Lucas Bassotto

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Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

Antes de começar a comprar, muitas pessoas se perguntam, o Bitcoin é seguro como investimento? Afinal, volta e meia aparece uma notícia sobre pessoas tendo seus Bitcoins roubados, causando uma grande dúvida em quem está começando. 

Muitos desses roubos poderiam ser evitados ao seguir boas práticas de segurança. O sistema do Bitcoin é extremamente seguro, está rodando a mais de 10 anos sem nenhuma falha. Os hackers sabem disso e apelam para o elo mais fraco: usuários e empresas.

É preciso lembrar que usuários de internet banking também sofrem com invasões e fraudes na internet. Infelizmente, os ataques também aparecem no mercado de criptomoedas.

O sistema do Bitcoin é seguro?

O Bitcoin nunca foi hackeado, seu sistema roda há mais de 10 anos sem registro de ataques bem sucedidos. A rede do Bitcoin é extremamente robusta e o sistema é distribuído para mais de 10 mil computadores ao redor do mundo, cada um rodando uma cópia de todo o registro de transações de Bitcoin na rede.

Ou seja, o Bitcoin é descentralizado. Qualquer mudança na rede, no protocolo, isto é, em seu código e diretrizes, precisa ser feita em um consenso de maioria simples de todos os participantes de rede (mineradores de bitcoin, participantes do ecossistema e desenvolvedores).

Caso esse consenso não seja atingido, qualquer mudança será rejeitada e a rede seguirá o caminho que foi escolhido em conjunto. Portanto, nenhuma pessoa ou grupo de pessoas pode, por exemplo, provocar mudanças radicais no Bitcoin do dia para a noite. 

Por exemplo, o governo dos Estados Unidos não poderia “desligar” a rede do Bitcoin, porque existem mais de 10 mil computadores distribuídos ao redor do mundo. É por isso que é tão difícil proibir ou censurar o Bitcoin. A tecnologia está fora do alcance de intervenções de qualquer Estado.

Para que alguém consiga comprometer a rede, seria necessário controlar esses 10 mil computadores em um intervalo de 10 minutos, de forma a tentar reverter as últimas transações registradas na blockchain. Só que esse ataque é muito custoso e as chances diminuem com o passar do tempo. 

O sistema do Bitcoin foi criado para que ofereça mais vantagem para quem possui poder computacional. Essa pessoa, ao invés de atacar o Bitcoin, pode utilizar seu grande poder computacional para adquirir mais Bitcoins através da mineração.

O Bitcoin é criptografado

Além disso, o Bitcoin utiliza dois algoritmos de criptografia (SHA-256 e RIPEMD160) para proteger e dar anonimato às transações. 

As carteiras (software criado para custódia de Bitcoin – seu banco de bitcoins) também são criptografadas, assim como suas chaves privadas (“senha” que dá acesso aos Bitcoins). 

Leia também: Quais são as principais carteiras de Bitcoin?

A única maneira de roubar Bitcoins dentro de uma carteira seria quebrando essa criptografia, descobrindo a chave privada. 

No entanto, ninguém jamais conseguiu tal feito. Estima-se que um computador levaria bilhões de bilhões de anos para conseguir quebrar a criptografia do Bitcoin. 

Além disso, a criptografia que protege a rede do Bitcoin e as chaves privadas da carteira é resistente a computadores quânticos. O amigo Avelino Morganti possui um excelente texto discutindo sobre computação quântica e suas implicações sobre o Bitcoin.

Por conta disso, o Bitcoin não pode ser roubado diretamente de uma carteira. Isso só pode ocorrer em um cenário em que o hacker descobre a chave privada da sua carteira, que irá dar permissão para que ele possa gastar os fundos.

O elo fraco da corrente: exchanges e usuários

Os hackers sabem que é impossível roubar Bitcoin de uma carteira ao tentar quebrar a criptografia. 

A rede do Bitcoin é extremamente robusta e resistente a ataques. Por exemplo, o governo da Venezuela não pode tomar Bitcoins de sua população na força bruta: o ativo é anônimo e resistente à criptografia. Sendo impossível para um governo confiscar ou bloquear.

Por essa razão, o ativo pode ser utilizado como meio de guardar dinheiro em países que convivem com crise política, econômica e alta inflação. Países como Argentina, Venezuela e Zimbábue viram a adoção do criptoativo disparar nos últimos anos.

Diante disso, os hackers procuram o elo fraco da corrente: exchanges e usuários. Já que a rede não pode ser subvertida ou quebrada, é melhor explorar vulnerabilidades nas corretoras de Bitcoin ou fazer algum tipo de engenharia social para roubar a senha do usuário.

Engenharia social é um processo que um hacker pode fazer para induzir ou manipulara vítima a entregar suas senhas de forma voluntária, sem saber das más intenções do invasor. Isso pode ser feito através da aproximação entre vítima e invasor, para que o hacker consiga acesso às contas, sites falsos e dispositivos maliciosos.

