Howard Marks: o mais importante para todo investidor

Recentemente a editora Editora Edipro, traduziu para o português um dos livros mais aclamados por diversos investidores, The Most Important Thing de Howard Marks, que se tornou referência para grandes investidores mundiais, como Warren Buffet, Joel Greenblatt, Ray Dalio, entre outros.

O livro conta com a tradução do prefácio feita por ninguém menos que Henrique Bredda, gestor do fundo de investimento Alaska Asset Management, um dos fundos de maior popularidade no mercado financeiro brasileiro.

Autor da obra, Howard Marks é um dos maiores Value Investors do mundo e é famoso por suas cartas maravilhosas, que escreveu por meio da gestora Oaktree Capital Management, da qual é co-fundador e co-presidente. O próprio Buffet revela que quando vê memorandos de Marks em seu e-mail, eles são a primeira coisa que abre e lê. Sempre aprendo algo, e para ele, isso vale em dobro para o referido livro.

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Um pouco sobre Howard Marks

Howard é formado em economia pela Wharton School da Universidade da Pensilvânia e MBA em em negócios e marketing pela Booth School of Business da University of Chicago.

Conforme dito anteriormente, Howard Marks é o co-fundador e co-presidente da Oaktree Capital Management, uma das maiores gestoras de investimentos alternativos com experiência em estratégias de crédito, que tem sua sede em Los Angeles. 

Anteriormente à fundação da Oaktree, Howard Marks iniciou sua carreira em 1969, no Citibank, onde elaborou um portfólio de títulos de alto rendimento depois de se reunir com o rei dos títulos de risco, Michael Milken. Posteriormente, em 1985, ele se tornou gerente de ativos da TCW Group, onde liderou a repartição de investimentos de alto rendimento da companhia, neste momento ele conhece Bruce Karsh, co-fundador da Oaktree. 

Em 1995 a dupla, ao lado de outros sócios da TCW, fundou a Oaktree Capital Management, que desde o seu início, se destacou em títulos de alto rendimento, private equity e distressed securities.

Durante a crise financeira de 2008, a Oaktree lucrou mais de US$ 10 bilhões com “títulos problemáticos”. Segundo levantamento da época, os 17 fundos de dívida adquiridos pela Oaktree tiveram ganhos anuais médios de 19%, retorno considerado extraordinário em função dos riscos envolvidos na operação.

Em 2012, a empresa de Marks abriu IPO na Bolsa de Valores de Nova York, captando US$ 380 milhões. Em 2019, 61% da Oaktree Capital foi comprada pela Brookfield Asset Management por mais de US $4 bilhões. Mesmo assim, Marks e Karsh ainda dirigem a Oaktree, que continua suas operações independentemente da Brookfield.

Metodologia de investimento 

Apesar de comprar participações em empresas, Howard Marks foca seus investimentos, majoritariamente, em títulos de dívidas corporativas. Isto é, ele prefere comprar títulos de dívida das companhias, baseando-se em sua análise de risco de crédito aliada a uma análise fundamentalista dos negócios.

Para ele, investir é muito mais próximo de uma arte do que uma ciência propriamente dita.

Em termos gerais, sua estratégia se resume em quanto mais baixo o preço se encontra em relação ao valor intrínseco do negócio. Para ele, quando todos os outros estão com medo de adquirir certo ativo, é a hora perfeita para ser mais agressivo nas compras. 

Mas não basta comprar o mais barato, é necessário analisar a empresa por meio de uma análise fundamentalista, além disso, na visão de Marks, é essencial saber onde o mercado se encontra, a fim de que possamos nos proteger de seus movimentos. Utilizando com perfeição nossa gestão de risco e definindo estratégias de acordo com as nossas situações pessoais e objetivos.

O Mais Importante para o Investidor

The Most Important Thing, traduzido para o português como “O Mais Importante para o Investidor”, descreve a chave para o investimento de sucesso, mas também alerta sobre as armadilhas que podem destruir o capital. Em seu livro, Howard Marks, traz lições valiosas relacionadas à tomada de decisão e às gestões de risco, analisando os ciclos de mercado e mostrando como é possível obter ótimos retornos por meio de uma estratégia calculada.

