João Vitor

Escrito por

Author

Trabalha como consultor financeiro, é estudante de Engenharia Química pela Unesp e escreve sobre temas relacionados a economia, finanças e investimento.

O avanço da tecnologia permitiu um grande avanço na segurança e na praticidade das operações de ações e outros ativos. Porém, o investidor também acompanhou esse avanço, de forma que as análises realizadas tornaram-se cada vez mais exigentes e complexas, exigindo um maior número de recursos e possibilidades.

Novos recursos são essenciais para acompanhar essas exigências citadas, de forma que estes trariam cada vez mais informações a respeito do que e quando comprar ou vender ações e outros ativos.

Um desses recursos por exemplo, foi o surgimento de contratos e minicontratos futuros, aos quais permitem que o investidor compre um ativo a um prazo a frente pelo preço acordado, independente do quanto esse preço vai alterar naquele período.

Esse é um recurso de compra diferenciado em relação ao convencional que acompanha as cotações em tempo real ao qual se está comprando e vendendo, independente de qual a modalidade de análise dos preços você esteja lidando: curto, médio ou longo prazo.

Nas vendas temos um recurso bastante interessante introduzido ao mundo dos investimentos, mas que ainda é pouco explorada pelos investidores, que é o vender a descoberto ou o que pode ser chamado também de short.

O termo refere-se a uma operação ao qual você pode vender uma ação sem a necessidade de tê-la comprado antes, ou seja, você estaria vendendo algo que na verdade você não possui em sua carteira.

Como é feita a venda a descoberto e como se pode ganhar com isso?

Nesse sentido, o acionista  busca vender primeiro a ação a um determinado preço, e esperar que o preço do ativo caia, para que assim o mesmo possa ganhar dinheiro com a compra, nessa diferença de cotação. O objetivo seria o mesmo de quando se busca comprar mais barato e vender caro nas operações mais comuns, porém de forma inversa.

Se essas operações de venda e compra forem feitas no mesmo dia, então não precisa ser feito nada de diferente do que seguir essa ordem de operações, sem necessidade de pagar taxa alguma por isso

Entretanto, se a venda for feita em um dia e a compra é pretendida em alguma outro dia diferente, então é necessário que quem vendeu (fez a venda a descoberto), precise alugar temporariamente este ativo de quem o possui, pagando uma taxa ou o que podemos chamar de aluguel de ações.

Essa taxa, por sua vez, estará colocada previamente em valores anuais, mas quem está alugando vai pagar o valor de aluguel proporcional a fração do ano que este ativo foi alugado. Sendo assim, se você encontrar uma taxa de aluguel do ativo a 1,2% ao ano e ficou 2 meses alugando o mesmo, ou seja, 1/6 de 1 ano, logo você na verdade vai pagar uma taxa de 1,2% dividido por 6, que é igual a 0,2%.

Quais são os ricos de se vender a descoberto ou fazer um short?

Um fator muito importante que favorece o mercado de ações quando compara-se ele com qualquer outro tipo de investimento, como nos de renda fixa, é em termos de rentabilidade, no que diz respeito a alta assimetria entre o ganho e a perda.

Essa assimetria funciona da seguinte forma: Se você comprar um ativo, quanto é o máximo que você perder, no pior cenário possível de baixa de seu preço? Exatamente, 100% do valor pago, sendo assim, o ativo chegaria a o valor 0 e você perderia tudo aquilo que você colocou de dinheiro nele.

Leia também:

Long vs Short: Ganhe dinheiro apostando contra ou a favor do mercado

O que é alavancagem? Entenda os riscos, vantagens e desvantagens

Mas pensando agora nos ganhos, qual é o máximo que se pode ganhar comprando uma ação ou qualquer outro ativo de renda variável? Não há limites. Sendo assim, num cenário de ganho muito favorável de uma enorme valorização, os ganhos poderiam ultrapassar o máximo das perdas, que é 100%, podendo chegar a 200%, 500%, 1000%, e isso já aconteceu com diversas ações ao longo da história.

Entretanto, essa assimetria se dá de uma forma um pouco diferente na compra a descoberto, já que, invertendo a ordem das operações, também estamos invertendo a lógica do eixo de simetria, ao qual acabamos de explicar.

Sendo assim, quando estamos vendendo a descoberto, o risco se torna diferente, pois se a perda de dinheiro nesse caso aqui é o aumento de preço, e este como definimos, não tem limite para ocorrer, as perdas seriam infinitas e a assimetria trabalha de forma inversa, podendo lucrar até 100% do valor investido.

Sendo assim, é preciso ter muito cuidado ao realizar operações desse tipo, tendo sempre em mente manter uma disciplina em relação às operações e um bom gerenciamento de risco, para que se possa tirar o melhor desse tipo de recurso.

Quais são as vantagens de se vender a descoberto?

