Lucas Bassotto

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Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

Com base em números de 2019, cerca de 78% do PIB global de US$ 86,31 trilhões é atribuído apenas às dezesseis economias do clube de trilhões de dólares. Se olharmos ainda mais de perto, os cinco principais países em termos de PIB nominal – Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e Índia – contribuem com 55% do PIB mundial.

Veja como a economia desses países vai se comportar em 2020, principalmente com a nova dinâmica que o Coronavírus trouxe nos últimos meses. A epidemia mudou completamente as previsões do FMI, casas de análise, economistas e outros especialistas.

A economia mundial já estava desacelerando e teria um crescimento médio menor em 2020. Contudo, a epidemia irá acelerar uma recessão que só estava prevista para 2021-2022. Os governos ao redor do mundo já estão anunciando pacotes fiscais e estímulos de créditos para conter a recessão. Os próximos três anos serão difíceis.

A tabela abaixo mostra a previsão do PIB para as principais economias mundiais:

Previsão de crescimento do PIB (FMI)201920202021
Estados Unidos2,3%-5,9%4,5%
China6,1%1,2%9,2%
Japão0,7%-5,2%3,0%
Alemanha0,6%-7,0%5,2%
Brasil1,1%-5,3%2,9%
crescimento da economia mundial fmi
Última previsão do FMI para as perspectivas de crescimento da economia mundial. O Covid-19 irá impactar severamente o crescimento de todas as regiões em 2020. Fonte: FMI

Estados Unidos

Os Estados Unidos, a maior economia do mundo, com um PIB nominal de US$ 21,44 trilhões, constituem 1/4 da economia mundial. A economia dos EUA é, principalmente, uma economia orientada a serviços, com uma contribuição de 77% para o PIB. 

Com a taxa de desemprego atingindo um dos índices  mais baixos da história, em 3,5%, a contribuição para o PIB vem da maioria (17 de 22) dos grupos da indústria e dos mercados de ações subindo a um dos níveis mais altos de todos os tempos, este foi um grande período para a economia dos EUA. 

No entanto, persistem problemas com seus parceiros comerciais e as guerras comerciais de Trump, o aumento dos níveis de dívida e sua produção industrial, entre outras questões. O problema entre os EUA e a China no comércio está impactando negativamente não apenas esses dois países, mas muitos outros. 

Um estudo da UNCTAD concluiu que “os consumidores nos EUA estão sofrendo o maior impacto das tarifas dos EUA sobre a China, pois seus custos associados foram amplamente repassados ​​a eles e importando empresas na forma de preços mais altos”. 

Durante 2018, o déficit comercial dos EUA com a China foi de US$ 419,52 bilhões, enquanto foi de US$ 320,82 bilhões durante os primeiros onze meses de 2019. Além disso, o déficit em conta corrente dos EUA, que reflete os saldos combinados no comércio de bens e serviços e renda fluxos entre residentes dos EUA e residentes de outros países foi de US$ 124,1 bilhões durante o terceiro trimestre de 2019 (ou 2,3% do PIB dos EUA).

Outro fator complicador é o Coronavírus. O FMI já está estimando a maior recessão desde a Grande Depressão de 1929. O vírus forçou comércios, empresas e indústrias a pararem. Muitos desses negócios já estavam fragilizados e precisaram optar por demissões ou fechar as portas. 

Como consequência, os EUA estão lidando com a maior taxa de solicitação no seguro-desemprego da história. Mais de 20 milhões de norte-americanos já solicitaram o subsídio. 2020 será um ano difícil para a economia americana, o FMI espera uma recessão de 5,9%.

China

A China, oficialmente República Popular da China, é a segunda maior economia do mundo e a economia de trilhões de dólares que mais cresce. Com um PIB de US$ 14,14 trilhões em 2019, compõe 16,38% da economia global. 

Quando comparada com base na paridade do poder de compra (PPP), a China é a maior economia com um PIB (PPP) de US$ 27,31 trilhões. 

Com base nos números de 2019, o tamanho do PIB nominal da China foi menor que o dos EUA em cerca de US$ 7,3 trilhões, espera-se que a diferença reduza para cerca de US$ 4,5 trilhões até 2024. A China está a caminho de se tornar uma economia de US$ 20 trilhões em 2024.

A China teve problemas com os EUA na frente comercial; uma série de tarifas e tarifas de contra-retaliação, entre outras restrições, resultaram em uma guerra comercial entre as duas maiores economias. 

Para evitar uma escalada adicional, EUA e China entraram em um acordo comercial no início de 2020 que envolve reversão parcial de tarifas passadas e pausa em aumentos adicionais de tarifas na primeira fase. 

Apesar do acordo, o Coronavírus, que surgiu em Wuhan, mudou todas as perspectivas econômicas para os chineses. A China terá sua primeira recessão trimestral em 28 anos. Espera-se que a economia chinesa tenha o menor crescimento já registrado no século XXI. O FMI projeta 1,2% de crescimento, o mais baixo no século XXI.