Em uma de suas diversas entrevistas, certa vez Howard Marks admitiu um vício de linguagem, quando reunido com seus clientes, diz repetidamente: “O mais importante é X. Dez minutos depois, afirma: O mais importante é Y’. Depois vem o Z. E assim por diante”. 

Prezado leitor, me permita utilizar do vício de linguagem de Marks de forma que possa elencar para vocês as lições mais importantes que retirei a partir da leitura do livro, no qual acredito serem as premissas fundamentais que todo investidor deve possuir.  

Ser melhor que o mercado

Segundo o autor, muitos investidores são simplistas e superficiais, onde não há qualquer diferenciação na análise dos ativos, as fórmulas são simples e respostas são fáceis. 

Todavia, para que o investidor possa se sobressair, ele precisa de um diferencial. Precisa pensar em algo que o mercado não pensou ou deixou escapar, reagindo e se comportando de forma distinta dos demais, para Marks esses tipos de pessoas são a antítese do simples. Elas se esforçam ao máximo, são bem-informadas e conhecedoras das técnicas de análise e estratégias de investimentos.

Valor

Para o autor, compreender o valor intrínseco de qualquer ativo é indispensável. Deste modo, a expectativa do retorno não se concentra na venda do ativo, mas no que ele irá produzir ao longo do tempo. Para Marks, significa avaliar o fluxo de caixa da empresa, seu ramo de atuação e suas vantagens competitivas, bem como, o retorno que este negócio proporciona, para além de momentos de crise e situações desfavoráveis, que possam interferir no seu preço. Sem isso, qualquer esperança de sucesso consistente como investidor é exatamente isso, esperança. 

Preço vs valor

Ser um investidor consistente para Marks é comprar barato. Para ele, mesmo que não seja infalível, onde possam surgir erros sobre o valor atual ou eventos que reduzam este o valor, mesmo assim, ainda seria a melhor chance que o investidor tem. 

Recentemente Marks mostrou na prática sua estratégia, onde realizou diversas compras nas primeiras semanas de março, justamente quando se concentrou a queda no valor dos ativos. 

Entender as eficiências e limitações do mercado 

Marks considera que a tecnologia fez com que o mercado fosse mais eficiente, no que tange ao processamento de dados e busca por informações, todavia para ele, isso não se traduz em assertividade, onde os mercados já precificam as visões de consenso entre os economistas. Assim, manter uma visão de consenso não irá ajudar ao investidor obter retornos acima da média. 

Entender o risco

Investir é basicamente lidar com o futuro. E, como nenhum investidor pode prever, o risco é inevitável. Conforme dito pelo próprio: “Certamente, ninguém que fosse capaz de antecipar com precisão os movimentos da economia distribuiria suas previsões gratuitamente.”

Apesar da literatura acadêmica defende que a quantificação do risco se dá através da volatilidade. Marks acredita que, apesar da volatilidade ser quantificável, ela não representa o real sentido do risco. Para ele, os investidores não temem a volatilidade, mas sim a perda permanente de capital.

Reconhecer o risco

Marks afirma que o risco não é causado apenas pelos resultados das empresas, mas também pelo nível de agressividade dos investidores no mercado. Ou seja, os investidores superestimam sua capacidade de reconhecer riscos e subestimam o que é necessário para evitá-los. De modo que aceitam os riscos sem ao menos saber quais são. 

Sendo assim, o grau de risco presente no mercado é proporcionado através do comportamento dos participantes do mesmo. Concluindo que, existe a mesma relação de proporcionalidade positiva entre risco e retorno, porém como os retornos dos investimentos estão associados ao futuro e este é incerto, não há uma única possibilidade de retorno em uma única faixa de risco. 

Ou seja, quanto maior o risco, maiores as expectativas de retorno e maior o range de possibilidades de resultados, tanto em termos de ganhos, quanto de perdas.

