Eike Batista e China anunciam grande parceria

Eike Batista e China anunciam grande parceria

Já comentados aqui das diversas tentativas do empresário Eike Batista, condenado pela Justiça por uma série de crimes,  a reerguer seu império e voltar a ter influência no mundo dos negócios.

Veja também: Eike Batista voltou? Por que a MMX subiu (e caiu) tão rápido?

Após ser Réu na Operação Lava Jato, o empresário Eike Batista foi considerado foragido da justiça brasileira no início de 2017. Entre as acusações, estava o pagamento de propina ao ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, até hoje preso. Após se entregar, Eike foi encarcerado no Bangu 9, no Rio de Janeiro.

No entanto, Eike Batista cumpre prisão domiciliar que tem, entre outras características, vistorias esporádicas, sem aviso prévio, da Polícia Federal em sua casa.

Após todo o caso, Eike teve sua fortuna diminuída consideravelmente ao longo dos anos, no entanto, o mesmo diz possuir uma lista secreta com pelo menos 11 projetos que ele batizou de “unicórnios”. Dentro deste planejamento, estão inclusos um gasoduto que liga o Brasil ao Paraguai, novas minas de ouro, energia renovável e nanotecnologia.

No entanto, até o momento a estratégia parece não ter  dado muito certo, talvez seja pelo grande sigilo e superficialidade na troca de informação para com o mercado ou talvez, seja pelo “fascínio incontrolável por riquezas, ambição sem limites que o levou a operar no mercado de capitais de maneira delituosa, com extremo grau de reprovabilidade e indiferença à fragilidade de fiscalização do mercado”, conforme relatado pela juíza Rosália na condenação do empresário.

Dizem por ai que a sorte “só bate uma na porta”, mas no caso de Eike, este ditado popular está longe de ser acertivo.

Após condenação com 11 anos de prisão e a pagamento R$ 871 milhões de multa, Eike Batista parece voltar novamente ao jogo, e dessa vez com grande parceria.

Ajuda internacional a caminho

Ao que parece o “fascínio incontrolável por riquezas” ainda esteja presente na mente do ex magnata, tendo em vista que dessa ele busca uma ajuda internacional de peso, a China Indelevelmente Integration Limited (CDIL), veículo de investimento ligado ao governo da China e baseado em Hong Kong.

CDIL é um investidor conhecido no mercado internacional, com grande atuação na Belt and Road Initiative, projeto pelo qual a China tem aumentado seu poder geopolítico, investindo na infraestrutura de dezenas de países ao redor do mundo desde 2013.

A grande especificidade da CDIL é por conta de seus projetos audaciosos, tanto que oferecerá a Eike Batista uma nova oportunidade de recuperar sua credibilidade e patrimônio.

Segundo analistas do mercado financeiro, os recursos do China Development Integration Limited são quase ilimitados, por ter ótimas relações com diversos bancos e estatais chinesas, responsáveis em fornecer máquinas, equipamentos e serviços.

Eike diz que nunca desistiu dos seus projetos, mas revela que sempre houve entrave de tirá-los do papel, por conta da limitação de capital, em função da sua imagem arranhada junto aos investidores nacionais e internacionais.

Deu match

Quem conseguiu esse match entre os chineses e Eike foi a Rubicon Capital Partners, uma gestora recém-criada pelo executivo carioca, Pedro Pinto Guimarães, que trabalhou mais de cinco anos na PetroRio, deixando a empresa há um ano.

Veja também: PetroRio: Da lama ao luxo

Com bons negócios na Petroleira, Guimarães pode conhecer investidores chineses e sauditas que estavam avaliando co-investimentos com a empresa.

“Os chineses viram o Açu, a OGX e a MMX e disseram, ‘O Eike pensa muito como a gente, mas isso tudo que ele fez é coisa para governos fazerem, é escala de governo’” disse Pedro Guimarães.

Oportunidade de ouro

A nova empreitada entre os asiáticos e o ex-bilionário pode ser a oportunidade de ouro para que ele possa ressurgir no mundo corporativo e dos investimentos.

Segundo a CDIL, os chineses e Eike têm muitas coisas em comum, entre elas uma forma de  pensar em projetos com grandes horizontes de 30, 50 anos.

Eike “é um dos maiores desenvolvedores de recursos naturais da história,” o chairman do CDIL, Andy Lai, disse em entrevista em uma videochamada por Zoom de Hong Kong.

A parceria entre a CDIL e Eike será colaborativa, onde o empresário irá oferecer seu conhecimento e experiência como conhecedor dos maiores projetos de infraestrutura do Brasil, abrindo seu leque de projetos e a empresa entrará com o capital necessário.

No que tange aos commodities agrícolas ou metálicas, o CDIL garantiu a compra da produção na forma de offtake agreements, em tradução, contratos de compra mínima garantida).

Plano em ação

De modo a viabilizar a execução dos projetos, os sócios montaram uma holding em Hong Kong, onde a CDIL terá participação majoritária. O negócio prevê que os chineses arquem com os R$ 800 milhões da multa que Eike terá que pagar como parte de seu acordo com a Procuradoria Geral da República (PGM).

No entanto, a empresa chinesa não está preocupada com isso, para ela, seus investimentos em conjuntos com Eike vão atingir dezenas de bilhões de reais, da mineração à infraestrutura.

A mineradora MMX é o primeiro teste da nova parceria, no qual a CDIL já encontra-se negociando com os credores as dívidas da empresa, com objetivo de tirá-la da recuperação judicial.

Além disso, o pacote de projetos também contempla a criação de um parque de energia solar de 1.100 megawatts de capacidade, com os primeiros 300 sendo construídos numa área adjacente ao Porto do Açu. Os painéis devem ser fornecidos pela chinesa Trina Solar, uma das maiores produtoras de placas solares do mundo.

Ações disparando

Com toda essa movimentação, MMX Mineração e Metálicos, empresa do grupo EBX que atua na mineração de minério de ferro, voltaram para o radar dos investidores, após saltarem mais de 500% em 2020.

Nos últimos 30 dias, a MMX MINER (MMXM3) valorizou 94,19%, em virtude do possível retorno da exploração nas minas de propriedade da companhia.  Com isso, é esperado que haja esforço para reestruturação econômica e organização do pagamento de todos os credores da MMX e de suas subsidiárias.

Conclusão

Em suma, depois da ascensão e da queda de Eike Batista, ao que tudo indica, o empresário pode ter sim uma nova oportunidade. Pode dar certo? Pode. Mas creio que ainda não seja o momento para confiar plenamente nas promessas, afinal o que qualquer investidor quer ver , zeloso pelo seu precioso dinheiro, são aquisições, mais produção e mais resultados.

Segundo a Associação Brasileira de Investidores (Abradin), o comunicado alegando que o fato relevante divulgado pela empresa de Eike é mentiroso e fantasioso, tendo como objetivo manipular o mercado de capitais, lesando investidores.

De acordoAurélio Valporto, presidente da Abradin, “Há evidências de que esse investimento esteja sendo usado como uma forma de manipular o mercado e a Justiça, a fim de reverter a falência da empresa”.

Creio que de tempos em tempos, a depender das circunstâncias, o mercado tem suas “ações da vez” preferidas e charme do de não ficar de fora daquela “excelente oportunidade” fica quase irresistível.

Mas quando o assunto é Eike Batista, ultrapassar a racionalidade pode ser um perigo, fica apenas o aprendizado.

Veja também: Micos da bolsa: cilada ou oportunidade?

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