Itaú lançará fundo de ações ligadas a criptomoedas e mira na tokenização

Itaú lançará fundo de ações ligadas a criptomoedas e mira na tokenização

O ETF de Bitcoin da Hashdex obteve um grande sucesso, ultrapassou no início do mês a marca de R$ 1 bilhão em captação na bolsa brasileira e se tornou o terceiro maior ETF listado na B3, com 61,5 mil cotistas.

Pensando nisso, o banco Itaú, um dos maiores do país, observando a negociação do ETF em plataformas de investimentos de todo o Brasil, prepara o lançamento de um fundo de empresas blockchain.

Importante ressaltar que o Itaú alterou toda a sua postura em relação ao Bitcoin e demais criptomoedas nos últimos meses. Até o fim de 2019, a associação ao criptomercado era relacionada à lavagem de dinheiro e financiamento terrorista.

“O Itaú entende que moedas virtuais que podem ser trocadas por dinheiro real ou outras moedas virtuais são potencialmente vulneráveis a lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo”, disse o Banco ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, CADE, ao afirmar que não queria atender empresas com ligação com Bitcoin.

Todavia, o discurso mudou, conforme o diretor de Produtos de Investimentos do Itaú Unibanco, Cláudio Sanches, “Hoje há instrumentos mais seguros. A gente entendeu que fazia sentido trabalhar com a Hashdex, por exemplo, porque eles têm um processo sólido de custódia que faz com que sejam muito pequenos os riscos comuns dos ativos cripto, que são o dinheiro desaparecer ou as chaves se perderem. Talvez a gente avance devagar, mas é um segmento que vai crescer muito.”

Entretanto, após diversas empresas começarem a acreditar e investir nos projetos criptográficos, a visão do Itaú foi alterada.  Em abril, o banco participou da oferta de investimentos da Hashdex Nasdaq Crypto Index, o primeiro ETF de Bitcoin listado na bolsa de valores brasileira.

Veja também: ETFs: um mundo repleto de opções e oportunidades

Oferta de investimentos da Hashdex

A oferta de investimento no EFT da Hashdex se tornou rapidamente um sucesso, com mais de R$ 114,5 milhões aplicados por 6.111 clientes do banco, contabilizados até o dia 10 de maio.  Embora o número de clientes represente uma pequena parcela da totalidade da instituição, a captação é equivalente a mais de 10% da captação atual do ETF.

Além disso, muitos dos clientes que realizam a alocação de recursos no fundo de criptomoedas são de clientes do Personnalité, ou seja, clientes que possuem uma renda mensal mínima de R$ 10.000 e tem investimentos que chegam pelo menos em R$ 100.000.

Itaú com novo plano a caminho

Ao que parece, o Itaú não adentrou no criptomercado apenas “fazer média”, o banco vem demonstrando um real interesse. Desse modo, na última quarta-feira (12), o banco informou que lançará um fundo de investimentos em empresas com iniciativas em blockchain.

A tecnologia, que é considerada base das criptomoedas, é utilizada por várias organizações de diversos setores, como logística, saúde, entre outros, para registrar e validar as transações de criptoativos. Além disso, é possível disponibilizar ativos tokenizados aos clientes.

O diretor do Itaú afirmou que a empresa já trabalha nesse produto, no entanto, o banco ainda não divulgou quais empresas irão constar nesse fundo.

Desta forma, o Itaú atenderá a demanda dos seus clientes que procuram  diversificar sua carteira de investimentos, em busca de maiores ganhos em troca de maior exposição ao risco.

Pensando nisso, o banco pretende oferecer um novo produto, que esteja diretamente ligado no crescimento das companhias que atuam no criptomercado. Ainda não foram divulgadas quais empresas irão constar neste fundo blockchain do Itaú.

Desse modo, apesar das empresas escolhidas não refletirem diretamente na valorização das criptomoedas, o fundo agregará o valor criado por soluções blockchain em diversos setores.

“Nesse novo produto, você não vai pegar a alta nas cotações das criptomoedas, mas vai capturar a valorização das empresas que estejam trabalhando com coisas relacionadas. Deve sair em breve, estamos trabalhando nisso atualmente”, afirmou Sanches.

A expansão do Banco

De acordo com o diretor, a partir do momento que o Itaú anunciou a oferta do ETF, a procura pelos clientes foi enorme.

Pensando nisso, o banco aproveitou que o Itaú BBA fazia parte da oferta e tomou a decisão de disponibilizar para os seus clientes. A partir de então, foi observada a oportunidade de expandir sua operação para um fundo baseado em ações de empresas blockchain.

Segundo o Itaú não se trata de uma recomendação ativa, tendo em vista que o  ativo oferecido pode ser bastante difícil de entender para o investidor iniciante.

Além disso, apesar das muitas possibilidades de lucro, o investimento pode ser três vezes mais arriscado do que a bolsa. Sanches aponta que “a recomendação é para investidores moderados e agressivos”.

Apesar dos riscos, na avaliação do Itaú, o mercado de criptomoedas oferece muitas estratégias de diversificação de portfólio. Dessa maneira, uma carteira cuidadosamente projetada, com alocação equilibrada de ativos, pode maximizar o retorno ajustado ao risco.

O novo produto do Itaú

Se engana quem pensa ser apenas o fundo de investimentos que o banco “está de olho”. O Itaú pretende investir na tokenização de ativos com blockchain, como já faz o Mercado Bitcoin no Brasil.

Segundo Sanches, “ativos tokenizados são algo que, isso sim, cada vez mais vai fazer sentido distribuir para nossos clientes. Isso inclusive deve ter uma velocidade maior no Itaú do que as criptomoedas”.

De acordo com o banco, o mesmo vai investir na preparação dos seus clientes sobre o universo dos investimentos em criptomoedas. “Fizemos podcasts e ‘lives’ e temos enviado material via e-mail, WhatsApp e Telegram para ajudar nesse processo”, diz o diretor.

Veja também: Corrida das criptomoedas pode deixar Bitcoin para trás

Conclusão 

Questionado se o diretor já realizou investimento com criptomoedas, o mesmo respondeu que não possui Bitcoin ou outras criptomoedas por conta das exigências e restrições do cargo. No entanto, diversas pessoas de sua equipe já possuem.

A resposta demonstra que, a realidade mudou e hoje no Brasil, o mercado de criptomoedas não é mais deixado de lado.  As crescentes altas do mercado, o crescimento do Bitcoin e o aumento de grandes investidores no criptomercado, parece ter favorecido e influenciado para a realidade que traz um novo posicionamento o banco Itaú e de diversas outras empresas.

Veja também: C6 Bank oferece investimento em fundos de criptomoedas

Total
0
Shares
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Related Posts