Lucas Bassotto

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Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

O COPOM (Comitê de Política Monetária) cortou a taxa de juros básica da economia brasileira (Selic) mais uma vez. Hoje, a Selic está nos 2% ao ano. Se continuarmos nesse ritmo, o Brasil logo se tornará uma Suíça, ao menos em questão de juros. Mas quem pensa que isto pode ser bom, pode estar enganado.

Antes de tudo, é preciso entender a importância da Selic em nossas vidas. O rendimento da poupança, do tesouro direto e as taxas de juros para financiamentos se baseiam nela. Quando a Selic cai, o rendimento da poupança e dos títulos públicos caem, assim como o custo de juros com financiamento também é reduzido.

A princípio, muitas pessoas vão comemorar: a taxa de juros caiu, vamos poder consumir mais. Aí está o engano. Não necessariamente os juros cobrados pelos bancos nos cartões de créditos, cheques e empréstimos vai cair. No Brasil, existe um grande problema chamado spread bancário, que é a diferença na taxa de juros praticada pelo banco e a Selic.

Naturalmente, uma Selic baixa ajuda a pressionar os juros bancários para baixo, mas o que é praticado no mercado nem chega próximo dos juros de 2% a.a, pelo contrário, a diferença é estratosférica. Ao invés de 2% a.a., os bancos emprestam por 2, 3 e até 10% a.m. Empréstimos para consumo têm juros mais altos, até por conta do alto risco de inadimplência (calote).

selic em queda
Selic em queda livre. Fonte: Twitter

Para financiamentos, a situação melhora um pouco, mas ainda é muito distante dos 2% a.a. que vemos na Selic. De forma resumida, Selic baixa no Brasil até ajuda a reduzir os juros bancários e de financiamento, mas a contribuição é muito menor do que se imagina e essa dinâmica pode desencadear em problemas piores.

Cuidado com a inflação

O Banco Central usa Juros para controlar a inflação (alta generalizada de preços causada pelo aumento de emissão de moeda). Quando a inflação sobe, o governo aumenta a taxa de juros para ajudar a desestimular o consumo. Quando a inflação começa a cair, o governo diminui os juros para estimular a economia novamente. 

Se a nossa taxa de juros está caindo, é porque a inflação também está. Até aí não tem problema. Mas o que precisamos questionar é a forma com a qual medimos a inflação. O índice que usamos para isso, o IPCA, não é amplo o suficiente para que possamos saber como o poder de compra do brasileiro está sendo impactado.

Vale lembrar que o IPCA é um dos mais baixos do ano por conta de uma demanda reprimida na economia. Quando tudo voltar próximo do normal, os preços vão voltar a subir, de forma rápida e agressiva. Caso o Banco Central não consiga reagir rápido, a inflação voltará a ser um problema depois de muitos anos de preços controlados.

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Estamos mais pobres frente ao Tio Sam

O Real é uma das piores moedas do mundo, ao menos em termos de desempenho frente ao dólar. Um dos motivos para essa desvalorização é esse corte nas taxas de juros. O Brasil é um país arriscado, naturalmente tem que pagar juros mais altos. O gringo tira seu dinheiro e aplica aqui. 

Quando os juros daqui ficam próximos do que ele receberia se aplicasse em seu país, o gringo tira o dinheiro do Brasil e vai embora para outro país, em busca de juros mais altos. Com isso, o dólar fica mais caro, porque o estrangeiro retira seus dólares daqui e leva para quem estiver pagando mais.

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Se ninguém estiver pagando bem, os investidores vão para o Ouro, Prata ou alguma moeda forte como os Francos Suíços. Quem sofre ainda mais com isso é o próprio dólar e as moedas de países subdesenvolvidos, como o nosso.

O resultado é a perda do poder de compra do Brasileiro. A viagem para a Disney fica mais difícil e provavelmente terá que esperar mais um pouco. Um ponto positivo vai para as nossas exportações, que ganham com o dólar alto.

Ou vai para a renda variável, ou perde dinheiro

Nosso dinheiro já está rendendo menos que a inflação. De repente, o FGTS agora é um dos melhores investimentos de baixo risco no Brasil. Quem quiser guardar dinheiro, eventualmente terá menos poder de compra no futuro. 

Isso pode ser contornado investindo na renda variável, isto é, ações, criptomoedas, ouro e moedas estrangeiras. Mas o caminho não é fácil, e o risco é muito maior que deixa seu dinheiro parado na poupança. No entanto, nos últimos 2 anos nada foi mais arriscado do que ficar de fora da renda variável.

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