Lucas Bassotto

Escrito por

Author

Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

Informações do G1

Os pedidos de falência no país cresceram 30% em maio, na comparação com abril, segundo indicador da Boa Vista divulgado nesta quinta-feira (4 de junho).

O levantamento mostra também que os pedidos de recuperação judicial e as recuperações judiciais concedidas aumentaram 68,6% e 61,5%, respectivamente, na comparação com o mês anterior.

Apesar da disparada dos processos de insolvência de empresas em meio à pandemia, no acumulado em 12 meses os pedidos de falência ainda registram queda de 25% e as falências decretadas recuo de 21,6%. 

Já os pedidos de recuperação judicial apresentaram alta acumulada de 3,7% em 1 ano, e as recuperações judiciais deferidas registram avanço de 2,4%.

É esperada uma disparada no número de casos de quebra de empresas nos próximos meses diante da perspectiva de um forte tombo da economia brasileira e mundial em 2020 e das dificuldades financeiras das empresas em meio à pandemia de coronavírus.

“De acordo com os resultados acumulados em 12 meses, ainda se observa a continuidade da tendência de queda nos pedidos de falência e falências decretadas. No entanto, esse movimento estava atrelado à melhora nas condições econômicas apresentada entre 2017 e o início deste ano. 

Agora, com os impactos econômicos causados pela chegada do novo coronavírus, e como já observado na análise mensal, a tendência é de que as empresas encontrem maiores dificuldades em dar continuidade a esse movimento nos próximos meses”, destaca a Boa Vista.

O indicador da Boa Vista é elaborado com base na apuração dos dados mensais registrados na base do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), oriundos dos fóruns, varas de falências e dos Diários Oficiais e da Justiça dos estados.

Setor de serviços é o mais sensível

O setor de serviços é um grande gerador de emprego e também possui grande participação na formação da economia brasileira. Contudo, o Brasil está em quarentena, seja ela parcial ou total. Com isso, muitos estabelecimentos estão completamente fechados ou parcialmente abertos.

Algumas empresas conseguiram se adaptar para vender pela internet através de delivery, mas nem todas conseguiram essa adaptação. Com isso, a receita de todo setor está sufocada, o que implica em cortes e redução de quadro de funcionários. Quando não adianta, as empresas entregam suas lojas e declaram falência.

Como o setor de serviços emprega muitas pessoas, a tendência é que haja um aumento do desemprego, embora projeções para o momento tendem a ser pouco assertivas porque o Brasil ainda com casos seguindo em uma curva crescente. O setor está tão prejudicado que capitais como Rio de Janeiro e São Paulo já estão liberando aos poucos que mais estabelecimentos voltem a funcionar.

A projeção do mercado financeiro, refletida no Boletim Focus, mostra uma expectativa de retração de 6,25% na economia brasileira. Em 2019 o crescimento era lento, mas indicava potencial para acelerar. No entanto, a pandemia mudou todas as perspectivas e o Brasil irá sofrer com as dores.

Por outro lado, a economia está com os juros no menor patamar da história: em 3% a.a. Porém, estes juros raramente chegam ao cliente final. Mas de fato o acesso ao crédito e a taxa de juros para clientes vem caindo. Os bancos deverão facilitar ainda as condições de prazo, juros e pagamento. 

O Brasil pode demorar para se recuperar do tombo, mas o importante é que o governo não tome nenhuma atitude imprudente no processo. Caso contrário, as consequências chegarão mais para frente, como aconteceu entre os anos de 2014 e 2016, que foi uma conta que pagamos para escapar da recessão de 2008.

Escute nosso podcast sobre as finanças de um empreendedor:

Write A Comment