João Vitor

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Trabalha como consultor financeiro, é estudante de Engenharia Química pela Unesp e escreve sobre temas relacionados a economia, finanças e investimento.

Fintech é um termo que é relativamente muito novo no mercado e tem sido cada vez mais utilizado dentro dos veículos de informação. De repente você até já se deparou ou já utiliza uma fintech, porém só não sabe que ela se classifica como tal.

A palavra fintech vem de financial (financeiro) e technology (tecnologia), então ao pé da letra seria algo relacionado a uma tecnologia financeira, embora a explicação não é tão limitada dessa forma.

As fintechs são basicamente startups ou empresas relacionadas a parte financeira, ao qual conseguem fornecer aos seus clientes produtos de forma majoritariamente digital.

A ideia é fornecer produtos ou serviços financeiros, no qual o cliente possa utilizar o recurso de forma remota pelo seu computador ou celular, sem necessariamente precisar utilizar agências físicas para tal.

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Sendo assim, acaba fornecendo simplicidade, facilidade e rapidez aos clientes, fazendo com que diversos bancos percam muitos clientes por conta de suas mais variadas questões burocráticas e taxas em diversos serviços.

Antigamente, para se realizar um pagamento, transferência ou até mesmo resolver questões ligadas a seu cartão de crédito, ou de conta pessoal, era necessário ir a uma agência ou instituição pessoalmente para resolver esse tipo de coisa.

Hoje em dia, com as fintechs, criou-se facilidade e deu ao cliente a possibilidade de não precisar se locomover para tal, dando inclusive a ele economia de tempo e dinheiro em relação a isso, sendo assim, é uma excelente alternativa para fugir de bancos convencionais.

As fintechs fazem parte de uma inovação da 4ª revolução industrial, então embora tenha-se diversas vantagens e transformações ligadas ao seu uso, ela ainda não é totalmente acessível ao Brasil, já que 1 em cada 4 pessoas, sequer tem acesso a internet, o que ainda é um requisito essencial para o seu uso.

Entretanto, com o crescimento cada vez maior da acessibilidade ao uso da internet, assim como das tecnologias recentes de computação e smartphones, o uso das fintechs tende a ser cada vez maior dentro do país.

É importante ressaltar que não se trata apenas de mais um serviço, mas sim, da mudança na relação das pessoas com o dinheiro, assim como qualquer inovação que tivemos nos sistemas bancários ao longo do tempo, sendo umas das principais, o caixa eletrônico, que viabilizou e iniciou essa questão tecnológica dentro de instituições financeiras para que o cliente não necessitasse falar com um atendente ou gerente e tivesse uma diminuição das filas de bancos.

É evidente que de forma histórica, muitos produtos e serviços acabaram sendo substituídos por sua versão mais tecnológica, como ver filmes em plataformas ou até simplesmente não ter a necessidade de adquirir uma máquina fotográfica para tirar suas fotos.

No mercado financeiro não é diferente. Na bolsa de valores, onde os pregões eram feitos de forma presencial, se vendiam e compravam ativos na conversa, muitas vezes até no grito. A plataforma home broker veio em substituição para facilitar essas operações financeiras.

Sendo assim, as fintechs tem muito potencial de talvez substituir boa parte dos bancos convencionais que vemos hoje, ou então, os próprios bancos terão que se adaptar a cada vez estarem mais inseridos no mundo digital, como já tem acontecido na criação de aplicativos bancários e assim, continuarem sendo uma possibilidade interessante a maioria dos clientes.

Obviamente isso não acontece da noite pro dia, já que frente a uma geração que já nasceu acostumada ao das tecnologias, ainda temos outras que estão acostumadas com o método convencional de ir aos bancos e isso não é algo tão simples de mudar.

Logo, a disseminação e o aumento do uso de recursos tecnológicos ligados ao mercado financeiro ocorrerão de forma gradual, com a passagem de gerações e acessibilidade ao uso da tecnologia, tornando até mesmo alguns recursos de hoje obsoletos.

Tipos de fintechs

Agora que deu pra entender um pouco melhor o significado e o contexto ao qual as fintechs estão inseridas, é importante citarmos algumas divisões para agrupá-las de forma mais precisa. Nesse caso comparamos muito aos bancos, porém as fintechs não se resumem apenas a bancos digitais. Temos como principais tipos:

Fintechs de bitcoin: Facilitam as transações de bitcoin realizadas entre pessoas físicas, estas têm ganhado muito espaço durante a ascensão das fintechs no geral e no aumento do uso das criptomoedas.

Fintech de investimento: Nesse tipo de fintech, você vai encontrar recursos interessantes para aplicações e a partir daí, utilizar-se dos algoritmos fornecidos pelas plataformas para que você possa rentabilizar seu dinheiro de diferentes formas.