A possibilidade de se vender o que não tem e ainda lucrar com sua queda, é uma forma muito inovadora de entender e lidar com ativos, já que é possível trabalhar até mesmo a psicologia dos investidores de uma forma inversa.

Sabemos que o mercado é tomado por dois sentimentos principais: O medo e a euforia. Entretanto, o sentimento de medo acaba se dando com muito mais força e relevância do que os momentos de euforia. Mas o que isso quer dizer na prática?

Na prática, isso significa que quando uma ação passa por momentos otimistas, de euforia, ela cresce uma determinada taxa, ao qual muitos investidores ganham dinheiro, e logo ficam na dúvida se mantém o ativo ou não, o que faz com que o preço não acabe subindo tanto quanto seria possível, caso todos mantivessem comprados.

Já nas situações de pânico e medo do mercado, todos saem vendendo de forma intensa, e dessa forma, a queda acaba sendo bastante acentuada nessas situações. Por fim, é mais frequente quedas de preço com uma certa intensidade do que altas, comparando um mesmo módulo de valor.

Para se entender melhor o que acabou de ser dito, é mais frequente ver uma ação cair 10% do que ver ela subir 10% em um curto prazo, levando em conta algum acontecimento em específico no cenário político ou econômico, por exemplo.

Dessa maneira, vender a descoberto poderia se aproveitar dessas situações de mercado de quedas intensas para conseguir lucrar em cima disso, de modo que o medo das quedas de preço não seriam mais um problema, e sim, algo benéfico.

Sendo assim, o investidor estaria aumentando seus recursos para investir, tendo a possibilidade de lucrar nas altas dos ativos, nas situações de compras anteriormente realizadas, e também com a queda dos ativos, quando a venda a descoberto for feita primeiro, aumentando as possibilidades e estratégias de ganhar dinheiro com ações.

Nesse caso, não importa se o mercado estaria em alguma tendência de queda ou de alta, uma vez que independente disso o acionista pode ganhar dinheiro das diferentes formas possíveis, podendo inclusive saber essa tendência por meio do volume de ações vendidas em detrimento a quantidade de ações que estão sendo compradas.

Nesse ponto, temos uma outra vantagem da inclusão do recurso de venda a descoberto, que é o uso dos dados realizados do que chamamos de free float, que nada mais do que a quantidade de ações disponíveis para negociação.

Se pudermos saber a qual fração desse free float, ou seja, das ações disponíveis para se negociar, que estejam em situação de aluguel, podemos então saber também o sentimento do mercado a respeito do momento, já que um número grande ações em aluguel significa que o mercado está preferindo vender aquele ativo, evidenciando uma pista sobre uma possível queda de preço futuro e que os acionistas estão pensando nessa possibilidade.

Resumidamente, a venda a descoberto dá vantagens nesse caso ligados ao investidor para aproveitar oportunidade de grandes quedas, com possibilidade obter sinais do mercado para tal, ou até mesmo, caso seja do portfólio de estudo do acionista, as análises por meio de gráficos.

Outra vantagem que a venda a descoberto pode proporcionar, é a facilidade e agilidade de se poder aproveitar episódios específicos de momento da economia sem precisar ter o ativo em sua carteira.

Além disso, seu dinheiro não precisará ser gasto na hora, desde que você já tenha depositado em sua corretora valores em garantia, que são necessários para esse tipo de venda, até para a segurança da corretora em si, para que ela não saia em prejuízos de possíveis operações ruins realizados por alguém que fique negativado, que é algo possível, como já citamos nos riscos desse tipo de operação.

Conclusão

A venda a descoberto ou o short, como também pode ser chamado, é um tipo de operação que embora não seja ainda tão explorado como as formas convencionais de compra e venda de ativos, é algo que pode ter um grande potencial de futuro nas operações.

Esse potencial é perceptível, uma vez que embora os ricos nesse tipo de operação sejam maiores em termos de assimetria, quando bem utilizados, podem proporcionar ao investidor um recurso extra ao qual possa lhe permitir ter a possibilidade de lucrar, independente do cenário econômico ou político, sendo útil em momentos de turbulências e volatilidades de um mercado com tendência de baixa.

Se o investidor tem um perfil de facilidade para reconhecer esses momentos em que o mercado está tendendo a queda, esse tipo de venda, seria muito enriquecedor que se conheça esse recurso e seu funcionamento, tanto em operações dentro de um mesmo dia, como nas vendas alugadas, ao qual a venda permaneceria algum tempo, com aluguel do ativo de algum comprador.

Independente do que se fazer na bolsa e nas operações de ativo, um verdadeiro investidor, com potencial de sucesso, deve conhecer todas as possibilidades de ferramentas que ele possa usar algum dia, então com toda certeza, compreender a venda a descoberta vai aumentar ainda mais sua capacidade de pensar com inteligência em sua educação financeira e em seus investimentos.

Write A Comment