João Vitor

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Trabalha como consultor financeiro, é estudante de Engenharia Química pela Unesp e escreve sobre temas relacionados a economia, finanças e investimento.

Com o aumento do número de empresas dentro da bolsa de valores é comum começarem a surgir diversos tipos de classificações das mesmas, agrupando-as em diferentes grupos, para que o investidor tenha um panorama mais aprofundado das possibilidades que ele tem e distingui-las dentro de seu estudo de mercado.

Talvez você tenha ouvido falar de termos como “Small Caps”, “Blue Chips”, “Micro Caps” e afins, e acabou se perguntando do que se tratava esses termos. Esses e outros que vamos citar a seguir, são termos que estão dentro de uma classificação das empresas dentro da bolsa

Essa classificação está relacionada ao valor de mercado dessas empresas. Saber o quanto uma empresa vale, ou seja, conhecer o seu patrimônio, é uma informação muito importante para se determinar quais empresas comprar ou até mesmo definir estratégias do tipo de empresas os quais se está procurando no mercado de ações.

Sendo assim, vamos explicar cada um desses termos para que você não fique mais confuso assim que ouvir cada um deles. O termo “caps”, que vem acompanhando em quase todos os casos significam capitalização, ao quais se referem a esse valor de mercado que citamos.

As Micro Caps

Primeiramente, começando pelas Micro Caps. Elas nada mais são do que empresas de valor de mercado entre US$ 50 milhões e US$ 300 milhões. Abaixo disso, temos apenas uma categoria denominada Nano Caps, pouco falada, pois são empresas de valor até US$ 50 milhões, que embora pareça muito, dentro do mercado essa é uma capitalização que ainda é muito pequena e que limita sua participação dentro do mercado de ações e de obter mais oportunidades de exposição a acionistas, sendo inexistente dentro da bolsa de valores.

Mas voltando às Micro Caps, essas sim, embora ainda tenham pequeno valor de mercado comparado as que vamos citar a seguir, vem sendo cada vez mais visadas. Ainda têm pouquíssima participação na bolsa, mas têm sido observadas pelos investidores por conta de uma característica importante: A possibilidade de grandes valorizações.

Devido a alta volatilidade, ou seja, possibilidade de variações altas de preço por qualquer acontecimento dentro do mercado, esse tipo de empresa pode proporcionar uma grande oportunidade a acionistas, sendo assim, quem pensa em investir nessas empresas busca estudar e encontrar essas chances, para que assim, possa obter aumento de seu capital.

Obviamente, dentro de múltiplas opções, não é uma tarefa fácil escolher aquelas que terão uma maior valorização. Essa responsabilidade de escolha se torna cada vez mais difícil, já que a liquidez das Micro Caps é baixíssima. Obviamente com menor valor, essas empresas tem menor participação no mercado, e assim, menor volume de operações de compra e venda delas são feitas.

Esse é um fator importante para entender como funciona também os demais tipos que vamos citar dentro dessa classificação, uma vez que essa separação ocorre justamente, porque cada uma delas terão diferentes vantagens e desvantagens, variando as questões relacionadas ao que conhecemos hoje por trilema dos investimentos: Potencial de valorização, riscos e liquidez.

Nesse caso, já conhecemos uma vantagem das Micro Caps, que é a possibilidade de maior rentabilidade (dentro de uma valorização), ao passo que conhecemos uma desvantagem: A baixa liquidez do ativo dentro do mercado.

Outras desvantagens que podemos citar dentro das Micro Caps é a baixa capacidade de pagamentos de dividendos e também um altíssimo risco. Pessoas que investem nesse tipo de empresa, ressaltando, em sua maioria, busca como dissemos grandes oportunidades de multiplicar seu capital, podendo ser a curto, mas também a longo prazo.

Small Caps

Em resumo, as Small Caps são definidas por ter um valor de mercado entre US$ 300 milhões US$ 2 bilhões. Talvez você tenha se surpreendido, uma vez que “small” do inglês significa “pequeno”, dando a ideia de um pequeno valor de mercado. E de fato isso realmente é, dentro de um contexto do mercado financeiro.

