Lucas Bassotto

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Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

No século 21, todas as bolsas migraram para o sistema de pregão eletrônico. Aquelas imagens das bolsas lotadas de pessoas gritando no telefone ficou para o passado. Hoje só trabalham os funcionários da própria bolsa, que têm o objetivo de dar estabilidade ao sistema.

Com a digitalização dos leilões, vimos técnicas com robôs e algoritmos ganharem um grande espaço, tais como High Frequency Trading e Algotrading. No HFT, executam-se até milhares de ordens em poucos minutos, para aproveitar oportunidades pequenas, mas seguras. No Algotrading, o robô executa a lógica que o operador programou, podendo ela ser de High Frequency Trading também.

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Os sistemas de pregão viraram as corretoras, que fazem esse intermédio entre comprador e vendedor. Quando uma ordem de compra e uma ordem de venda dá “match”, o negócio é fechado. Resumidamente, a vida dos operadores ficou pelo menos 1 milhão de vezes mais fácil em relação ao passado.

Hoje, para obter dados e indicadores de mercado, basta assinar plataformas como MetaTrader e TradingView, bolar uma estratégia e começar a operar na mão, usando o sistema de uma corretora ou de terceiro. Em uma questão de segundos, sua ordem chega no sistema. O problema está nesse “questão de segundos”.

Homem vs máquina

Quem opera em gráficos de intervalo muito baixo (1 minuto à 1 hora) está sujeito a ter grandes perdas financeiras, porque está competindo com o robô. Existem vários argumentos para defender este ponto de vista, mas o principal deles é a rapidez que o robô consegue executar uma ordem.

Hoje, a maioria dos trades em grandes corretoras são feitos por robôs. Eles conseguem executar e cancelar ordens em uma velocidade que qualquer ser humano nem pensa em conseguir. E isso faz toda a diferença, porque eles conseguem reposicionar ordens para obterem melhores entradas.

Alguns traders mal intencionados podem inclusive manipular o livro de ordens para influenciar o mercado a ir em uma direção. Essa técnica é conhecida como “spoofing”, e é proibida em mercados regulados, mas que ainda pode acontecer, especialmente no mercado de criptomoedas.

Em alguns casos, existem “Livros de Ofertas Fantasma”, onde as execuções e cancelamentos de ordens são tão rápidos que podem aparecer alguns segundos na interface web da corretora. Enquanto isso, os robôs estão negociando neste livro paralelo, obtendo grande vantagem frente ao trader de varejo.

Além disso, os robôs não têm psicológico. Eles reagem a eventos da forma que foram programados para fazer, e com o bônus de funcionarem 24 por dia, a depender do horário de funcionamento do mercado.

Outra técnica de manipulação que traders mal intencionados podem usar é o “Stop-hunt”, onde eles fazem o preço cair ou subir de forma muito rápida, acionando as ordens de stop, que servem para proteger o usuário do prejuízo. O problema é que eles ativam essas ordens e logo depois fazem o preço do ativo subir, só para tirar alguns desavisados da jogada.

Quem opera por robô, prefere estratégias de baixo risco, como arbitragem e market making, que tem o objetivo de explorar a diferença de preço entre corretoras e também dentro da própria corretora. 

O trader de varejo também tende a sair na desvantagem contra estas duas estratégias, porque ele assume muito risco, paga taxa para corretora e ainda precisa lutar com os robôs nas suas estratégias. 

Além disso, toda informação na qual ele tem acesso é pública e facilmente consultável pelo mercado. Logo, seus ganhos são diluídos entre todos os participantes e alguns robôs também podem operar no lado contrário dos indicadores, isto é, vender quando indica compra.

Se não pode com eles, fuja ou junte-se a eles

A melhor maneira de evitar sair na desvantagem é fazer trades de posição, aqueles que podem durar 1 semana, 1 mês e até 1 ano, utilizando gráficos de tempos maiores (mínimo de 4h). Com isso, uma grande desvantagem já é evitada: a de lutar contra a rapidez dos robôs de trade.

Olhando para tempos gráficos maiores, também temos uma noção melhor de movimento, embora o gráfico seja apenas uma ferramenta de auxílio. O melhor a se fazer para tomar uma decisão é estabelecer uma tese de investimento para justificar sua decisão antes de entrar no trade.

Com essas práticas, o trader de varejo sofre bem menos com as corretoras (pagará menos taxa de corretagem), com os robôs e com eventuais manipuladores. No entanto, é possível se juntar ao lado dos bots e criar estratégias, embora a competição seja muito alta. 

No entanto, isso requer um esforço tão grande que talvez seja inviável para uma pessoa que não pode dedicar tempo para isso. Por isso, apenas os investidores institucionais e mais qualificados têm acesso a essas tecnologias. 

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