O enorme pacote de estímulos negociado entre o governo Trump e os líderes do Congresso na quarta-feira é um pacote de ajuda sem precedentes na história da economia americana, na casa de US$ 2 trilhões, projetado para ajudar o público e a economia a se recuperar da pandemia de coronavírus.

O projeto fornece ajuda direta a cidadãos, empresas, hospitais e governos estaduais e locais. Precisa ser aprovado pelo Senado e pela Câmara. Uma votação no Senado pode ocorrer já nesta quarta-feira.

Aqui estão algumas das disposições:

  • Grandes empresas: cerca de US$ 500 bilhões podem ser usados ​​para financiar empréstimos e assistência a empresas, incluindo US$ 50 bilhões em empréstimos para companhias aéreas dos EUA, além de governos estaduais e locais;
  • Pequenas empresas: mais de US$ 350 bilhões para ajudar pequenos negócios;
  • Hospitais: aumento de US$ 150 bilhões em verba para hospitais e outros prestadores de serviços de saúde em equipamentos e suprimentos;
  • Indivíduos: pagamentos diretos a americanos de baixa e média renda de US$ 1.200 para cada adulto e US$ 500 para cada criança. O líder da minoria do Senado, Chuck Schumer, disse que os cheques serão distribuídos a partir do dia 6 de abril;
  • Desempregados: extensão do seguro desemprego para quatro meses, reforçada em US$ 600 por semana. A elegibilidade seria expandida para cobrir mais trabalhadores;
  • Restrições ao auxílio comercial: qualquer empresa que receber um empréstimo do governo estará sujeita à proibição de recompras de ações por um período de 1 ano. Elas também teriam que limitar os bônus dos executivos e tomar medidas para proteger os trabalhadores;
  • Transparência: o Departamento do Tesouro teria que divulgar os termos dos empréstimos ou outros auxílios às empresas, e um novo inspetor geral do Tesouro supervisionaria o programa de empréstimos;
  • Democratas: ganhou uma ementa que impediria qualquer empresa de propriedade do presidente Donald Trump, ou de sua família para obter empréstimos do Tesouro. Negócios de propriedade de membros do Congresso, chefes de departamentos executivos e do vice-presidente, Mike Pence, também seriam bloqueados.

Quais medidas serão tomadas no Brasil?

Os Estados Unidos estão tomando medidas de natureza extraordinária para tentar salvar sua economia de uma recessão que pode se tornar uma depressão econômica. Com isso, afrouxa-se o rigor com as contas públicas e as metas fiscais do país. Sua dívida, que já é de mais de US$ 20 trilhões, deverá aumentar.

No Brasil, o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) anunciou um pacote de medidas que pretende dar R$ 50 bilhões em estímulos para a economia brasileira, principalmente através do adiamento do pagamento de dívidas de empréstimos, que já corresponderiam a R$ 30 bilhões.

Também estão incluídas no pacote a transferência de R$ 20 bilhões do PIS/PASEP para o FGTS dos trabalhadores. Parte dos recursos vêm da venda de R$ 22 bilhões de ações da Petrobras, em leilão realizado no dia 5 de fevereiro.

Além do BNDES, o Banco Central anunciou que tem um arsenal de R$ 1,2 trilhão para combater a crise econômica causada pelo Coronavírus. O Governo Federal também anunciou que pretende injetar até R$ 147 bilhões, sendo que R$ 83,4 bilhões serão aplicados em ações para a população mais vulnerável, até R$ 59,4 bilhões para a manutenção de empregos e pelo menos R$ 4,5 bilhões para o combate direto à pandemia.

Destas medidas, uma certeza: o endividamento irá aumentar. O rigor nas contas do governo será diminuído e os impactos dessa flexibilização serão sentidos no futuro. Até o momento, o Governo Federal vinha fazendo uma política de corte de gastos, com o Coronavírus, será obrigado a seguir na direção contrária.

Fonte: Bloomberg

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