Controlar o risco

O risco na maioria dos casos é invisível. O que os participantes do mercado conseguem observar é a perda, ocasionado geralmente quando o fator risco colide com eventos negativos.

Para ele não devemos tentar ganhar sempre do mercado, mas tentar não perder. Quando os mercados estão em alta, é uma boa estratégia somente acompanhar, e quando estiverem em baixa, de fato ganhar em cima das oportunidades. 

Deste modo, o melhor momento para proteção é quando o mercado parece estar com baixo risco, ou seja, o melhor dia para se comprar um guarda-chuva é quando não está chovendo: em um belo dia de sol, sem nenhuma nuvem no céu.

Entender os ciclos

Segundo o autor, é essencial entender que assim como na vida, a maioria das coisas são cíclicas, seja na economia, nos mercados ou nas empresas. O investidor não pode prever, mas pode se preparar. Sabendo disso, as possibilidades de ganhos e perdas poderão ser maiores e menores, respectivamente. 

Para Marks esses ciclos são gerados através de um processo humano, causado por aplicações psicológicas, onde o mercado detém reações exageradas ou simplesmente não reagem na hora de tomar suas decisões.

Sendo assim, quando as coisas vão bem e os cenários futuros são otimistas, o comportamento é fortemente impactado. Tende-se a gastar mais e a guardar menos, a tomar dívidas para aumentar o lazer e para potencializar os ganhos. No entanto, todo esse otimismo pode acabar, quando o que parece certo hoje, seja errado amanhã, incorrendo em sérios riscos.

Podemos concluir, que os ciclos são frutos do próprio comportamento humano e que eles se renovam automaticamente, ou como o autor gosta de dizer, “o sucesso traz consigo a semente do fracasso, e o fracasso traz consigo a semente do sucesso.”

Entender a consciência do pêndulo

Basicamente, quando o cenário é otimista e os preços estão altos, os investidores correm para comprar, esquecendo de toda prudência. Então, quando há eventos que causam caos, os ativos se tornam riscos. Os investidores perdem toda a disposição de assumir riscos e se apressam em vender. 

Ser do contra

Marks revela que, por mais que seja difícil, o investidor não deve ser um seguidor de tendências. 

Para ele, em momento de crise é preciso que o investidor tenha sangue frio para comprar ações, sendo contrário a maioria dos investidores. A partir disso o investidor conseguirá obter retornos superiores.

Todavia, o autor ressalta que não basta ter visões diferentes do mercado, é necessário enxergar valor nas empresas que se está comprando, para isso deve ser realizada análises aprofundadas sobre a empresa, a fim de que possa ser tomar a melhor decisão. 

Evitar armadilhas

O autor acredita que a maior parte dos erros é primariamente analítica e intelectual ou psicológica e emocional e por isso, devemos entender quais são as armadilhas que nos fazem cometer os erros. São elas a ganância, o medo, a descrença, a conformidade em prol do coletivo, a inveja, o ego. 

Todas essas armadilhas servem para cegar o investidor e diminuir sua performance, colocando em risco seu capital e fazendo com que ele perca seus objetivos.

Conclusão

Depois de tantos anos de sucesso no mercado, a tradução do livro não poderia ser mais oportuna para o investidor brasileiro, que passa por um período de grandes incertezas no cenário político e econômico. 

A leitura do livro “O Mais Importante para o Investidor” é a chave para aqueles que buscam sua evolução como investidor, no intuito de se tornar mais adaptável e criativo, a fim de alcançar retornos superiores à média do mercado.

O livro é lúcido e de fácil entendimento, através do seu estilo direto e preciso em seus comentários. Além disso, entender a metodologia de Marks é extremamente rentável para qualquer investidor que tenha uma estratégia de investimento de longo prazo, que entenda os riscos, os ciclos e o pensamento em segundo nível. 

Conforme dito pelo mesmo: “Ninguém inicia sua carreira de investimentos com uma filosofia já amadurecida. Ela é a soma de muitas ideias acumuladas, derivadas de múltiplas fontes no decorrer de um longo período.”

Com toda certeza, o mais importante para o investidor é ler Howard Marks.

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