Staking: Saiba gerar renda passiva com as suas criptomoedas

Staking: Saiba gerar renda passiva com as suas criptomoedas

Recentemente o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) subiu a taxa básica de juros da economia (Selic) em 0,75 ponto, acumulando 4,25% ao ano. O fato é que, para grande parte dos brasileiros que colocam todas as suas reservas financeiras na poupança, a mudança na taxa Selic, representa um rendimento de 2,98% no principal produto bancário brasileiro.

Para elucidar melhor essa questão, isso significa que para cada R$ 10.000 em sua conta poupança, o rendimento acumulado que será distribuído pelo banco ao final de 12 meses será de R$ 298,00. Isso sem descontarmos a inflação, que atualmente, segundo o último relatório Focus, encontra-se em 5,82%.

No entanto, apesar de ser uma péssima opção de alocação do dinheiro, de acordo com um estudo recente feito pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) foi identificado que 88% dos brasileiros guardam seu dinheiro na poupança.

Além disso, dos 88% brasileiros, 27% das pessoas deixam seu dinheiro na poupança por conta da facilidade e comodidade. Desse modo, o artigo de hoje tem o objetivo de alterar essa estatística, no intuito de mostrar e convencer essa gama de pessoas de que existem outras formas de fazer com que o seu dinheiro possa render, mantendo a facilidade e comodidade.

Mas antes que eu possa te explicar que tipo de investimento seria esse, preciso primeiramente de colocar a par de algumas estruturas e processos  que acontecem. Então vamos lá.

Início das finanças descentralizadas

Antes dos anos 2000, para que você transferisse seu dinheiro para outra conta, era necessário ir ao banco de modo a realizar a transação, atualmente, basta tirar o smartphone do bolso. Mas não foram apenas as transações bancárias que mudaram de lá para cá.

Com a chegada das criptomoedas, inicialmente pelo Bitcoin, a economia global começou a mudar. No ano de 2009, o Bitcoin foi introduzido como uma alternativa à moeda física, sem que houvesse a necessidade de uma autoridade central para conduzi-la.  Todavia, somente em novembro de 2010, o valor total do Bitcoin negociado no mercado ultrapassou 1 milhão de dólares, o que dava indícios de que o projeto havia começado a crescer.

Desse modo, ao longo dos anos, o Bitcoin, conforme o seu crescimento no mercado, foi sendo integrado, em corretoras que realizavam as compras e vendas da criptomoeda e empresas, que passaram a permitiram que os seus clientes usassem o Bitcoin como método de pagamento por seus produtos.

Como resultado, cada vez mais pessoas estão se envolvendo, não é por acaso que no ano de 2020, conforme a casa de análises do criptomercado Chainalysis, os brasileiros lucraram R$ 1,5 bilhão com Bitcoin.  Uma vez entendido o crescimento das negociações em Bitcoin ao redor do mundo, vamos o pilar central desse artigo, a forma que a criptomoeda é minerada.

Protocolo de consenso do Bitcoin

Quando Satoshi Nakamoto criou o Bitcoin, ele desenvolveu um sistema chamado Proof of Work, que em tradução significa Prova de trabalho.

Por meio do consenso de Prova de trabalho (PoW), o mecanismo permite que o Bitcoin possua um livro-razão compartilhado, contendo todo o histórico de transações, garantindo que a cadeia seja incrivelmente difícil de hackear ou sobrescrever.

Este processo envolve uma série de computadores com alto poder de processamento, de modo a realizar diversos problemas matemáticos complexos. Em outras palavras, através da Prova de trabalho, os usuários competem entre si para decidir quem resolverá o problema correto primeiro. A solução para o problema também é conhecida como “hash”, alterando a entrada de dados para uma saída criptografada com valor único.

staking

Como resultado, qualquer pequena mudança na entrada causará uma grande mudança na saída. Portanto, a segurança da tecnologia se torna impecável. Qualquer modificação no registro do blockchain modificará todos os valores de hash.

Mineração do Bitcoin

Creio que para aqueles que não estão familiarizados com o universo com criptomoedas, quando lêem a frase “mineração do Bitcoin”, suas mentes já devem imaginar um processo onde se utilizam picaretas. Apesar disso, a analogia possui certa semelhança com a atividade que acontece realmente.

Devido a grande quantidade de energia necessária para se poder realizar a mineração do Bitcoin, há espaços físicos inteiros que são dedicados à mineração, que causam uma pressão crescente sobre seu efeito ambiental por meio do consumo obsceno de energia.

Desse modo, através de um processamento computacional altíssimo, ocorre o processo de mineração,  onde novos bitcoins são gerados e colocados em circulação. Acontece que, esse processo consome uma grande quantidade de energia,  razão pela qual a mineração de Bitcoin simplesmente não é lucrativa em casa.

Por essa razão, uma nova alternativa surgiu em resposta à crescente demanda de energia resultante de protocolos de Prova de Trabalho (PoW), como o utilizado pelo Bitcoin para validar as suas transações, a prova de aposta (PoS).

