29 de agosto, 2019

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por: JP

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Categorias: Derivativos

O que são derivativos?

Você sabia que 1,2 quatrilhão de dólares de todo o dinheiro mundial está alocado em derivativos? Essa quantia é 13 vezes maior do que todo estoque de dinheiro e PIB da economia mundial. Esse mercado é fascinante e possibilita muitas estratégias de proteção, especulação e arbitragem para investidores e produtores.

Mas existe uma razão para isso, os derivativos são uma excelente forma de conter riscos econômicos, alocar recursos e oferecer liquidez a todo sistema financeiro. Eles diminuem a volatilidade dos preços da economia e protegem empresas, produtores e países que possuem uma receita dependente de um mercado cujo preço está sempre variando. 

O que são derivativos financeiros?

As primeiras bolsas que negociavam derivativos de forma organizada surgiu no Japão, principalmente no mercado de arroz. Os produtores precisam se proteger da volatilidade do preço, excessos de produção ou interferência climática.

De forma simples, os derivativos são contratos que envolvem duas partes que precisam concordar na compra ou na venda de um ativo, ou mercado. Essas duas partes (empresas ou pessoas) definem em contrato o preço, a quantidade e uma data futura para realizar a negociação e entrega do ativo.

O nome “Derivativo” é porque o valor dos contratos derivam de ativos financeiros. Um derivativo do mercado de ouro tem o seu valor derivado do preço do ouro nas bolsas mundiais, por exemplo.

Esse contrato é negociado em quase todos os mercados mundiais e envolve os mais variados ativos: ações, juros, moedas, commodities (ouro, milho, café, soja) e até mesmo Bitcoin.

Quais são os tipos de derivativos?

Vou citar os 3 tipos mais importantes e relevantes de derivativos:

Swaps –  Significam permuta, é uma operação em que há troca de posições quanto ao risco e à rentabilidade de investidores. Um investidor de CDI pode fazer um swap cambial para se expor à volatilidade do dólar, assim como o inverso.

Opções – O investidor adquire o direito (não a obrigação) de comprar ou vender um ativo por um preço e quantia definidos no contrato em uma data futura. Muito utilizado por produtores de commodities e traders mais avançados.

Futuros – Nos contratos futuros, ao contrário das opções, as duas partes do contrato se comprometem a negociar o ativo em uma data futura ao preço e quantia que já foram determinados no contrato.

Exemplo simples de derivativo

De forma simples, um derivativo funciona assim: Lucas é minerador de Ouro e pensa que o preço do Ouro (R$ 120) vai cair para R$ 110 e não quer ficar no prejuízo. O João é especulador profissional e acredita que o preço do Ouro vai subir para R$130. 

O que pode ser feito nessa situação? João propõe um acordo. Daqui a 1 mês, Lucas vai vender seu Ouro para João por R$ 120. Se daqui a 30 dias o preço do Ouro estiver R$ 115, João terá prejuízo, porque terá que comprar o Ouro a R$ 120. Nessa situação o Lucas se protegeu da queda e conseguiu vender seu ouro se sofrer com a volatilidade.

Se o ouro estivesse R$ 130, João teria lucro, porque ele compraria o Ouro de Lucas a R$ 120 e venderia no mercado por R$ 130. O que motivou Lucas a firmar o acordo? A proteção do seu lucro na produção. João, por outro lado, queria especular com o Ouro e ter lucro pessoal. Os dois ganharam nessa operação. Lucas teve proteção e João teve lucro.

Exemplo de um derivativo na bolsa com o uso de opções

O exemplo acima foi bem simples para ilustrar como é um derivativo financeiro na sua essência. O exemplo abaixo será feito com base no funcionamento de um contrato de opção, que é um dos derivativos mais negociados em Bolsas. 

Imagine que você seja um produtor de soja. Para que você tenha lucro, será preciso vender a saca por R$ 15, que é exatamente sua cotação de hoje. No entanto, sabemos que a colheita leva meses. Nesse intervalo o preço da saca pode oscilar, seja para cima ou para baixo. Então, o que você faz?

Você tem duas alternativas: correr o risco e se submeter à volatilidade ou utilizar os derivativos para garantir o preço de venda que vai gerar lucro. Um produtor sábio escolhe os derivativos, neste caso, o mercado de opções. Mas como ele consegue garantir esse preço de venda sendo que sua colheita só estará pronta daqui a 6 meses?

As opções

No mercado de opções (um derivativo) isso é possível. O produtor paga uma espécie de seguro e compra uma opção que dá a ele o direito de vender o milho por R$ 15 em uma data futura (daqui a 6 meses). Mas quem embolsa o valor pago na compra da opção? O especulador, que recebe o prêmio pago pelo produtor para assumir o risco da oscilação do milho.

Se no dia do vencimento do contrato o preço do milho estiver R$ 10, o produtor terá o direito de vender seu milho por R$ 15 ao especulador. Nesse caso, o especulador assume o prejuízo, que é a diferença entre o preço que ele vai pagar pelo milho do produtor (R$ 15) e o preço de mercado (R$ 10). E se o preço do milho for R$ 17?

O produtor vai preferir vender no mercado porque seu lucro será maior, e o especulador embolsará o prêmio que foi pago pelo produtor na compra da opção. Você pode notar que não houve perdedor nessa negociação. O especulador ganhou o prêmio e o produtor, mesmo perdendo o dinheiro gasto na opção, pôde ter um bom lucro.

Esse é o lado fascinante dos derivativos. Eles são instrumentos financeiros que transferem riscos entre duas partes, além disso, possibilita a proteção e a especulação. Além disso, eles permitem a alocação de recursos e criam liquidez para todo sistema financeiro mundial.

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