Além disso, eles terão que lidar com a desconfiança do ocidente na forma em como estão sendo transparentes em relação aos seus dados. Líderes mundiais estão acusando a China de ter maquiado as estatísticas do vírus.

Japão

O Japão, a terceira maior economia do mundo, contribui com quase 6% para o PIB global. A crise financeira de 2008-09 afetou a economia japonesa; foi a única grande economia avançada que experimentou uma recessão em 2008 e continuou a se contrair acentuadamente em 2009. 

O impacto da crise do subprime que se originou nos EUA na economia japonesa se deve principalmente ao forte impacto nas exportações do Japão. A economia permaneceu frágil desde então.

Quando o primeiro-ministro Shinzo Abe chegou ao poder em 2012, uma de suas prioridades era acabar com a deflação e garantir a disciplina fiscal. As iniciativas para revitalizar a economia tornaram-se popularmente conhecidas como “Abenomics”. O PIB do Japão atingiu US$ 5 trilhões em 2019 e deve crescer 0,7% em 2020. 

Esta é uma atualização das estimativas anteriores, que se baseiam no pacote fiscal de US$ 122 bilhões anunciado em dezembro de 2019. 

Com uma dívida em mais de 200% do valor do PIB, a economia japonesa se encontra fragilizada diante do Coronavírus. Shinzo Abe já anunciou pacotes de incentivo para evitar uma recessão mais grave. Ainda assim, a economia japonesa continuará sofrendo.

Alemanha

Com um PIB de US$ 3,86 trilhões, a Alemanha é a quarta maior economia do mundo e a maior da Europa. O Banco Mundial estima que aproximadamente 47,4% de seu PIB depende da exportação de bens e serviços, o que o torna vulnerável a choques externos. 

Isso ficou evidente durante a crise financeira de 2008-09, quando a economia se contraiu 5,7% (2009). No entanto, desde que cresceu nos últimos dez anos, em meio a múltiplos desafios. 

Nos últimos tempos, a economia foi afetada pelo comércio global lento, pela queda nos pedidos de exportação e na produção industrial. As disputas comerciais contínuas e a incerteza do Brexit, que pesam sobre a confiança dos negócios e o cenário de investimentos, agravaram ainda mais os problemas.

Apesar de os alemães estarem com a epidemia sob controle e voltando a reativar os serviços, o FMI espera uma contração de 7% na economia. Será um duro golpe não só para a Alemanha, assim como para todos os países que compõem o bloco do Euro. Ainda assim, a situação dos alemães é um pouco melhor quando comparada aos italianos e franceses, por exemplo.

Índia

A Índia, a quinta maior economia, tem sido frequentemente apelidada de “ponto positivo da economia global”, sofreu um rebaixamento substancial em sua projeção de crescimento pelo FMI. 

O crescimento da Índia foi impactado por questões específicas de cada país, como estresse no setor financeiro não bancário, declínio no crescimento do crédito, arrefecimento do consumo privado, desaceleração da atividade industrial e investimentos estagnados. 

Estão sendo tomadas medidas como a introdução de um imposto sobre bens e serviços, um código de insolvência, falência e medidas para recapitalizar os bancos do setor público.

No entanto, muito é necessário fazer para revitalizar sua economia, especialmente em áreas como reformas trabalhistas e infraestrutura, para garantir que a Índia seja reconhecida como forte concorrente na cadeia de suprimentos global.

A Índia também é outro país que está em lockdown e quarentena. A economia indiana deverá seguir a tendência mundial do PIB e ter uma redução no crescimento. 

Brasil

O Brasil estava fazendo o dever de casa, promovendo reformas estruturais como a previdência e já planejando uma reforma no serviço público e tributária. A relação dívida/pib estava começando a apresentar melhoras e a situação fiscal do país também estava ficando menos desconfortável.

As expectativas para o Brasil estavam elevadas, principalmente observando o mercado de ações, que estava na maior alta de todos os tempos. A política de juros baixos e risco-país controlado passavam a percepção de que o país teria um crescimento sustentável e responsável.

Contudo, todas as expectativas mudaram quando o dólar começou a subir e a moeda brasileira começou a se desvalorizar, perdendo 25% do seu poder de compra em dólar. Juros baixos tiraram a atratividade do país para investidores estrangeiros, que procuraram economias mais atrativas e também buscaram refúgio na moeda americana.

Hoje, o Brasil precisará passar por um período difícil, onde deverá aumentar seus gastos e piorar sua situação fiscal, para evitar um novo ciclo de depressão na atividadeatividadade econômica. O Banco Central deverá injetar até R$ 2 trilhões na economia. Ainda assim, é esperada uma dura recessão de 5,2%.

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