diversos tipos de investimentos com a finalidade de proteger o investidor contra a inflação

Tipos de investimentos contra a inflação

Muitos investidores cometem alguns equívocos ao investirem em renda fixa. Acreditando ser uma forma de investimento razoavelmente rentável e segura com ganhos acima da inflação. No entanto, falamos anteriormente sobre os perigos dessa “Segurança em renda fixa” e o porquê de não ser bem assim. 

Dessa vez, o tema são os diversos tipos de investimentos com a finalidade de proteger o investidor contra a inflação. Um deles, é o Tesouro IPCA, bastante lembrado como uma forma segura para esse propósito. Nesse sentido, em tempos de forte injeção monetária e bastante incerteza sobre a condução da política monetária e fiscal do país, torna-se necessário essa avaliação. 

Bem como falar sobre as diversas formas de se proteger contra a inflação. Sendo apresentado quatro tipos de investimentos diferentes que o investidor pode considerar no seu objetivo de proteção patrimonial. 

Entendendo o Tesouro IPCA 

Primeiro de tudo, é importante entender como funciona a composição desse título, o Tesouro IPCA, é um pós fixado que utiliza dois componentes em sua fórmula de cálculo, sendo a primeira, a variação do próprio IPCA somado a uma taxa pré fixada estabelecida no momento de negociação. 

Ou seja, o investidor que mantém o título até a sua data de vencimento de fato embolsa o valor pré acordado (taxa prefixada) mais a variação do IPCA no Período. No entanto, essa “proteção” de fato só é garantida se os títulos forem levados até o vencimento. 

 

Riscos atrelados ao Vencimento

Dessa forma, caso o investidor não leve o título até o vencimento, este está sujeito a variação do valor de mercado desse papel, se por um lado o aumento da inflação parece ser interessante, por outro corrói a parcela prefixada do investimento, anulando os ganhos em caso de venda antecipada. Visto que um eventual aumento na inflação, implica em aumentos nas expectativas das taxas de juros negociadas. 

Nesse caso específico de venda antecipada, quanto mais longe for o vencimento, maior a volatilidade do título e portanto o risco assumido. 

Um estudo divulgado pela casa de análise Spiti, apontou que quanto menor o vencimento do título, ou seja mais próximo da data de compra efetuada, maior a sua correlação com a aceleração da inflação. Em outras palavras, o estudo mostra que a correlação é positiva quando esses títulos têm no máximo um vencimento de dois anos. 

Porém, para os títulos longos, a correlação entre inflação e o rendimento do Tesouro IPCA inexiste ou se mantém como sendo levemente negativa. O que significa que tende a cair quando a inflação acelera. 

“Os títulos de curto prazo estão protegidos porque seu preço está mais associado à perspectiva de inflação do que à perspectiva de juros. Além disso, o impacto da inflação na Selic é algo que demora cerca de seis meses a um ano para efetivamente acontecer. Por isso o impacto é maior a longo prazo”, afirma Guilherme Cadonhotto, especialista em renda fixa da Spiti.

Três outras opções de investimento contra a inflação

Reserva de Valor como combate a inflação

Enquanto as moedas fiduciárias dependem de fatores políticos e possuem oferta infinita, ativos que possuem o fator escassez tendem a se valorizar em relação a essas moedas. 

Isso porque o limite de oferta desses produtos tende a deflacioná-los em relação às moedas tradicionais. 

O ouro e o Bitcoin são exemplos de ativos que possuem suas ofertas limitadas, o ouro pela própria natureza e o Bitcoin devido a sua programação. Algumas características presentes nesses ativos, o tornam reservas de valor interessantes, como imutabilidade, escassez e o fato de não poderem ser falseáveis. 

Investimento em moedas como combate a inflação

Historicamente, moedas de países desenvolvidos se mostram como uma importante opção quando se pensa em reserva de valor. Dessa forma, moedas como a libra esterlina e o dólar geralmente se mostram como uma forma confiável de reserva de valor, graças a maior responsabilidade fiscal do governo desses países. 

No entanto, como já dito, as moedas tradicionais estão sujeitas a manipulações políticas e possuem oferta ilimitada. Além disso, estamos vivenciando um momento em que os bancos centrais estão injetando muito dinheiro nas economias, o que deve causar inflação mesmo nesses países. 

Assim sendo, uma boa forma de se expor a elas então, é através ações estrangeiras ou fundos negociados em bolsa, também conhecidos como ETFs. No Brasil há algumas opções interessantes para isso, uma delas é investir através de corretoras brasileiras comprando (BDRs) a outra é diretamente nesses mercados através de corretoras estrangeiras que já atuam por aqui de forma bastante facilitada. 

Investindo em imóveis como combate a inflação

Um dos tipos de investimentos mais populares do Brasil, devido ao trauma com os anos de forte inflação. Os imóveis se tornaram um porto seguro dos brasileiros, sendo percebidos como forma de proteção do patrimônio.

Entretanto, comprar imóveis pode ser custoso, além do valor alto, deve-se levar em consideração os custos fixos como impostos e taxas. Além do mais, caso queira uma rentabilidade mensal é necessário encontrar um locatário, que não arrume problemas e pague o aluguel devidamente em dia. 

Dessa forma, pode ser interessante investir em Fiis, fundo de investimentos imobiliários, ao investir nesses fundos, você estará comprando participações em imóveis, como prédios comerciais, galpões e shoppings, recebendo ainda proventos mensais do resultado gerado a partir dele. 

Conclusão 

As quatro opções apresentadas são bastante interessantes como forma de proteção contra a inflação. Importante destacar que mesmo os títulos indexados ao IPCA, possuem o risco de não ganharem da inflação em um cenário onde o investidor resgata o papel de forma antecipada.

Bem como os Imóveis e ativos estrangeiros podem ser interessantes, mas também possuem algumas particularidades ligadas ao cenário econômico, como o risco de emissão infinita no caso das moedas e o risco de crise imobiliária no caso de imóveis.  

Por outro lado, os ativos que se colocam como Reserva de valor, historicamente se mostram bastante eficientes. Dessa forma, apesar de sua volatilidade, o Bitcoin tem sido bastante utilizado com essa finalidade, recentemente até mesmo Ray Dalio, fundador do maior hedge funding do mundo, declarou que prefere Bitcoin a títulos públicos, destacando ser uma alternativa semelhante ao ouro para utilização como reserva de valor. 

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