Selic a 2% e fim do forward guidance. Mas o que isso significa?

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu por manter a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, em 2% ao ano. Essa decisão tomada ontem (20) pelo Banco Central já era a mais esperada pelos especialistas do mercado financeiro.

Desde que começou em agosto de 2020, a taxa de 2% ao ano se repete pela terceira vez consecutiva nas decisões do Comitê, mesmo com o aumento relevante da inflação que já vem ocorrendo há algum tempo.

A inflação, através do índice IPCA, cresceu cerca de 1,35% só no mês de dezembro do ano passado, acumulando cerca de 4,52% durante o ano de 2020. Com isso, a perspectiva é de que em 2021 ocorra uma alta nos juros brasileiros, inclusive na Selic.

O preço de commodities, principalmente tratando-se da soja e do petróleo, tem auxiliado bastante no aumento dos índices inflacionários no Brasil. Além disso, grande parte está ligada ao fortalecimento do dólar frente ao real.

A inflação nesse caso é um fator importante para a decisão do Copom sobre manter ou não a taxa básica de juros do Brasil. O Copom analisa isso com base na estimativa do centro da meta da inflação para o ano.

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Na prática, isso representa que se o centro da meta da inflação para 2021 está em 3,75% ao ano, o IPCA poderia ficar em algum valor mínimo e máximo que estivesse dentro da faixa de 2,25% e 5,25%, cuja média é o próprio 3,75%.

É com base nesta média e a perspectiva mais positiva em relação ao cumprimento dela, é que o Comitê leva em conta na hora de tomar a decisão de manter novamente a taxa de juros no patamar que está ou se é necessário uma alteração para mais ou para menos.

Uma decisão diferente das últimas que ocorreu nesta reunião do Copom, é que estabeleceu-se o fim do Forward Guidance. Mas afinal, o que significa isso?

O fim do Forward Guidance. Mas o que é isso?

Essa expressão em inglês se refere a uma prescrição futura, ou então uma intenção futura. Esse termo começou a ganhar força mais por volta da crise de 2008, durante a recessão econômica americana, frente a uma grande especulação imobiliária do país.

Nesse momento de crise, os EUA precisaram forçar a baixa dos juros no país durante os anos de 2008 e 2009, a fim de que se encontrasse um estímulo na economia em meio ao caos que se vivia da retração do PIB americano.

Nesses momentos atípicos, o Banco Central do país apresenta algumas ferramentas de política monetária importantes que se possa utilizar, e assim, dar um fôlego extra ao setor econômico. Entre essas ferramentas, está a redução da taxa de juros.

Na insuficiência de apenas abaixar os juros frente ao cenário caótico que vivia o país, os EUA adotou em seu discurso aos investidores o termo Forward Guidance, que por sua vez, quando essa ferramenta é adotada, ela funciona como uma garantia a esses investidores e também à população em geral de que esse juros serão mantidos baixos por um determinado período de tempo, sejam meses ou até anos.

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Nessa mesma linha, o Brasil estava seguindo essa política de Forward Guidance, sendo assim, a partir do momento que o Copom decide dar um fim a esse discurso durante a última reunião de ontem, nada mais impede de que as taxas de juros no Brasil possam aumentar nas próximas reuniões do Copom.

Esse mecanismo havia sido adotado no cenário brasileiro, afirmando-se que permaneceria a taxa de juros em 2% até que se atingisse a meta da inflação ou que pelo menos se aproximasse destas metas, como ocorreu ao final deste ano.

Em comunicado, o Copom afirmou: “Segundo o Forward Guidance adotado em sua 232ª reunião, o Copom não reduziria o grau de estímulo monetário desde que determinadas condições fossem satisfeitas. Em vista das novas informações, o Copom avalia que essas condições deixaram de ser satisfeitas”.

Apesar dessa perspectiva, o fim do Forward Guidance não implica numa imediata subida dos juros. Sobre isso, o mesmo comunicado diz: “O Comitê reitera que o fim do forward guidance não implica mecanicamente uma elevação da taxa de juros, pois a conjuntura econômica continua a prescrever, neste momento, estímulo extraordinariamente elevado frente às incertezas quanto à evolução da atividade”.

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