagamento de bons dividendos. Esse é o caso da Transmissora Aliança de Energia Elétrica, ou simplesmente TAESA.

Nesse sentido, a TAESA é um dos maiores grupos privados de transmissão de energia elétrica do Brasil. A empresa foi listada na Bolsa de Valores em setembro de 2006 e, desde então, o ativo acumula máximas históricas. Inclusive, o papel já atinge valores maiores do que o período pré-pandemia.

Com isso, nesse artigo, iremos trazer ao leitor um pouco de conhecimento sobre a empresa. A ideia é mostrar como funciona o modelo de negócio da TAESA. Além disso, também traremos alguns motivos que ajudam a explicar a rentabilidade de seus negócios. Acompanhe a leitura com a gente e fique por dentro de uma das empresas mais rentáveis da B3.

Modelo de negócios

A TAESA S.A é uma das grandes empresas que atuam no setor elétrico no território brasileiro. Hoje, a companhia é responsável por mais de 12 mil quilômetros de linha de transmissão. A companhia foi criada nos anos 2000, por meio da constituição entre Novatrans e TSN (Transmissão Sudeste Nordeste S.A.)

Sendo assim, a sua principal atividade está relacionada à transmissão de energia elétrica dentro do território brasileiro. Os serviços ofertados se resumem basicamente na construção, operação de redes de energia elétrica e manutenção das redes de transmissão.

Nesse sentido, a empresa busca expandir suas atividades através da aquisição de outras concessões para transmissão de energia. Entre elas, podemos citar a Novatrans, TSN, ETAU, GTESA, São Gotardo e Miracema. Ao todo, são 39 concessões de transmissão sob responsabilidade da empresa.

Dessa forma, obtendo a concessão sobre o controle de operação dessas linhas de transmissão, a empresa pode usufruir de ganhos através da operação por até 30 anos. Embora o tempo seja limitado, é mais que o suficiente para gerar alta lucratividade para os caixas da empresa.

Concorrência e setor elétrico brasileiro

A TAESA S.A atua sob fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o órgão regulador do setor no país. O órgão realiza a regulação da geração, transmissão e distribuição da energia no território brasileiro.

Dessa forma, todas as empresas públicas ou privadas, só podem atuar no setor elétrico após aval da ANEEL. Com isso, em determinadas regiões do país, só é possível realizar operações em caso de autorização do órgão para atuação.

Embora a empresa tenha bons resultados, não necessariamente ela atua sem concorrência. Entre empresas do setor elétrico, podemos citar a ENGIE, Energisa, CPFL Energia, Alupar, EDP Energias, Eneva, Equatorial, ISA Cteep, etc. 

Veja também: Quais são os principais setores e empresas da bolsa brasileira?

O setor elétrico na bolsa de valores

O setor elétrico é considerado um dos setores mais “defensivos” da bolsa de valores. E existem alguns motivos para isso. O setor é bastante estável, possuindo empresas bem consolidadas e com demanda garantida (um dos benefícios das concessões).

Além disso, são empresas que fornecem serviços básicos a população, ou seja, nunca deverão deixar de existir. Outro ponto é que, devido a natureza do serviço, também há uma baixa necessidade de investimentos em novos produtos.

Por outro lado, é um setor que sofre com diretamente com ações políticas vinculadas a energia. Por exemplo, durante o governo da ex-presidenta Dilma Roussef, foi anunciada redução nas tarifas de conta de luz dos consumidores.

Isso fez com que os ativos listados em bolsa e vinculadas ao setor de energia elétrica perdessem R$ 40 bilhões em valor de mercado em 4 meses.

Resultados da TAESA

A TAESA registrou, nos resultados do 2T2021, lucro líquido de R$ 697,9 milhões de reais. Isso representa uma alta de 50,3% em relação ao mesmo período de 2020. O resultado foi principalmente impulsionado pela alta do IGP-M, que vem disparando nos últimos meses.

Segundo a companhia, o IGP-M representou um efeito positivo de R$363,1 milhões de reais, refletindo na receita de correção monetária. O indicador macroeconômico também ajuda a ter um aumento de 89,5% na equivalência patrimonial.

Por outro lado, em relação à receita líquida, foram registrados R$904,3 milhões no trimestre. Comparado ao mesmo período do ano passado, é uma alta de 19%. Segundo a companhia, tal resultado também é efeito da inflação, sendo também suportado pelo início da operação de Mariana.

Contudo, devido à dívida líquida, a empresa atingiu R$ 5,93 bilhões, um aumento de 33,9% em relação ao 2T2020. Também registrou uma queda de 29,3% no caixa em relação ao primeiro trimestre do ano, chegando ao valor de R$729,3 milhões.

Segundo especialistas, a TAESA pode pagar, aos acionistas, um dividend yield de aproximadamente 11%. Considerando o atual valor da ação da companhia, R$38,04, isso pode representar algo próximo de R$4,18 por ação.

Veja também: Setor elétrico: Ações defensivas a crises, lucratividade e bons dividendos

Crise energética e resultados

Segundo especialistas, empresas de transmissão de energia, como é o caso da TAESA, não sofrerão com a crise energética brasileira. O motivo é que, por ser uma transmissora, existem algumas vantagens inerentes ao modelo de negócios.

Primeiramente, a empresa é independente do faturamento das energias que passam pelas linhas. Um outro ponto é que a receita da TAESA e outras companhias de transmissão de energia são definidas em contrato. Nesse sentido, são corrigidas apenas pela inflação anual (IGP-M)

Conclusão

O investimento em ativos de determinado setor deve ser estudado como qualquer outro. Contudo, quando falamos do setor de energia elétrica, há maior conforto em alocação dos recursos na compra desses ativos. O motivo é que, historicamente, essas empresas apresentaram solidez em seus resultados e pagamento de bons dividendos. 

Nesse sentido, no atual momento do setor elétrico no país em relação à geração de energia elétrica, há certo receio de manutenção de resultados. A falta de chuva diminuiu a capacidade de geração de energia elétrica. Isso gera um risco de apagão, bem como a possibilidade de intervenção do governo federal no setor para mitigar o problema.

Sendo assim, empresas de transmissão de energia, como a TAESA, atualmente, se colocam como uma boa opção no setor. O motivo é que independe da geração, visto que os contratos já são pré-estabelecidos, corrigidos pelo IGP-M.

Nesse sentido, a TAESA, além de apresentar bons resultados históricos e pagamento de dividendos, se destaca no atual momento.

Veja também: Ministro de Minas e Energia admite crise hídrica em pronunciamento na TV

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