O que esperar para o mês de abril?

O que você precisa saber para investir em abril

Um ano se passou desde a chegada da pandemia no Brasil e o cenário ainda continua nebuloso, devido à preocupação com o avanço do coronavírus, às incertezas do ritmo da imunização no país e as questões políticas e fiscais que parecem nunca sair do lugar.

Há um ano foi marcado o fundo do poço das bolsas mundiais, por conta dos efeitos da pandemia. O S&P 500, índice que reflete o desempenho das 500 maiores empresas americanas de capital aberto, caiu 34% desde seu ponto mais alto em 19 de fevereiro até 23 de março, se recuperando fortemente em seguida, impulsionado principalmente pelas ações de tecnologia, que foi o segmento menos impactado pelas medidas de restrição.

O que esperar para o mês de abril?
IBOV – Fonte: Tradingview

Aqui no Brasil, o Ibovespa, índice da Bolsa de Valores brasileira que calcula a média de desempenho das principais ações negociadas na B3, chegou em 61.690 pontos, após diversos circuit breakers.

O que esperar para o mês de abril?
S&P – Fonte: Tradingview

Naquele momento, os investidores estavam monitorando intensamente os impactos da doença na economia global. O Brasil já registrava novos casos do coronavírus e o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmava ser “uma crise passageira”.

Atualmente, apesar de o país viver o pior momento da pandemia da Covid-19, o investidor brasileiro se mantém otimista, com a esperança de dias melhores à frente.

Como resultado, no mês de março o Ibovespa (IBOV) acumulou alta de 6%, o primeiro desempenho mensal positivo do ano, com os shoppings centers liderando os maiores ganhos, tendo em vista que essas empresas tendem a se beneficiar da reabertura da economia.

Mas afinal, o que você precisa saber para investir em abril?

Vacinação determinará o sucesso da economia

Sabemos que a vacinação é a única forma de controlarmos a pandemia. A realização de uma vacinação vagarosa põe em risco a vida de inúmeras pessoas, que podem adquirir contato com o vírus e sofrerem adoecimentos, internações e até mesmo óbitos, exponencialmente.

Creio que talvez já seja o momento do Brasil repensar em uma política de fomento à inovação e priorização de investimentos em ciência e tecnologia da saúde. A pandemia mostra que esse é um investimento que salva vidas, dando ao país, projeção, influência global e de sobra, ainda é rentável.

Hoje o Brasil consegue vacinar, porém, só falta a vacina. Esse é um dos principais desafios para o acesso mais amplo e rápido à vacina, ou seja, a capacidade de produção das indústrias farmacêuticas.

Há uma demanda global, e países de renda média, como o Brasil, estão em desvantagem por não terem os mesmos recursos para fazer reserva de mercado e não serem elegíveis para receber doações, como os países de renda baixa.

Restam ao Brasil e semelhantes às iniciativas de colaboração internacional, como a Covax Facility, da OMS, acordos com empresas estrangeiras para transferência de tecnologia, compras diretas com desenvolvedores de vacinas ou, ainda, a produção de tecnologia própria.

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O grande problema do ritmo lento da imunização no país é contatado com a velocidade de disseminação da doença no país. Para se ter uma ideia, apenas na última terça (30) o Ministério da Saúde informou que morreram 3.780 pessoas em 24 horas, o pior registro diário de mortes até então.

Como resultado, enquanto os casos continuam subindo, a economia continua enfraquecida e como medida paliativa, novos estímulos, como, por exemplo, o auxílio emergencial, que irá realizar uma nova rodada de pagamentos a partir do dia 6 de abril de 2021.

A solução pode parecer simples e muitos podem dizer que “enquanto a vacinação não ocorre, mais dinheiro pode ser injetado na economia“, no entanto, a questão está longe de ser resolvida assim.

Novos pacotes de estímulos, como, por exemplo, do Governo Americano, que já alocou quase 40% do PIB em pacote de infraestrutura, fazem a inflação ganhar força e pressionar a taxa básica de juros.  Por outro lado, com mais liquidez na economia, os commodities devem continuar sendo beneficiados, enquanto o dólar pode ser pode empurrado para baixo.

O que esperar do Brasil em abril?

O Brasil ultrapassou 12 milhões de casos de COVID-19 no mês passado e continua batendo recordes de mortalidade. Por outro lado, já distribuiu mais de 17 milhões de doses da vacina, o dobro do mês anterior.

No entanto, ao olharmos para as doses administradas proporcionalmente à população, o Brasil vacinou 8,32% da população,

 

O que esperar para o mês de abril?

Para que você possa ter uma noção, a cada 100 brasileiros, sete já receberam pelo menos uma dose das vacinas disponíveis contra o novo coronavírus. Desse modo, em uma lista com 151 países, o Brasil encontra-se em 72º lugar no ranking mundial de aplicações de doses de vacinas.

Os dados são do Our World Bank, base de dados mantida pela Universidade de Oxford, que foi atualizada até o dia 30 de março de 2021.

O que esperar da bolsa de valores

Grande parte dessa demora diz respeito à  falta de gestão da pandemia e coordenação entre os três níveis de governo (federal, estadual e municipal) que travam a pauta econômica, os investimentos, os empregos e a imagem do Brasil no exterior.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse na quarta-feira (31) que o Governo Federal não pode assumir a responsabilidade pelo cronograma de entrega de vacinas contra a Covid-19. Ele argumentou que esse compromisso diz respeito aos laboratórios nacionais e internacionais que fizeram acordo com a União.

