Lucas Bassotto

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Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

Investir no Brasil se tornou uma tarefa mais complexa. Antigamente, era só pegar o dinheiro sobrando e colocar na poupança ou em algum fundo de Renda Fixa para receber juros de 10%, 15% ao ano. Contudo, isso acabou, porque as taxas de juros que remuneram essas aplicações estão em seu nível mais baixo da história.

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Com o novo cenário, as pessoas estão procurando outros investimentos para ganhar mais dinheiro, como por exemplo o mercado de ações, criptomoedas, dólar e fundos imobiliários. O problema é que esses mercados não são tão fáceis para quem está começando, e aí é possível ver os fundos de investimento se potencializando.

Vamos encarar a realidade: nem todo mundo tem tempo para aprender a investir e tampouco para gerenciar esse dinheiro, atualizar carteira, comprar e vender alguma coisa. Embora seja indicado que a pessoa cuide ela mesma de seu dinheiro, é pouco razoável pensar que todos tenham condições para fazer isso hoje.

E é nesse espaço que os fundos de investimento crescem. Gestores profissionais usam sua expertise para elaborar uma estratégia, fazer captação de dinheiro e administrar o dinheiro de seus clientes, distribuindo os lucros mediante o pagamento de taxa de administração e de performance. Afinal, ele também precisa se pagar, certo?

Como funciona um fundo de investimento?

Em primeiro lugar, não é qualquer um que pode criar um fundo licenciado e regulado pela CVM (autarquia que regula o mercado de investimentos no Brasil). É preciso cumprir uma série de exigências, e o profissional precisa ser habilitado para mexer com o dinheiro de outras pessoas.

Depois que ele obtém a aprovação, o gestor cria uma tese de investimento e executa sua estratégia. Geralmente, os fundadores do fundo colocam o dinheiro do seu bolso. Afinal, você investiria em um fundo onde nem mesmo o gestor investe? Com o fundo rodando, eles começam a distribuição em corretoras (XP, Rico, Modal Mais) e captação.

Quando você escolhe um fundo para investir, analisará a estratégia dele e fará o aporte via corretoras e será cotista do fundo, recebendo lucros ou amargando prejuízos proporcionais ao que você investiu. O funcionamento de um fundo é bem simples e intuitivo.

Quais são as principais estratégias dos fundos de investimento?

Os fundos de investimentos não operam com base no achismo. Existem diferentes tipos de fundos e estratégias que estes fundos adotam. Antes de escolher um fundo, é essencial saber o seu perfil de investidor, porque assim você evita uma escolha que poderá te frustrar no futuro.

Evidentemente, os fundos de investimentos operam em mercados regulados, ou seja, só aqueles em que eles têm permissão para, de fato, operar. Os principais são: renda fixa, renda variável, commodities, imobiliário, criptomoedas e cambial. Cada mercado tem seu grau de risco, assim como cada fundo escolhe a exposição e o risco que terá.

Os fundos brasileiros abertos para investidores de varejo geralmente operam nas estratégias Long Bias e Long/Short, que consistem em investir em ativos que possuem alto valor e esperar que eles valorizem no longo prazo, ou comprar/vender ativos que estão fora de seu valor justo.

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Os fundos também são classificados em gestão ativa e passiva. Na gestão ativa, os gestores têm a liberdade de escolher os ativos que vão fazer parte da carteira do fundo. Nesse tipo de gestão, a meta é obter rentabilidade superior ao registrado pelo índice de referência, o chamado benchmark.

A gestão passiva de um fundo não tem a mesma pressão de um fundo de gestão ativa, uma vez que a meta aqui é simplesmente buscar a mesma rentabilidade do índice usado como referência (Ibovespa ou CDI).

Quais são os principais tipos de fundos de investimentos?

