Você já ouviu falar nos termos “estou comprado”, “estou vendido”, “vou fazer long” ou “vou fazer short”. Todos eles refletem operações que são extremamente comuns no mercado financeiro e refletem o sentimento e expectativas dos investidores para determinado ativo.

Esses termos podem parecer complicados para quem não costuma operar no mercado financeiro, mas a ideia por trás deles é extremamente simples: eles apenas refletem de que lado o investidor está e como ele irá ganhar dinheiro com sua posição.

Normalmente, as posições assumidas (Long e Short) são baseadas em análises econômicas, fundamentalistas ou gráficas de algum ativo que será negociado no mercado. Sendo assim, os investidores analisam e decidem se apostam contra ou a favor de algum ativo.

Como funcionam posições Long?

Ao fazer uma análise econômica no Brasil em determinado período, concluo que as ações do setor industrial terão uma alta. Com base nisso, compro ações de empresas do setor industrial. Nesse caso, eu estaria “comprado” nas ações dessas empresas. Naturalmente, quem tem ações ou ativos em sua carteira, já está “comprado” nelas, pois está acreditando na alta.

O gráfico abaixo demonstra a relação lucro/prejuízo. Conforme o preço do ativo vai subindo, o lucro (área amarela à direita) também aumenta. O oposto acontece se o preço começar a cair. O prejuízo (área à esquerda) aumenta.

long
Relação lucro/prejuízo com o preço do ativo na posição LONG.

Ou seja, se você compra uma ação, commodity ou moeda, esperando que ela suba de preço, você já está naturalmente em uma posição “comprada”, ou “Long”. 

Contudo, se você estiver acreditando muito na valorização dos seus ativos, você pode pagar juros e alugar ações no mercado, aumentando a quantia de ações que você possui em sua carteira, prática conhecida como alavancagem financeira. A alavancagem aumenta os ganhos potenciais, mas o risco de perda também aumenta proporcionalmente.

A posição Long é muito mais conhecida pelo mercado. Para apostar na alta de um ativo, nada mais natural do que comprá-lo e esperar seu preço subir para revendê-lo mais caro e realizar o lucro. Contudo, a posição inversa do Long não é muito conhecida. Essa posição é conhecida como Short.

O que é uma posição Short? Como ela funciona?

A posição Short é costumeiramente alvo de críticas por políticos e alguns gestores no mercado financeiro. Tais críticas acontecem porque a posição Short permite que uma pessoa venda ativos (ações, commodities, moeda) sem tê-los sob sua posse. Caso o preço do ativo caia, o investidor que está apostando na queda de preço terá lucro.

É possível operar “Shorts” em diferentes mercados. Os mais comuns são ações (aluguel de ações), commodities (ouro, soja, milho, boi gordo) e índices de dólar e Ibovespa. Embora cada um tenha suas particularidades, o racional é o mesmo: apostar contra para ganhar dinheiro.

Um investidor pode tomar ações por empréstimo para vendê-las e apostar na queda de preço, por exemplo. Se o preço da ação subir, o investidor começa a perder dinheiro.

Caso o preço comece a cair, o investidor terá lucro em sua operação, podendo recomprá-las a um preço menor, devolvendo as ações alugadas e ficando com o lucro da operação.

O gráfico abaixo demonstra perfeitamente a dinâmica da operação. As áreas pintadas em amarelo representam seu lucro ou prejuízo. Suponha que você vendeu um ativo por R$ 10. Você começará a ter lucro com a queda, então sua área de lucro ficará à esquerda. Se o preço subir, você terá prejuízo, conforme você pode ver na área à direita do gráfico.

long e short
Relação lucro/prejuízo com o preço do ativo na posição SHORT.

Também é possível fazer a mesma operação no mercado de derivativos, utilizando contratos futuros. Nesse caso, você pode depositar R$ em alguma corretora que suporte esse tipo de operação e abrir posições Long ou Short com base em suas análises. Contratos de dólar, Ibovespa e Bitcoin são muito utilizados para operações desse tipo.

Por exemplo, você pode apostar que o dólar irá se desvalorizar frente ao Real. Para fazer essa operação, não é preciso comprar dólares para depois vendê-los. Para apostar contra a moeda americana, bastaria depositar R$ na corretora, procurar pelo contrato e vender dólares utilizando R$.

Todos os prejuízos e lucros serão contabilizados na moeda corrente brasileira. Se você tiver lucro, o dinheiro do seu lucro saiu do bolso de quem estava comprado. Caso tenha prejuízo, seu dinheiro vai para quem estava na outra ponta da operação, naturalmente comprado.

O racional do “Short” é que você pode depositar R$ como garantia na corretora e vender o ativo sem o ter em mãos. Além de Short, essa operação também é conhecida como “venda a descoberto”. Se o investidor está nessa posição, poderíamos dizer que ele está “vendido”.

Muitas possibilidades

Os mecanismos de Long e Short permitem que o investidor possa aumentar suas possibilidades de estratégias e ganhos em outras frentes do mercado. Se uma pessoa estiver convicta de que o mercado está sobrevalorizando um ativo, ela pode vendê-lo a descoberto e ganhar dinheiro caso sua convicção se concretize.

As posições também demonstram o viés do investidor. Muitos fundos de hedge operam com vieses definidos. Alguns se classificam como Long Bias, que são aqueles que buscam ser acumuladores de ativos, apostando na alta. Outros operam como Short, sempre acreditando que o mercado está avaliando errado alguns ativos.

Outros fundos também unem as duas estratégias e operam simultaneamente Long e Short em diferentes ativos, comprando e vendendo ações de outras empresas a descoberto. 

Também não faltam histórias de investidores que ficaram milionários ou foram à falência assumindo posições de Long ou Short. Uma das histórias mais famosas é contada no filme “The Big Short”, que mostra a história de traders que apostaram em 2008 que os bancos entrariam em colapso.

A previsão se tornou real quando as ações dos maiores bancos do mundo começaram a derreter na grande crise de 2008, deixando os traders milionários. 

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