Camila Russar

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Designer, marketeira de produto e apaixonada por escrever textos sobre tecnologia e startups.

Hoje, estamos presenciando um grande crescimento de empresas de serviços financeiros e meios de pagamento. Este, anteriormente um mercado extremamente tradicional e burocrático, vem sendo adaptado e desenvolvido por novas tecnologias das fintechs. 

As fintechs são startups focadas em serviços financeiros. São empresas de crescimento rápido e por meio de tecnologia. Elas oferecem soluções em pagamentos, crédito, contas bancárias, transferências, investimentos e educação focada em finanças.

Pesquisa da PWC e ABFintechs

Pelo segundo ano consecutivo, a PWC, uma das maiores consultorias do mundo e a ABFintechs, Associação Brasileira de Fintechs, lançam o estudo Fintech Deep Dive. O levantamento analisa a fundo as empresas do segmento no mercado brasileiro. 

Em sua análise de 2019, a pesquisa apontou que 22% destas empresas estão focadas em meios de pagamento. Outras 21% estão desenvolvendo alternativas em crédito financeiro. E, uma das vertentes que vem crescendo consideravelmente, é a de bancos digitais, que hoje soma 10%. 

Fintech Deep Dive
Fonte: Pesquisa Fintech Deep Dive

A expectativa de 50% das 205 fintechs estudadas é de dobrar de tamanho no próximo ano. Em um cenário de recuperação da economia brasileira, 100% de crescimento não é para qualquer um. Mas, por que essas empresas estão tão confiantes?

Os meios de pagamentos

Por um tempo considerável, tivemos duas únicas empresas nadando de braçadas em meios de pagamentos. A Cielo e a Rede, em 2015, dominavam mais de 85% do mercado de pagamentos com cartão. 

Com poucas opções, os lojistas e empreendedores não tiveram para onde recorrer durante um bom tempo. As taxas das “maquininhas” eram determinadas por essas grandes empresas, e todos ficavam presos a pagar 6% ou mais de administração dos valores em vendas. 

Depois, tivemos o surgimento de outras empresas, como GetNet, Mercado Pago, Stone, PagSeguro, SumUp. A partir daí, a concorrência começou a gerar um cenário melhor para as PJs.

Mas, em paralelo aos meios de pagamento com cartão, foram surgindo os serviços que hoje as fintechs estão craques, o pagamento via mobile. A lista de empresas oferecendo este serviço é grande. Mercado Pago, Pic Pay, Rappi, Ifood, Facebook, Google, Apple, todos estão querendo pegar uma fatia do mercado

Como é um segmento e uma tecnologia consideravelmente nova, tem um grande mar aberto de consumidores para ser conquistado. Por isso, as fintechs estão tão confiantes. Afinal, passamos cada vez mais tempo com nossos smartphones e dependemos cada vez mais deles em nosso dia a dia. 

O app que for escolhido o preferido da maioria das pessoas pode movimentar centenas de bilhões de reais anualmente. 

Crédito

Também uma solução previamente controlada por grandes instituições financeiras, as pessoas que precisavam de crédito pessoal estavam presas a taxas exorbitantes de juros. 

Segundo pesquisa especializada em fintechs de crédito da PWC, mais de 45 milhões de brasileiros não são atendidos pelo sistema bancário. Consequentemente, essas pessoas não têm acesso a crédito. 

Além disso, em 2019, mais de 70% dos créditos concedidos estão concentrados somente em cinco bancos (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa). Este fato, forma um cenário ideal para o desenvolvimento de novas soluções em crédito, com atendimento diferenciado, taxas de juros mais ponderadas, democratizando o acesso ao serviço financeiro. 

As fintechs, visualizando essa falha enorme do mercado, vêm desenvolvendo tecnologias e interfaces para atender essas pessoas que hoje estão fora do sistema ou sofrendo pelos juros abusivos. 

Uma das queridinhas a se tornar unicórnio em 2020, ou seja, valer mais de U$1 bilhão, a Creditas é uma fintech brasileira focada em crédito. Usando veículos e imóveis como garantia, a empresa entrega taxas de juros 3x menores que as grandes instituições. 

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O que esperar das fintechs?

Ainda temos um caminho enorme a percorrer em serviços financeiros. A população desbancariazada, os incomodados com as burocracias bancárias, a falta de opção em meios de pagamentos, tudo isso gera um ambiente propício para enormes crescimentos das empresas que se propuserem a resolver estes problemas. 

Para este ano, as fintechs pretendem dominar novas tecnologias, como Inteligência Artificial, Machine Learning e Blockchain. Estas, possibilitam o desenvolvimento de soluções inovadoras, abrangendo grande parte da população com um celular ou cartão na mão. 

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