Guedes prorroga Auxílio Emergencial e mostra que desafio do governo é grande

A expansão do programa de Auxílio Emergencial evidencia que o Brasil tem um grande desafio pela frente. Nossa economia se tornou muito sensível a choques externos nos últimos anos. Além disso, o aumento do endividamento tira a margem de manobra do governo para que ele possa reagir com mais rapidez e de forma mais agressiva a estes choques.

Hoje, há um horizonte que contempla novos cortes na taxa de juros básica da economia (Selic). Essa é uma tentativa que o Banco Central faz para tentar aumentar a quantidade de dinheiro circulando na economia (injeção de liquidez). No entanto, essa política não tem a mesma efetividade que uma política de Auxílio Emergencial.

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Em choques externos, os governos normalmente reagem de forma mais agressiva através de programas de transferência unilateral de renda (Auxílio, Bolsa-família ou algum outro voucher). Eles fazem isso porque o efeito é mais direto. No entanto, há um grande custo nessas medidas. 

Para exemplo, os Estados Unidos aprovaram um pacote de injeção de US$ 2 trilhões de dólares, sendo incluso neste pacote ajuda financeira para empresas e estados. Além disso, Trump liberou um cheque de US$ 2,000 para cada trabalhador norte-americano. Na Europa atitudes semelhantes vêm sendo feitas.

Em 2008, o Brasil também reagiu fortemente à crise financeira mundial. Entre as medidas estavam a redução da alíquota do depósito compulsório dos bancos (parcela de recursos que os bancos precisam recolher no Banco Central e não podem emprestar aos clientes), redução de impostos para diferentes segmentos da indústria e estímulo ao crédito em bancos públicos.

O governo brasileiro conseguiu fazer o país passar pela crise de 2008 sem muitos danos. No entanto, estas medidas trouxeram graves distorções fiscais e estruturais para a economia no médio prazo. Como consequência das distorções causadas por essas medidas, o Brasil encarou entre 2014 e 2016 sua pior crise da história.

Hoje, o cenário é ainda mais grave. Paulo Guedes vai precisar saber como equacionar as consequências das medidas de hoje no futuro. Vale a pena sofrer agora ou sofrer no futuro, qual das alternativas é melhor? Certamente é essa pergunta que Guedes e sua equipe devem estar se fazendo neste momento.

Governo vai prorrogar auxílio emergencial

O ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou hoje (9) que o auxílio emergencial será registrado por mais dois meses, conforme já foi anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro e, durante esse tempo, o setor produtivo pode ser preparado para retomar como atividades, com adoção de protocolos de segurança. 

“E depois [a economia] entra em fase de decolar novamente, atravessando como duas ondas [da pandemia e do desemprego]”, disse Guedes, durante a 34ª Reunião do Conselho de Governo.

O auxílio é um benefício financeiro concedido pelo governo federal a trabalhadores da informação, microempreendedores individuais, autônomos e desempregados, e visto usando proteção no período de enfrentamento à crise provocada pela pandemia de novo coronavírus, causador do Covid-19. Inicialmente, uma previsão de pagamento de três parcelas de R$ 600 (R$ 1,2 mil para mães solteiras).

Na semana passada, o secretário especial da Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, informou que uma eventual prorrogação do auxílio emergencial por mais dois meses deve elevar o custo do programa para um valor entre R$ 202 bilhões e R$ 203 bilhões.

Trecho da Agência Brasil (Juliana Andrade)

7 entre cada 10 brasileiros perderam sua renda na pandemia

Praticamente 7 em cada 10 consumidores brasileiros (69%) tiveram alguma perda de renda desde o início do isolamento social adotado para conter a disseminação pelo novo coronavírus no país.

Com a renda menor, 62% dos brasileiros acreditam que ainda vão enfrentar algum problema que levará ao atraso no pagamento de suas contas. Os dados são de uma pesquisa da DMCard, uma administradora de cartões de marca própria, conhecidos como private label, com 15.010 pessoas entre 5 e 12 de maio.

Perguntados sobre quais dívidas dariam prioridade em caso de não terem dinheiro suficiente para pagamento em dia de todas, as contas de consumo como água, luz, telefone e internet ficaram em primeiro lugar, com 31%, levando em consideração que eles puderam citar mais de uma resposta.

No geral, as pessoas que perderam renda preferem pagar primeiro os serviços considerados essenciais, dando prioridade em seguida para as dívidas de cartão de crédito. 

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