Um hacker pode criar um site falso de corretora para que usuários coloquem suas informações, por exemplo. Em posse desses dados, ele poderia entrar na conta do usuário e solicitar um saque de Bitcoin da corretora. Esse tipo de ataque é muito comum e já aconteceu em algumas corretoras brasileiras.

Outro vetor de ataque é a vulnerabilidade da carteira da corretora. A Mt.Gox era a maior exchange de Bitcoins do mundo em 2013. O computador de um administrador foi comprometido e todos os Bitcoins foram roubados, deixando os clientes com um grande prejuízo.

Ou seja, esses tipos de ataque não são uma vulnerabilidade do Bitcoin. O sistema está intacto, quem mantém seus Bitcoins em uma carteira segura e segue boas práticas de segurança não será roubado (a menos que releve sua chave privada).

Portanto, o sistema do Bitcoin é seguro. Já são mais de 10 anos de história sem ataques bem sucedidos. Os hackers só conseguem roubar Bitcoins de pessoas que deixam eles em sites inseguros e pouco confiáveis.

Boas práticas de segurança para investir em bitcoin

Essas práticas de segurança devem ser seguidas por qualquer pessoa, independentemente se vai investir em Bitcoin ou não. São elas:

  • Nunca utilizar a mesma senha em mais de um serviço;
  • Evitar utilizar nomes ou data de nascimento em uma senha;
  • Evitar usar o mesmo e-mail para todos os serviços;
  • Mantenha seu computador atualizado e evite instalar programas maliciosos;
  • Não acesse sites de procedência duvidosa. Cuidado com sites de conteúdo malicioso, ofensivo ou que esteja fora a lei;
  • Jamais diga sua senha para alguém;
  • Não armazene senhas e informações pessoais no e-mail;
  • Instale autenticação de dois fatores (2FA) em todos os sites que você tem conta;
  • Se não for fazer trade, instale uma carteira e transfira seus Bitcoins para ela;
  • Não deixe seus Bitcoins parados em sites ou plataformas;
  • Anote as palavras-chave da sua carteira de Bitcoin e deixe em um local seguro;
  • Jamais releve suas palavras-chave da carteira;
  • Utilize apenas carteiras confiáveis;
  • Não invista em sites que prometam “rendimento garantido” com Bitcoins;

Ao seguir essas boas práticas, dificilmente você terá seus Bitcoins roubados, ou cairá em algum tipo de fraude na internet.

Riscos do Bitcoin como investimento

Todo investimento possui um grau de risco. Investimentos de Renda Fixa possuem um risco baixo, ações de empresas sólidas possuem risco moderado, assim como o Bitcoin possui alto risco para aqueles que pretendem comprar.

Para começar, o Bitcoin é um ativo extremamente volátil. Isso significa que os preços podem ter uma grande oscilação várias vezes ao dia. Não é muito difícil ver o preço do Bitcoin cair 10% em um dia e, logo depois, ver o preço e subir 20%. 

A grande volatilidade, claro, possibilita muitos ganhos, mas também aumenta as possibilidades de grandes perdas. Portanto, fazer operações de compra e venda no curto prazo é muito arriscado. Se for investir, opte sempre com olhar de longo prazo, fazendo aportes semanais ou mensais, com uma exposição máxima de 5% do seu patrimônio.

Leia também: O papel do Bitcoin em uma carteira de investimentos

Além disso, o Bitcoin é um ativo muito novo e representa o que está sendo uma nova classe de ativos, diferente de ações e títulos de renda fixa. O mercado ainda está tentando entender quais são seus fundamentos e quais métricas seguir para saber se o preço desse ativo está caro ou barato em relação ao seu valor intrínseco.

Outro fator de risco, é que o mercado de Bitcoin ainda é pequeno quando comparado ao mercado tradicional. Desta forma, o ativo está sujeito a manipulações de preços. Contudo, isso tenderá a diminuir com o desenvolvimento de instrumentos financeiros mais sofisticados, como derivativos e opções.

Como todo sistema na internet, o Bitcoin também está sujeito a alguma falha ou bug crítico que comprometa a segurança do ativo. Embora isso seja difícil de acontecer, é um vetor de risco possível que não deve ser descartado. 

Há também o risco de todos os participantes do mercado, ao mesmo tempo, decidirem que o Bitcoin é irrelevante e o seu valor deverá ser próximo de zero. Essa também é uma possibilidade extremamente remota, mas que jamais deve ser descartada em uma análise de risco.

Leia também: Como o Bitcoin pode falhar?

Bitcoin é seguro, desde que você saiba o que está fazendo

Por fim, o Bitcoin é um ativo seguro, desde que você siga boas práticas de segurança e faça a custódia em uma carteira segura e de boa procedência. 

O risco de investir em Bitcoin é alto para iniciantes, porque é um ativo novo e com alta volatilidade. Portanto, compre apenas o que você se sentir confortável caso tenha perdas financeiras.

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