Getnet, o mercado de maquininhas está saturado?

Getnet e o mercado de maquininhas, está saturado?

Os papéis da Getnet fizeram uma excelente estreia na B3 nesta segunda-feira (18), após a cisão das operações junto ao Santander (SANB11). O pregão foi ótimo para a companhia que viu o preço de seus papéis (GETT4), subirem 95,85%, indo a R$ 4,97 enquanto as ações ordinárias subiram mais ainda, 142,74% indo a R$ 5,40.

Contudo, apesar do bom resultado, será que o setor ainda tem espaço para crescimento? Será que essa forte apreciação dos ativos e esse ânimo do mercado se sustentam no longo prazo? Veremos isso mais a fundo no artigo de hoje.

PagSeguro, a moderninha disruptiva

Durante muitos anos, o mercado de maquininhas foi dominado por Cielo e Rede. Tudo viria a mudar com a entrada desse novo player (PagSeguro) com uma proposta ousada particularmente focada nos trabalhadores autônomos.

Assim, a PagSeguro que iniciou suas atividades em 2006, permaneceu por sete anos operando apenas de forma online. Em outras palavras, a empresa só viria a lançar sua primeira maquininha em 2013.

Em seguida, o reconhecimento não demorou a vir, com foco em um mercado amplo de autônomos que era até então pouco explorado pelas maiores concorrentes da época, a moderninha se consolidou, com uma proposta de democratizar o acesso aos mais diversos serviços financeiros.

Como o uso das maquininhas tem crescido no mercado?

Devido ao uso crescente de cartões, muitos empreendedores e comerciantes têm optado por oferecer essa forma de pagamento para seus clientes. Nesse sentido, a grande procura junto a grande quantidade de players no setor, faz com que haja uma redução nas taxas.

Nesse sentido, podemos dizer que existem três variáveis importantes presentes nessa relação, são elas:

  • a taxa de venda, que é cobrada por cada transação realizada no cartão;

  • o preço de aluguel ou venda da maquininha;

  • o custo da antecipação de recebíveis

Geralmente, o mercado cobra taxas de cartão de entre 2% e 5% por operações no crédito, e de 1,8% a 2,2%, no débito.

Veja também: Magazine Luiza anuncia maquininha para pagamentos

Principais marcas que atuam no setor

Cielo

Ainda líder do setor, a Cielo vem perdendo espaço nos últimos tempos, sofrendo queda de receita e market share. Já viu seu lucro líquido ser reduzido em 30%. Contudo, segue com uma participação de mercado de mais de 38%.

Com isso, a empresa que já chegou a ter a cotação de seu papel em R$ 22, vê sua participação no mercado reduzida com uma queda de quase 90% e seus papéis sendo negociados a pouco mais de R$ 2,00.

GetNet

Os números da Getnet são no mínimo interessantes. As ações da companhia, que estrearam na última segunda-feira (18), tiveram um forte crescimento. A companhia já chegou ao mercado com 16% de market share. Um total de 876 mil clientes ativos. Além disso, o volume de pagamentos registrados somou pouco mais de R$ 270 bilhões só no ano passado.

Líder de mercado quando o assunto é pré-pagamento, a Getnet surfou uma excelente parceria com o Santander e sua cisão com o Banco, foi positiva para ambas as partes, segundo analistas de mercado da Genial:

“A operação vem em um contexto de oportunidade para a companhia, dado que atingiu um market-share equivalente ao do banco através da utilização do canal do Santander, parceria que constituiu a principal vantagem competitiva nos últimos anos”

Stone

Com um market share pouco superior a 6%, a Stone é outra concorrente que vem ganhando espaço, no ano passado a companhia teve lucro de R$ 837 milhões. Tendo uma relação preço sobre lucro alta, superior a 70%.

Nesse sentido a empresa, busca se diferenciar ao prometer menos burocracia para seu cliente, e a companhia faz isso ao atender o cliente no local, além de oferecer consultoria comercial para os pequenos empresários.

PagSeguro

Sem dúvidas, a empresa que melhor se beneficiou com o fim da exclusividade entre bandeiras e operadoras. A PagSeguro promoveu uma revolução nesse mercado, ao priorizar os pequenos empreendedores.

A empresa tem investido, sobretudo, nesse público, oferecendo algumas melhorias na plataforma e ausência de taxas para determinadas condições. Hoje, a companhia já conta mais com mais de 4 milhões de clientes ativos.

SafraPay

Outro player bastante interessado nesse mercado é o Banco Safra, buscando atrair clientes com taxas reduzidas, o banco oferece algumas vantagens interessantes, como a taxa zero sobre operações de crédito, desde que o faturamento seja limitado a R$ 50 mil por mês.

Ainda há o benefício do não pagamento de aluguel para companhias que vendem entre R$ 3 e R$ 7 mil de forma mensal

Rede

Adquirente do Itaú, a Rede também tem buscado recuperar parte de sua participação, tomando algumas atitudes agressivas para ganhar mais clientes. Esse ano, por exemplo, a empresa decidiu zerar a taxa de antecipação de recebíveis nas compras feita com crédito à vista.

Além de reduzir o prazo de repasse do pagamento para dois dias. Tais medidas não surpreendem, no entanto, esse mercado está cada vez mais competitivo.

Veja também: WhatsApp tem serviço de pagamentos autorizado no Brasil

Isso aqui não virou um oceano vermelho?

De fato há muitos players no mercado e desde o fim da exclusividade entre bandeiras e operadoras, novos entrantes vem abocanhando uma participação importante das companhias tradicionais do setor.

Contudo, há espaço para crescimento de companhias no setor, principalmente da Getnet, o mercado de cartões de crédito, por exemplo, continua em franca expansão, segundo a Mastercard só em 2020, os cartões movimentaram algo em torno de R$ 2,3 tri no Brasil.

Com isso, estar bem posicionado com estratégias de ação é fundamental, e nesse sentido a Getnet leva uma vantagem interessante ao possuir o Banco como importante canal de vendas e suporte.

Conclusão

De fato, como vimos existe espaço para crescimento de uma companhia do setor. Dado que há uma forte concentração de pagamentos ainda pela via de cartão de crédito. Contudo, os riscos envolvidos são claros, há concomitantemente uma tendência de novas alternativas de pagamento sendo colocadas todos os dias no mercado.

Outro fator de risco, é que embora a Getnet tenha apresentado ótimos números para o ano de 2020, o investidor deve avaliar se essa explosão conferida no seu valor de mercado no IPO faz jus as possibilidades de cumprimento dos objetivos traçados pela companhia.

Em outras palavras, é importante entender se pelo valor negociado a companhia não está “cara”. Por fim, esse é um mercado que deve ser acompanhado de perto, dado que importantes movimentos feitos pelos players do setor podem alterar completamente o cenário.

Veja também: Analista vê Bitcoin no mercado de pagamentos em breve

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