Fintech de crowdfunding: Tem como principal objetivo reunir recursos de diferentes pessoas em prol de algum projeto, investimento ou causa em comum e que seja de interesse dos clientes colocarem dinheiro em tal projeto. Muito utilizados em causas sociais ou até mesmo relacionado a cultura. Em resumo, promove um financiamento coletivo para realizar algo projetado.

Fintechs de gestão financeira: Aqui os recursos podem variar dentro de seu nicho, porém o foco é oferecer ao cliente uma administração do capital, muitas vezes pensada de forma mais específica em alguns quesitos como a segurança do seu dinheiro e dos seus dados, organização de fluxo de capital e controle financeiro e até mesmo pagamentos de contas e verificação de extratos. Geralmente fornecem bastante simplicidade e rapidez ao cliente sua administração financeira e assim, economia de tempo.

Fintechs de crédito: Essas fintechs tem como princípio, oferecer linhas de crédito pessoal para as pessoas físicas ou até mesmo jurídicas, inclusive na intenção de muitas vezes trabalhar na redução dos juros de outros empréstimos realizados pelo cliente ou renegociações de dívida. Tem em sua maioria, a prioridade de proporcionar um juros mais baixo que as demais institucionais de crédito convencionais e presenciais

Fintechs de pagamento: Tem como foco principal o pagamento de contas e boletos, ao qual a intenção é fazer isso da forma mais prática, segura e facilitada possível. Podem ainda oferecer recursos muito interessantes de pagamento, como cartões de crédito com baixo ou até ausência de taxas.

Enfim, as fintechs tem crescido não só em número, mas também nas áreas de atuação, ao qual podemos considerar outras possibilidades e tipos de fintechs. Só para se ter uma ideia da distribuição, até o meio do ano de 2019, as fintechs no Brasil se dividiam-se de forma quantitativa da seguinte forma no Brasil:

fintechs
Fonte da imagem: Mobile Time

Fintechs x Startups

Muito se confunde esses dois termos em alguns momentos, mas é importante citar algumas diferenças. As startups possuem um conceito ligado a negócios promissores, ao qual estão inseridos em recursos tecnológicos.

Elas têm um baixo custo, sendo assim, é possível oferecer serviços de forma a ajuda na desburocratização e facilidade para algumas necessidades de clientes por um preço mais acessível. As startups são projetos iniciais que buscam um crescimento gradual, sendo assim, no início podem não apresentar um lucro considerável.

As fintechs, na realidade podem ser startups no começo, com a única ressalva de que as fintechs são exclusivamente ligadas ao setor financeiro, enquanto as startups não estão limitadas apenas a isso, atendendo as mais variadas áreas de atuação, seja ele de comunicação, vestuário, alimentação e até mesmo entretenimento.

Exemplos de fintechs

Como dissemos, as fintechs podem assumir as variadas formas dentro do setor financeiro, dentre as centenas de possibilidades que temos no Brasil, temos algumas que se destacam em seu nicho de atuação.

Como bancos digitais, temos exemplos que têm sido muito citados no Brasil, como a Nubank, Inter, Neon e o Original. 

Dentro da parte de pagamentos, alguns aplicativos tem aumentado muito sua atuação, principalmente no período de pandemia e num contexto auxiliador para retirada do auxílio emergencial recebido por milhões de brasileiros. Nesse quesito temos PicPay e PagSeguro, muito conhecidos nesse meio.

Na parte de empréstimo e crédito temos a fintech Creditas e também a Bidu, que por sua vez, também oferece comparação de diferentes seguros. A Toro, entra como a possibilidade de uma fintech de investimentos e a GuiaBolso trabalha na sincronia de contas e dados bancários.

Enfim, citamos algumas fintechs destaques no Brasil, porém há diversas outras muito conhecidas e que valem a pena serem testadas. As fintechs no Brasil tem crescido muito, e assim também, aumentando a concorrência entre as mesmas. Isso resulta na obrigatoriedade cada vez maior de aprimoramentos na qualidade dos serviços prestados, além de viabilidade de preço ao cliente.

Conclusão

As fintechs tem transformado a forma como se lida com as problemáticas e afazeres centrados no mercado financeiro não só no Brasil como no mundo todo. Até maio de 2020, o número de fintechs brasileiras ultrapassou 740 unidades e esse número só aumenta, assim como a quantidade de serviços.

A concorrência de fintechs mostra que a demanda tem crescido ao passo que a oferta também, e os contextos atuais de pandemia e distanciamento social atuaram fortemente na aceleração de uma tendência do futuro de novas formas possibilidades cada vez mais revolucionárias e de acompanhamento tecnológico, andando junto com o avanço digital e fazendo com que tenhamos mudanças essenciais no mercado financeiro e da sociedade.

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