As vantagens e desvantagens dentro desse tipo de empresa serão parecidos com as Micro Caps, obviamente que não de forma igual, alterando assim a intensidade de como essas vantagens ou desvantagens ocorrem.

Sendo assim, embora sua liquidez ainda seja baixa/média, ainda é maior comparada às Micro Caps. Outro ponto é o risco, que será menor que no caso anterior, porém ainda é alto.

Seu potencial de valorização é o que mais atrai os investidores, sendo assim, esse é o tipo de empresa que tem atraído muitos acionistas nos últimos tempos, já que apresenta uma dosagem um pouco mais interessante a se observar na relação potencial. Ainda assim, é um mercado que tem investidores de perfis dispostos a correr altos riscos.

Mid Cap

Com um valor de mercado que varia entre US$ 2 bilhões e US$ 10 bilhões, as Mid Caps são um grupo de empresas com um poderio de capitalização maior que as anteriores, mas ainda assim, não estão entre as maiores do mercado financeiro.

Apresentam uma liquidez maior, e assim, mais volume de negociações. Além disso, o pagamento de dividendos começa a tomar maior proporção, o risco começa a ser menor, porém a busca por valorização também começa a diminuir um pouco, embora isso não seja algo deixado de lado dentro de investidores desse tipo de ação.

Aqui já estamos começando a lidar com empresas com alta participação dentro da bolsa de valores e até por isso, sua maior estabilidade dentro do mercado diminui um pouco a volatilidade do preço de suas ações.

Procura-se nesse quesito, oportunidades de boas rentabilidades com um risco um pouco mais baixo, aliados a alguns pagamentos de dividendos. Magazine Luiza (MGLU3) e CPFL (CPFE3) são dois exemplos de Mid Caps.

Big Caps ou Blue Chips

Esses termos são duas possibilidades de denominar empresas com capitalização superior a US$ 10 bilhões. São empresas de grande porte, com grande estabilidade no mercado. Com sua consolidação, as Blues Chips são as empresas mais negociadas dentro da bolsa e que detém a maior parte do total de volume de capital investido dentro da mesma.

Geralmente são pagadoras de bons dividendos e como sua variação de preço é menor, talvez seja menos interessante na questão de valorização, porém os riscos associados a investimentos nessas ações são mais baixos, já que apresentam bom histórico financeiro e até mesmo podendo ser uma líder dentro de seu nicho ou setor.

Com essas características, nem é preciso dizer que a liquidez, associada a facilidade de negociação na bolsa de Big Caps é alta. Sempre há vendedores e compradores desse tipo de ativo, independente de momentos financeiros do país ou acontecimentos socioeconômicos.

São empresas que todo mundo já ouviu falar, e as mais conhecidas no país, como os exemplos: Petrobras (PETR4), Ambev (ABEV3), Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3), Vale (VALE3), dentre outras.

Importante acrescentar que ainda existe um tipo de empresa denominada como Mega Cap. Geralmente você não vai ouvir falar muito por aí, afinal no Brasil não temos nenhuma que se encaixe. 

O termo foi criado para denominar empresas com valor de mercado superior a US$ 200 bilhões, como por exemplo, a Amazon. 

Provavelmente aqui no Brasil seja um termo para discussões futuras, não sabendo-se ao certo quando teremos a primeira Mega Cap brasileira. Fica aí uma incerteza bastante e uma curiosidade bastante interessante para um pensamento a longo prazo.

Qual tipo de ação escolher?

Essa resposta é muito variável e vai de acordo com o perfil do investidor. Como vimos, empresas com menores capitalização tendem a ser de maior risco, ao passo que atrai uma chance maior de valorização (assim como de desvalorização). 

Já empresas com maior valor apresentam riscos menores e atraem perfis um pouco mais “conservadores” dentro da bolsa. Ironia dizer isso, já que investir na bolsa é visto como algo mais arrojado e arriscado.

