Será que o IPO da Nubank vale a pena?

Será que o IPO da Nubank vale a pena?

Com uma crescente cada vez maior dos bancos digitais, o nome do momento é a Nubank. De forma avassaladora, em menos de dez anos essa instituição financeira está se aproximando de um dos maiores bancos da América Latina em clientes: o Itaú, que possui cerca de 55 milhões de clientes.

A Nubank, assim como os novos bancos digitais, consegue captar maior número de clientes devido a disponibilização de uma conta bancária sem burocracia, cartão de crédito sem tarifa, benefícios de cashback, além de empréstimos e opções para investimentos.

Devido ao seu grande sucesso, a companhia decidiu realizar um IPO na maior Bolsa de Valores do Mundo, a New York Stock Exchange (NYSE). As empresas do setor de tecnologia têm escolhido essa Bolsa, porque nos Estados Unidos esse setor é mais valorizado que em outros países.

Mas antes de entrarmos de fato no assunto principal do texto, que é: “vale a pena entrar no IPO da Nubank?”, devemos entender primeiro o que é um IPO e como ele funciona.

Veja também: Grandes bancos correm o risco de acabar?

O que é e como funciona um IPO?

IPO é o termo usual para Initial Public Offering, que em tradução consiste em Oferta Pública Inicial. O IPO é a porta de entrada para uma empresa no mercado financeiro.

Em outras palavras, o IPO representa o momento em que uma organização se torna de capital aberto, com papéis negociados e vendidos na Bolsa de Valores.

As empresas, em sua maioria, começam a realizar IPO quando suas questões políticas internas e suas questões financeiras estão bem formadas, ou seja, a empresa já está consolidada no seu setor.

Usualmente, o processo para uma empresa realizar um IPO é lento e exige um planejamento intenso, rigoroso e estratégico até a contratação de consultores financeiros.

As auditorias são imprescindíveis e bastante criteriosas, avaliando a realidade da organização.

O IPO da Nubank

Como forma de popularizar o seu IPO, a Nubank decidiu “convidar” vários de seus clientes para tornarem-se sócios da empresa sem custo nenhum e você deve estar se perguntando como, iremos explicar.

A Nubank abriu, no dia 9 de novembro de 2021, as inscrições para seus clientes adquirirem seus BDRs (Brazilian Depositary Receipts Patrocinados) de forma gratuita. Ou seja, a instituição doou parcelas das ações ofertadas no IPO para seus clientes e isso gerou um custo aproximado de R $210 milhões de reais.

Os clientes que queiram receber sua parte da fintech deverão abrir uma conta na corretora NuInvest, própria da Nubank, antiga Easynvest, a qual o banco comprou.

Além dos clientes terem que abrir conta em um novo serviço da empresa, alguns outros pré-requisitos devem ser obedecidos para que recebam o BDR. Os outros requisitos são: não estar inadimplente com a instituição, possuir a NuConta livre para transações e ter realizado operações usando algum produto da Nubank nos últimos 30 dias.

Nubank: BDR e a obrigatoriedade do tempo

A empresa garantiu a obrigatoriedade de quem optou pelo recebimento do seu BDR, em continuar com ele por um período de 12 meses. Em outras palavras, quem adquiriu o BDR não poderá negociá-lo durante o período estipulado pela empresa.

Na B3, a Nubank estipula que cada BDR irá equivaler a um sexto do valor da ação da empresa negociada na Bolsa de Nova York, mas o valor exato só iremos descobrir após o IPO. Estimativas para o valor da ação giram em torno dos US $8 e US $9 dólares.

Após o período de 12 meses, o investidor pode escolher se vai manter o BDR ou irá negociá-lo.

Nem tudo parece ser tão fácil e belo quanto parece. O principal fator aqui é que quem adquirir o “pedacinho da empresa” deverá realizar a declaração do imposto de renda. 

Por fim, o tempo perdido devido a questão burocrática pode tornar-se um fator muito desestimulante para quem deseja adquirir o BDR.

Veja também: O que é melhor: BDRs ou investir no exterior?

Valuation da Nubank

Apesar de sua grande fama e sucesso, foi apenas no primeiro semestre deste ano que a Nubank conseguiu entregar um balanço positivo, isso desde sua criação em 2013.

Um dos fatores para a sequência de prejuízos pode ter ligação, muita das vezes, ao fato de que a empresa oferece crédito aos seus clientes com muita facilidade e isso acaba aumentando o número de inadimplência.

No primeiro semestre deste ano, 2021, a empresa teve um lucro na casa dos R$ 76 milhões de reais, um resultado muito melhor que o seu prejuízo em 2019, que gerou em torno dos R$ 230 milhões de reais.

Com um valor de mercado bastante arrojado (cotação x quantidade de ações) de US$ 50 bilhões de dólares na faixa média do IPO (US$ 10 dólares) e um P/L (Lucro/Prejuízo) histórico da bolsa de 15x, isso significa que a companhia terá que entregar um lucro de US$ 3,3 bilhões de dólares, isso gira em torno de R$ 19 bilhões de reais, para negociar em um múltiplo em linha com a média histórica da nossa bolsa.

Para atingir esse lucro extraordinário, a Nubank terá que fazer algo inédito: multiplicar por 260x o seu lucro reportado no primeiro semestre de 2021, considerando o dólar na casa dos R$ 6 reais.

Veja também: Quem são os grandes inimigos dos bancos tradicionais?

Conclusão 

O forte crescimento de clientes e a estratégia de não lucrar para crescer mais rápido, dá a Nubank a capacidade de gerar grandes lucros no longo prazo, mas outros problemas aparecem no curto prazo que prejudicam a dignidade do valor “salgado” estipulado neste IPO.

O principal problema está vinculado ao número de bancos digitais, que aliás não param de crescer para competir com a Nubank. A cada lançamento de um banco digital, fica mais fácil para os clientes adquirirem produtos e ganharem vantagens.

Outro problema são os bancos “tradicionais” que conhecemos que por já estarem consolidados em sua área, oferecem, hoje, um suporte ao cliente muito melhor que os bancos digitais.

Por fim, acredito que com a obtenção do BDR disponibilizado pela Nubank, muitas pessoas que nunca investiram na Bolsa, possam pegar o gosto pela coisa e comecem a estudar a área. Isso independe de como o BDR irá reagir, se terá lucro ou prejuízo.    

Veja também: Afinal, de onde vem os lucros dos bancos?

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