Existem vários tipos de fundos, sendo os principais deles: Fundo de Fundos, Renda Fixa, Hedge, Multimercado, Ações, Cambial, Imobiliário e Criptomoedas. Eles operam nas estratégias destacadas acima: Long Bias e Long/Short. Alguns fundos mais sofisticados também utilizam trades de alta frequência ou operam com base em eventos.

Os fundos de Renda Fixa operam majoritariamente no mercado de Renda Fixa. O gestor compõe uma carteira com diferentes aplicações e tem o objetivo de superar o índice CDI, que é o índice-base de juros no Brasil. Com isso, eles operam CDBs, LCI/LCAs, Debêntures e Tesouro Direto, criando uma cesta de ativos bem diversificada.

Fundos de ações criam uma carteira de ações das empresas que mais representam oportunidade. O objetivo aqui é superar o índice Ibovespa, que é o benchmark do mercado e que representa a média das ações da empresa. Fundos de ações precisam investir no mínimo 67% do patrimônio neste mercado.

Também é possível que um fundo queira explorar oportunidades em outros mercados. O fundo Multimercado tem essa característica, ele investe em ações, renda fixa, câmbio e commodities. 

Para quem quer investir em imóveis, os fundos imobiliários representam uma opção viável. É possível se juntar a um pool formado por milhares de pessoas e adquirir cotas, aluguéisalugueis e rendimentos dos imóveis do fundo. Os FIIs foram os queridinhos de muitos brasileiros, pelo menos até antes da Covid-19.

O fundo cambial opera basicamente o mercado de câmbio. Ele é indicado para quem quer exposição em moeda estrangeira para se proteger de uma valorização do Real. Eles investem 80% de sua carteira em moedas e outros 20% devem ser mantidos em títulos de renda fixa.

É possível montar uma carteira de fundos? Sim! E é exatamente isso o que um Fundo de Fundo faz. Um profissional seleciona os melhores fundos e monta uma carteira inteiramente baseada em outros fundos de investimentos, porém, bem diversificada. Esse tipo de fundo é indicado para quem busca diversificação máxima.

Já os Fundos Hedges têm maior liberdade para escolher sua estratégia. Eles operam em diversos mercados e de acordo com o que o gestor acredita ser o melhor. São usados geralmente por investidores qualificados. Veja nosso post onde tratamos com mais detalhes sobre eles.

Até pouco tempo não era possível investir em criptomoedas de forma regulada. Hoje isso é possível com os fundos. A diferença é que esses fundos não investem diretamente no ativo, eles investem em um fundo internacional que por sua vez investe diretamente no ativo. Faz todo sentido para quem quer se expor em criptomoedas de forma segura.

Como escolher um fundo de investimentos?

Em primeiro lugar, faça um teste de perfil de investidor. A partir daí, você deve filtrar os fundos que devem corresponder com seu apetite ao risco. Já pensou investir em um fundo de altíssimo risco que pode operar por meses no prejuízo até dar lucro? Nem todo mundo tem disposição para perder dinheiro.

Com isso, você terá uma opção mais restrita de fundos. Se você for um investidor conservador, fundos imobiliários e de renda fixa podem ser opções válidas. No entanto, alguns fundos de mercado de renda variável também são válidos, desde que eles se encaixem dentro do seu perfil de risco.

Depois disso, você deve estar imaginando que é só olhar o quanto o fundo rendeu no passado, correto? Na verdade, esse é um dos maiores erros de pessoas que estão começando. 

A principal regra é: retornos passados não são garantias de retornos futuros. Aliás, se um fundo está operando com retornos excepcionais por muito tempo, a tendência é que ele retorne à média e que esse rendimento caia, a não ser que o gestor do fundo seja o Jim Simons, que tira 40% de rendimento ao ano;

Outro problema: olhar só para os retornos também é uma análise incompleta. Responda essa pergunta: qual fundo é melhor? O que rende 7% a.a mas tem volatilidade de 1%, ou um que rende 25% a.a mas tem volatilidade de 17% a.a? A resposta é, o primeiro fundo que rende menos. 

