Lucas Bassotto

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Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

Especialmente nos últimos anos, o mercado do Bitcoin vem apresentando ciclos de preço, consistindo em momentos de grandes picos de valorização, até passar para um estágio de correção e estabilização. Ambos estágios do ciclo têm um evento catalisador em comum: o halving.

A cada 4 anos a emissão de Bitcoins é cortada pela metade. Isso gera um violento choque de oferta, o que acaba alterando as perspectivas dos participantes do mercado e impacta diretamente para quem entrar futuramente no mercado.

Já passamos por esses ciclos por, pelo menos, três vezes: em 2011, 2013 e o último em 2016. Todos, à exceção de 2011, começando alguns meses após o Halving. Nos últimos 5 anos, por conta do aumento do tamanho do mercado, os ciclos apresentaram menores picos de valorização.

O pré e pós-halving de 2016

Até o momento, o halving de 2016 foi o mais importante da história. Ele ocorreu quando o mercado começava a se estruturar e se tornar mais eficiente. Por isso, foi possível observar com mais nitidez todo o ciclo que começou em 2016 e terminou no bear market de 2018.

Em 2016 foi possível constatar quase o mesmo movimento que vem acontecendo em 2020: uma grande valorização no pré-halving. Entre janeiro e junho de 2016, o preço subiu 116%. Já em 2020 preço do Bitcoin chegou a subir mais de 50%.

halving 2016
Bitcoin no pré-halving em 2016. Fonte: TradingView

Essa antecipação acontece porque quem está no mercado começa a comprar com antecedência, esperando uma valorização. Essa expectativa é refletida diretamente no preço. Essa antecipação é comum em mercados que possuem um mínimo de eficiência.

Quanto mais eficiente estiver o mercado, mais rápida será a antecipação ao evento. Em 2016, o mercado de Bitcoin ainda estava cheio de assimetrias de informação e poucas pessoas ainda entendiam o funcionamento do protocolo.

Por isso, o preço do Bitcoin começou a subir significativamente alguns dias antes do halving, aconteceu no dia 9 de julho e, alguns dias após o acontecimento, o preço chegou a cair 40%, contrariando as expectativas. 

Contudo, passada a correção, o Bitcoin entrou em um bull market que durou até janeiro de 2018, com uma valorização de mais de 3.000% após o halving. A entrada massiva de novos participantes fez com que a escassez pós-halving fosse sentida, o que provocou um grande aumento de preços.

De forma geral, o halving desencadeia um ciclo de mercado, que pode ser classificado em 3 fases: Bull Market, Bear Market e Acumulação.

ciclos de mercado do bitcoin
Ciclos de mercado do Bitcoin. Fonte: Tradingview

O Bitcoin não espera, a força do bull market

O que chama atenção no Bitcoin é a sua rapidez em ciclos de valorização. Ele não sobe de forma linear e contínua. Sua valorização se dá de forma exponencial: começa lentamente e depois acelera.

Os ciclos de alta começam após o crash e a consolidação, acelerando no pré-halving. O crash vem após a euforia do bull market, que é quando a ganância toma conta e os investidores ficam irracionais. Esses eventos são benéficos, pois limpam o mercado, trazendo a racionalidade de volta.

No bull market, notícias positivas causam grandes impactos no preço. Os investidores ficam gananciosos com a rápida valorização do ativo. O Bitcoin começa a chamar atenção da mídia, atraindo pessoas com pouco conhecimento sobre o mercado.

Bear market, o crash

Bear market também é conhecido como “época das vacas magras” no mercado financeiro. Nenhum ativo continua subindo para sempre. As tendências apresentam reversão e, quando isso acontece, apenas os mais preparados não vão à ruína.

Quem apostou tudo no auge do bull market começa a quebrar. Quem estava altamente alavancado também segue o mesmo caminho. Nessa fase de mercado, qualquer notícia ruim impacta o preço de forma muito negativa. Por outro lado, qualquer notícia positiva (por melhor que seja) não provoca uma mudança de sentimento.

As correções uma hora ou outra chegam a qualquer mercado. Com o Bitcoin, não poderia ser diferente. Correções trazem racionalidade e ajudam a corrigir as distorções de preço que ocorreram no bull market.

O interessante é que as correções  tornaram menos intensas com o passar dos anos. Há algumas razões para isso: o aumento de volume e mais pessoas dispostas a comprar. A tendência é que as correções continuem ocorrendo, mas com menos intensidade.

Acumulação, a recompensa dos alocadores

Esse é o estágio em que apenas os melhores alocados conseguem aproveitar. Quem conseguiu gerir bem o risco e ter uma boa alocação de carteira pode aproveitar o momento para fazer novas compras.

Os estágios de acumulação funcionam como recompensa para os investidores que menos cederam aos sentimentos do mercado: ganância e medo. Com isso, os investidores mais experientes começam a se preparar para o novo ciclo de alta.

O interesse por Bitcoin está baixo e poucas pessoas estão prestando atenção no descolamento entre valor e preço do ativo. Nessa fase, o Bitcoin está muito descontado em relação ao seu valor intrínseco, o que gera uma excelente oportunidade para compras.

interesse bitcoin
Interesse por Bitcoin ao longo dos anos. Fonte: Google Trends

O que pode ser diferente no futuro?

O mercado de criptomoedas está passando por grande transformação. A introdução de instrumentos financeiros complexos como derivativos pode ajudar a estabilizar o preço e diminuir a volatilidade dos ciclos.

Portanto, devemos esperar picos de valorização menores em cada ciclo. Em 2017 o Bitcoin chegou a valorizar 3.000% após o Halving. Com o desenvolvimento do mercado, não seria surpreendente uma valorização bem menor do que essa. 

A volatilidade ainda vai existir, mas será muito menor do que aquela observada entre 2016 e 2017. Isso deverá gerar menos oportunidades de trading e arbitragem. O mercado vai ficar mais eficiente e em breve, a melhor estratégia para investidores de varejo será a de acumulação e preço médio.

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