Mas ainda assim, como visto, é possível ser um pouco mais conservador e correr menos riscos na bolsa, investindo por exemplo em Blue Chips e ainda receber bons dividendos, tendo a possibilidade de comprar e vender seus ativos a qualquer momento sem dificuldades.

Uma carteira ideal, independente do seu perfil, é aliada a uma boa diversificação, sendo assim, talvez haja espaço para quase todas as possibilidades, dando ressalvas de se evitar os extremos citados aqui e equilibrando todas as características, para que se tenha um agrupamento de ativos completo e bem pensado.

Quais são as formas comprar ações de cada um dos tipos?

Há diferentes formas de se expor a esses diferentes tipos ações, assim como no caso de qualquer ação da bolsa. Uma possibilidade é fazendo o Stock Picking, ou seja, escolhendo uma a uma das ações. Sendo assim, a ideia seria fazer todo um estudo mais aprofundado a respeito de cada um dos setores citados acima e assim fazer uma seleção de quais seriam as melhores possíveis.

Outra possibilidade é comprando ETFs, que nada mais são do que grupos de ações, dentro da qual também temos esses grupos que incluem esses diferentes tipos de ação listados. Só para se ter uma ideia, hoje há na bolsa de valores brasileira existem quase 20 ETFs, dentro das quais quase todas são de renda variável.

Dentro de um dos tipos, temos a representação da SMAL11, uma ETF voltada completamente a ações do tipo Small Caps, sendo assim, investir nessa ETF tem como ideal um perfil de valorização mais arrojado, buscando ações com valor de mercado mais baixos, pois ela tem como base replicar o Índice Small Cap (SMLL), que mede o desempenho das Small Caps. Os setores das empresas da SMAL11 são diversos como Banco Pan, CVC, Marisa, Hering etc.

Como foi dito é um tipo de ação com um risco maior, porém dentro de uma ETF pode ser interessante pela questão de pulverizar o risco, investimento de forma diversificada nas maiores Small Caps do Brasil. Vejamos o desempenho da SMAL11 nos últimos anos, através da variação do preço do lote ao longo dos anos, até outubro de 2020 (em R$), pelo TradingView:

small caps bluechips

Dentro das Blue Chips temos, por exemplo, temos a opção da ETF BOVA11, a mais conhecida da bolsa brasileira. Por replicar o índice Ibovespa (IBOV) tanto em composição como em retorno, apresenta as empresas mais negociadas dentro do grupo, e assim, acaba sendo formada em sua maioria por Blue Chips e alguma participação também das maiores Mid Caps.

Tem como princípio uma rentabilidade aliada a uma segurança de mercado. É muito parecido com outras ETFs que também replicam o desempenho do Ibovespa, como o BOVV11, XBOX11 e PIBB11, tendo características parecidas no tipo de empresas pertencentes ao grupo. Vejamos o desempenho do BOVA11 (amarelo) vs o SMALL11 (azul) nos últimos anos até outubro de 2020 (preço do lote em R$), também pelo TradingView:

smallcaps vs bluechips

Dentro de outras ETFs, elas vão dispor de diferentes tipos de ações, principalmente concentrada nas de maior volume de negociação (que coincidem muitas vezes com o valor de mercado).

Outra forma de se expor é justamente colocando o capital em fundos de investimentos em ações, nesse caso, podendo ser mais específico quanto ao tipo de ações que você deseja estar presente.

Dessa forma, avaliando a proposta de diferentes gestores dentro do mercado, podemos ponderar melhor e investir mais nas ações que sejam do tipo mais adequado.

Sendo assim, caso você esteja interessado em investir em Small Caps, por exemplo, você deverá ter um gestor especialista nesse tipo de ação, para que ele escolha as melhores do mercado, assim serve para Micro Caps ou para as ações de valor maiores, onde é mais comum encontrar fundos para tal, seja para Mid Caps ou Blue Chips.

Nesse caso, as taxas são um pouco mais altas que as demais opções, porém você vai contar com um especialista para realizar e escolher essas empresas por você, o que pode ser bastante benéfico se você não tem tempo para estudar o mercado o tempo todo procurando pelas melhores ações.

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