Mas por que? Antes de analisar o fundo, é preciso ver também o quanto ele pode perder. Divida a rentabilidade anual pela volatilidade anual e você chegará no Índice de Sharpe. Se esse índice for maior que 1,0, este fundo será uma boa opção. Caso contrário, considere escolher outro.

Qual é o custo de investir em fundos de investimento?

Bom, dois deles já falei aqui: você vai ter que taxa de performance quando o fundo tiver lucro e taxa de administração. Ninguém vai administrar seu dinheiro por benevolência, então nada mais justo que a equipe seja remunerada, correto? 

Geralmente os fundos cobram o famoso “2 com 20”, onde cobram 2% a.a de taxa de administração e 20% de performance. No entanto, essa taxa pode variar de fundo para fundo, então é bom se atentar às taxas cobradas na hora da contratação.

Os fundos, como quase tudo o que consumimos também estão passíveis da cobrança de impostos: IOF, Come cotas e o próprio Imposto de Renda. As alíquotas dependem do tipo de fundo e tempo de aplicação. 

IR nos fundos de longo prazo

Segue abaixo a tabela do Imposto de Renda para os fundos de investimento a longo prazo. São aqueles fundos que possuem um prazo de resgate acima de 1 ano.

Tempo de permanênciaAlíquota do Imposto
Até 180 dias22,5%
De 181 até 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

IR nos fundos de curto prazo

Os fundos de curto prazo são aqueles que possuem um prazo de vencimento abaixo de 1 ano. A tabela de Imposto de Renda deles é diferente, segue abaixo:

Tempo de permanênciaAlíquota do Imposto
Até 180 dias22,5%
Acima de 180 dias20%

IR nos fundos de ações

Os fundos de ações possuem uma tributação mais favorável para quem está investindo. Para que o fundo se enquadre nessa categoria, é preciso que ele tenha 67% do seu patrimônio investido em ações negociadas nas bolsas de valores. A alíquota será de 15% independentemente do tempo de aplicação.

Tempo de permanênciaAlíquota do Imposto
Qualquer prazo15%

Come-cotas nos fundos de investimento

Esse nome é um apelido para mostrar como é feito o recolhimento da alíquota semestral nos fundos de investimento. Ele é recolhido no último dia útil dos meses de maio e novembro de cada ano.

Ele ganha esse nome porque o governo faz um resgate parcial do seu investimento vendendo uma porcentagem das suas cotas para recolher seu imposto. Apenas no fundo de ações não tem o come-cotas.

IOF nos fundos de investimento

Esse imposto é conhecido como: Imposto sobre Operações Financeiras. Ele incide sobre operações de crédito, câmbio e seguro ou qualquer operação relacionada a títulos e valores mobiliários. Você só paga o IOF se deixar o dinheiro em um fundo por menos de um mês (30 dias)

É vantajoso investir em um fundo?

Se você não tem tempo e nem conhecimento para ficar analisando mercado e rebalanceando carteira, sim, é extremamente vantajoso mesmo com os custos. Os fundos, se bem escolhidos, podem tornar mais curto o caminho para uma boa construção de patrimônio.

O importante é você não ser o que os gestores chamam de “Zé-cotinha”, que é o investidor de curto prazo que fica olhando o rendimento de sua cota todos os dias. Visão de longo prazo, saber o que o fundo está fazendo e paciência são essenciais se você quer investir em um fundo.

Outra coisa importante: fundo de investimento não é poupança. São investimentos em que os saques demoram dias ou até semanas para serem efetuados. A liquidez deste investimento não é a melhor. Por isso, use os fundos para investimentos de longo prazo e não coloque dinheiro que vai, ou pode, precisar amanhã.

Os fundos são opções extremamente válidas para quem quer investir com mais consistência e buscar uma melhor diversificação de carteira, desde que saiba escolher bem o seu fundo.

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