Apesar de o mercado indicar projeções com aumento no ritmo de produção e vacinação neste mês, notícias de atraso no cronograma e negativas da Anvisa para a certificação de boas práticas das empresas fabricantes das vacinas, podem mudar as projeções.

O perigo da inflação

Entra e sai mês e não podemos deixar de citar aqui a temida inflação. No Brasil a inflação atingiu 5,20% em fevereiro, no acumulado de 12 meses.

IPCA 2021

Além disso, o aumento do preço dos alimentos, causado tanto pelo aumento da demanda quanto pela menor produção, a elevação dos preços internacionais de commodities, os níveis depreciados da taxa de câmbio, com o dólar mais alto e problemas de abastecimento em alguns setores industriais causados pela pandemia,  aumentando as exportações e a reduzindo da oferta no Brasil, são fatores que continuam pressionando a inflação no curto prazo.

Segundo o Relatório Focus, divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central, a expectativa para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021 subiu de 4,71% para 4,81%.

Como se proteger da inflação?

Os ativos que mais se beneficiaram nos últimos 25 anos em momentos de alta da inflação no Brasil foram ações, commodities, ouro e dólar americano. Entretanto, os índices Ibovespa e Small Caps apresentaram desempenho inferior.

Sabendo que a moeda brasileira, geralmente, costuma perder valor frente ao dólar, toda vez que o mercado desconfia da capacidade do governo de cumprir as metas de inflação, a decisão mais lógico seria alocar parte do seu dinheiro na moeda americana ou em fundos cambiais, em buscar proteção em cenários como este.

Para os mais  conservadores, há a opção de se exporem em ativos de renda fixa indexados à inflação, como títulos públicos do tipo Tesouro IPCA+, combinando uma parte de retorno prefixado, definido no momento da compra do papel, e o restante indexado à inflação, medida pelo IPCA.

Risco-Brasil ainda no radar

O mau desempenho da economia brasileira em 2020 não surpreendeu ninguém. No entanto, as restrições à atividade econômica por tempo indeterminado, a deterioração das contas públicas, a desvalorização da moeda e as incertezas quanto às reformas deixam a vida do investidor brasileiro cada vez mais difícil.

O endividamento do governo, por exemplo,  já estava alto mesmo antes da pandemia, contudo, com a crise atual, o Governo precisou gastar mais para dar suporte à economia, aumentando a dívida.

O que esperar da bolsa de valores

O último Relatório de Mercado Focus apontou a projeção para o resultado primário do governo em 2021. A relação entre o déficit primário e o PIB este ano passou de 3,00% para 3,10%. Há um mês, o percentual estava em 2,80%.

Já a relação entre déficit nominal e PIB em 2021 passou de 7,10% para 7,50%, conforme as projeções dos economistas do mercado financeiro. Há quatro semanas, esta relação estava em 7,00%.

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O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. Já o resultado nominal reflete o saldo já após as despesas com juros.

Além disso, os efeitos da inflação mais alta obrigam o Banco Central a aumentar a taxa de juros, fazendo com que as despesas do Governo cresçam proporcionalmente a essa alteração.

Sabendo disso, a Organização das Nações Unidas (ONU) fez um alerta na última segunda-feira (29) para um possível risco de países em desenvolvimento, como o Brasil, não pagarem suas dívidas por conta dos efeitos fiscais da pandemia do novo coronavírus.

Para os investidores, a solução encontrada, em busca de melhor rentabilidade e proteção em moeda forte, foi globalizar seus investimentos, tendo em vista as oportunidades de neutralização do Risco-Brasil no mercado internacional.

O grande impacto

A economia funciona, muito das vezes como um grande efeito dominó, vejamos: O risco de termos gastos fora do teto afetam as expectativas de inflação, que por sua vez, estando alta, fazem com que a taxa básica de juros suba e por consequência alteram seus investimentos, tanto na renda fixa, quanto na renda variável.

Na Bolsa de Valores essa incerteza traz grande volatilidade e o câmbio acaba sofrendo o que já observamos a dias, a alta do dólar e consequentemente, depreciação do real.

No caso da renda fixa, o aumento do risco pressupõe um movimento de achatamento da curva de juros, ou seja, indicando juros mais altos tanto no curto como no longo prazo.

O que esperar da bolsa de valores

Devido às incertezas sobre o Risco-Brasil, com possibilidade de um novo aumento nas taxas de juros, a rentabilidade dos títulos prefixados talvez seja um bom negócio.

Conclusão

Em suma, possuir uma carteira diversificada, com exposição à renda fixa, renda variável brasileira e internacional, torna-se muito positivo para balanceamento e a rentabilidade do portfólio de investimento, não só para o mês de abril, mas ao longo do tempo.

Não há dúvidas de que a Bolsa de Valores brasileira ainda oferece oportunidades, com empresas que possuem ótimos fundamentos, alta qualidade e gestão eficiente, mas que,  por conta da pandemia, obtiveram resultados ruins. Não se deixe enganar, comprar “bom e barato” continua sendo um ótimo negócio.

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