Ouro, juros e inflação, qual a relação?

Ouro, juros e inflação, qual a relação?

Antes de entender como a inflação e a taxa de juros influenciam na cotação do ouro, entenderemos o surgimento dessa commodity e entender o funcionamento da taxa de juros para conter a inflação dentro de um país. 

O ouro, por ser matéria-prima para outros produtos finais e ser um produto escasso, é um bem que pode ser utilizado como moeda de troca, sendo precificado de acordo com oferta e demanda desse produto. Na história, muitos países utilizaram esse item como reserva de valor, o que é feito até hoje.

Adentrando na história

Antes da I Guerra Mundial, o mundo vivia o padrão-ouro, onde suas moedas eram lastreados ao ouro para fins de comercialização global.  Após o tratado de Bretton Woods — decorrente da II Guerra Mundial, estabeleceu-se que US $35 equivaleria a 1 onça troy (31,1g) de ouro, no regime de câmbio fixo.

Com isso, os países que aderiram ao sistema ficaram expostos ao dólar e indiretamente ao ouro. Agora que entendemos um pouco da história do ouro, deixaremos esse assunto em espera e entenderemos mais sobre inflação e juros.

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Sobre a inflação e os juros

A inflação historicamente assombra muitas nações pelo fato de que com o seu aumento a população perde seu poder de compra. Mas por que a inflação existe e em alguns países ela é mais elevada do que em outros? Então, nesse caso, a inflação surge sempre que falamos em desequilíbrio. Na economia, estudamos algo chamado balanço de pagamentos, onde podemos enxergar qual o caminho que o país tem feito em relação às importações e exportações.

Uma nação que exporta mais, tem algo que chamamos superávit e, consequentemente, uma que importa mais, damos o nome desse fenômeno de déficit. Um déficit pode gerar desaceleração da economia e desemprego para o país, o que é muito ruim e os países logo querem resolver esse problema; já para países com superávit, estão com o nível de emprego pleno e estão bem no cenário global. 

Com o desequilíbrio comercial, os países em déficit ficam com sua moeda forte, pois muitos querem exportar para eles, o que do outro lado é bom para competitividade.

Exemplificando

Temos o minério Z que pode ser vendido para a China por uma empresa X dos EUA, e uma outra empresa Y do Brasil.

O que é mais favorável comercialmente? Nesse caso, estando o real depreciado frente ao dólar, e o dólar sendo uma moeda forte, é mais favorável e competitivo para a China obter o minério Z do Brasil, pois tem um menor custo, favorecendo a importação de países com moedas mais fracas. 

Uma medida para controlar o desequilíbrio é se desfazer de suas reservas de valor, para os deficitários e injetar dinheiro na economia, no caso dos superavitários. Esses estímulos monetários na economia causam um aumento na demanda, o que se não for acompanhado da oferta, pode gerar uma inflação de demanda, causada pela expansão da renda e aumentando os preços de determinados produtos.

Inflação no Brasil

Essa inflação é possível ser observada no Brasil, que por conta da Covid-19 limitou a oferta e o Brasil, tendo injetado dinheiro na economia, dando diretamente aos mais pobres, houve um aumento grande na demanda por produtos específicos e essa demanda, não sendo acompanhada pela oferta, aumentou abruptamente a inflação.

Uma medida que pode ser considerada para conter a inflação é a utilização de técnicas econômicas como o aumento da taxa de juros nominal do país. Além disso, o aumento dessa taxa leva a uma grande desaceleração da economia, pois o país perde a possibilidade de assumir dívidas e se alavancar para fomentar o empreendedorismo e o crescimento individual financeiro de cada cidadão. Essa política é utilizada por muitos países que querem conter a inflação.

No Brasil, o responsável pelo aumento da taxa de juros nominal é o Banco Central, por meio do seu Comitê de Políticas Monetárias. O COPOM, como é chamado o Comitê, baseado na meta de inflação estabelecida pelo Banco Central, estabelece o aumento ou a diminuição da taxa.

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Como fugir da inflação?

Outra medida utilizada por alguns brasileiros é utilizar o mercado financeiro como investimento para não perder seu poder de compra. Uma medida muito utilizada nessa época é realizar alocações no tesouro direto, onde o Tesouro Nacional vende títulos da dívida pública prometendo um rendimento atrelado à inflação, a uma taxa fixa de juros ou à taxa Selic estabelecida pelo Comitê, como vimos acima.  

Além disso, outra forma de investimento para fugir dessa alta da inflação, utilizada por muitos fundos como hedge é investir em ouro. Lembra do ouro que falei que estava atrelado ao dólar em regime de câmbio fixo?

Então, hoje, o regime é de câmbio flutuante, pois os EUA após 1971 vivia em grandes déficits no seu balanço de pagamentos e com isso, não era mais vantagem vender ouro a preço fixo, pois precisava desfazer de suas reservas e o dólar, por conta da guerra do Vietnã e a posterior crise do petróleo em 1973, vinha se desvalorizando.

Com isso, o Presidente Richard Nixon resolveu acabar com a venda de ouro a preço fixo. Com isso, o Ouro passou a ser utilizado como reserva de valor, como era anteriormente, mas com o viés atual de proteção contra a inflação.  Fundos conhecidos apostam na estratégia de ouro como hedge a longo prazo.

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Conclusão

No início do governo Biden e por consequência do desemprego causado pela pandemia do coronavírus, o presidente impôs um pacote fiscal para ajudar o país, com esse aumento monetário, como já visto acima, elevou a inflação do país e, como os EUA já não tinham um aumento desses desde 2007, os investidores começaram a olhar com cautela, pois não se sabe se é um caso duradouro ou passageiro para o Federal Reserve (Fed) — equivalente ao Banco Central brasileiro nos EUA — aumentar a taxa de juros do país.

Com isso, muitos fundos começaram a comprar ouro, de modo a não ver seu patrimônio desvalorizar frente aos ativos liquidados no país, pois com o aumento da inflação e a não elevação da taxa de juros nominal, há uma inversão da taxa de juros real, deixando-a negativa. A taxa de juros real é equivalente à taxa de juros nominal descontada da taxa de inflação. Em suma, com o juro real positivo, o investidor tem o seu aumento de capital garantido e o seu poder de compra superado.

Veja também: Política fiscal e seu impacto na economia, devemos nos preocupar?

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