Por dentro do PoS

Em blockchains de prova de aposta, novos blocos podem ser adicionados ao livro-razão pelos participantes que apostam suas criptomoedas na rede. Esses participantes, no geral, são chamados de validadores dos blocos.  Em outras palavras, enquanto no PoW os mineradores competem para adicionar um bloco, no PoS os validadores são selecionados do pool de validadores aleatoriamente ou com base em um algoritmo predeterminado.

No entanto, essa aleatoriedade geralmente segue um padrão, onde um validador que tem maior participação, possui mais oportunidades de ser selecionado, caso a sua aposta na rede for maior.  Desse modo, um validador selecionado propõe um bloco e, se outros validadores concordarem, o bloco é adicionado à rede. O validador recebe uma recompensa na forma da moeda nativa do blockchain.

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Funcionamento PoS

Importante ressaltar que neste protocolo inovador, conhecido como Proof-of-Stake (PoS), o consumo de energia é muito menor, pois elimina, ou pelo menos reduz, a necessidade de usar muitos equipamentos de mineração para manter o blockchain seguro. Dentro do PoS, a validação das transações por meio das criptomoedas “travadas” dentro de uma carteira, onde os validadores são recompensados ​​com novas moedas da rede, é conhecido como staking.

Entendendo o staking

Para que um blockchain tenha um desempenho eficiente, os validadores devem fornecer serviços estáveis ​​e seguros. Em retribuição à proteção da rede, o validador recebe uma recompensa,  pois é como se tivesse investido em uma rede específica.

Em outras palavras, uma vez concluída a compra da criptomoeda, o usuário pode bloquear seus recursos, seguindo o procedimento indicado pelos desenvolvedores de cada rede em particular. Na maioria dos casos, uma transação pode ser realizada em alguns minutos, seguindo as instruções de sua carteira.

Portanto, os nós que possuem mais tokens, geralmente obtêm uma remuneração mais alta, razão pela qual os pools de staking se tornaram tão populares hoje em dia. Por essa razão, quando digo que o recebimento de rendimento pode ter facilidade e comodidade, me refiro ao staking.

Imagine que ao invés de deixar o seu dinheiro no banco, você tenha convertido para 10.000 Bitcoin, que lhe oferecem juros de 5% ao ano. Ao final desse mesmo ano, o Staking vai te pagar 500 BTC. O processo é similar ao da poupança, no entanto, o ganho é muito maior.

Benefícios e riscos do staking

Muitos blockchains, incluindo Ethereum (ETH), agora adotaram protocolos PoS para alimentar suas redes para responder às crescentes preocupações ambientais sobre o aumento da adoção de criptomoedas. As taxas de juros oferecidas pelo staking podem ir de 6% ao ano oferecido por redes de renome como ethereum (ETH) e Cardano (ADA) a até 100% oferecido por redes menores, por exemplo, PancakeSwap (BOLO) e Kava (KAVA).

No entanto, esses retornos elevados não são isentos de riscos, pois há vários fatores que afetam o desempenho e a segurança dos tokens que você está bloqueando. O primeiro risco a mencionar é a possibilidade de um incidente de segurança de rede, que pode resultar na perda de seus tokens mantidos.

Além disso, durante este período, existe o risco de o preço dos ativos cair. Visto que as apostas funcionam bloqueando sua moeda, se o mercado andar para o lado, você não poderá liquidar seus ativos, então corre o risco de perder parte de seu dinheiro e não será capaz de compensar essas perdas vendendo suas moedas.

Por fim, existem riscos associados à manutenção do tempo de atividade dos nós de validação cujos tokens estão bloqueados. Na maioria dos casos, se a capacidade do verificador de processar transações for afetada, a rede irá punir o verificador, o que significa que qualquer interrupção no tempo de operação normal reduzirá sua receita.

Conclusão

Para os investidores que buscam obter renda, os depósitos em criptomoedas se tornaram um recurso atraente, semelhante à forma como a poupança ou ações com altos dividendos.

Hoje em dia, as atraentes recompensas fornecidas por alguns tokens chamaram a atenção de bilhões de dólares de fundos para participar desta atividade. Além disso, o protocolo PoS aliviou alguns dos problemas ambientais causados ​​pela natureza intensiva de energia do protocolo PoW tradicional.

No entanto, como qualquer outra forma de investimento, o staking também apresenta riscos, inclusive os tokens mantidos em sua carteira de investimentos podem sofrer violações de segurança de rede ou o preço do token cai drasticamente durante o período, resultando na perda de seu capital.

Em suma, os investidores que desejam analisar a relação risco / recompensa do staking, devem verificar as condições de mercado, a confiabilidade da rede e os retornos fornecidos pelo blockchain, de modo a garantir que a estratégia ajudará no aumento do crescimento dos ativos na criptomoeda selecionada.

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