O que esperar da bolsa no mês de fevereiro ?

O mês de janeiro foi uma verdadeira montanha-russa para a bolsa brasileira. Logo na primeira semana do ano, o Ibovespa obteve seu recorde histórico de fechamento,  125.076,63 pontos. Mas tudo que é bom dura pouco e em seguida começou a despencar, encerrando o mês janeiro aos 115.067,55 pontos, o que significou um recuo mensal de 3,32%. 

Mas afinal o que esperar da bolsa no mês de fevereiro? O mais curto de negociações do ano, com apenas 18 pregões.  

A vacina chegou, mas preocupações continuam 

Uma pequena parte das vacinas já chegaram no Brasil, no entanto, problemas relacionados ao recebimento de insumos e as incertezas acerca do cronograma de vacinação, geram desconfiança quanto a efetividade do controle da pandemia em 2021. 

Para que você possa ter uma ideia, no mês de janeiro, o país vacinou o equivalente a 0,9% da população. O que significa que, no ritmo atual, para que toda a população esteja 100% vacinada, levaria quatro anos, segundo cálculo do painel MonitoraCovid-19, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Além disso, quanto mais tempo demorar para a população brasileira ser vacinada, maior será a pressão política para que o Governo Federal prorrogue o auxílio emergencial, declinando ainda mais a situação da dívida pública do País. 

No cenário global, os investidores também devem acompanhar o avanço das novas cepas do coronavírus pelo mundo, que podem gerar ambientes de maior volatilidade e incertezas. A variante do coronavírus já foi encontrada em pacientes de Manaus e São Paulo, sendo considerada mais transmissível pelas autoridades sanitárias. 

O medo é que ela se espalhe pelo resto do país, aumentando a sobrecarga dos sistemas de saúde, o número de mortes e prejudicando seriamente a recuperação econômica. 

Atenção ao feriado

Como dito anteriormente, o mês de fevereiro terá o menor número de pregões do ano de 2021, isso porque, apesar da festa ser suspensa, o feriado de Carnaval foi mantido, sendo responsável pela retirada de dois dias (15 e 16) de funcionamento da B3.

É importante ressaltar que em períodos de feriado no Brasil, como o de carnaval, a atenção deve ser redobrada, tendo em vista que, com a bolsa fechada, nos tornamos reféns do cenário internacional, onde podem ocorrer ajustes de grande escala em um único dia. 

Além disso, por ser um período típico de férias, a retirada de liquidez pode ocorrer, refletindo diretamente nos preços, tendo em vista que, com menos liquidez nos papéis, movimentos menores podem gerar mais impactos nos preços dos ativos. 

Volatilidade é o nome do jogo 

O Índice Vix, responsável por medir a volatilidade futura de ações do S&P 500, subiu bastante no mês de janeiro. Seu patamar atual, de 26, é cerca de nove pontos acima da média da década, representando uma aversão ao risco maior, com busca por proteção. 

Isso significa que a volatilidade acentuada do mercado representa um risco maior de uma aplicação, pois, do mesmo modo que a ação pode valorizar rapidamente, também pode “derreter”a nível de preço. 

Existem algumas razões para o aumento do índice, uma delas diz respeito ao aumento substancial da procura por ações de tecnologia lá fora, como parte da solução para o isolamento social em tempos de pandemia. Quando essa opinião se inverte, é normal que o mercado venha a liquidar suas posições, realizando seus lucros, aumentando ainda mais o Vix. 

Outro motivo diz respeito ao processo de aprovação do pacote trilionário de estímulos de Joe Biden. O plano do presidente era gerar um pacote de US$ 1,9 trilhão, com objetivo de combater a pandemia e dar assistência às famílias e às empresas. No entanto, o mercado duvida que o Congresso venha a aprovar o valor, por conta da rivalidade acentuada entre democratas e republicanos, além de temer os impactos fiscais que a iniciativa traria para a economia dos EUA.

Dólar pode abaixar

O dólar acumulou alta de 5,53% no mês de janeiro, com a maior valorização mensal desde março de 2020, quando ocorreu o isolamento social no Brasil, levando a moeda a subir 16% no período.

dólar - fevereiro

No entanto, a vacinação mundial seria um fator determinante para a redução do risco global e brasileiro. O que poderia interferir diretamente na cotação do dólar, considerado um ativo de proteção, que perderia aos poucos sua força e relação a aversão dos investidores ao futuro.

Além disso, o mercado encontra-se em uma posição mais pessimista perante ao dólar, tendo em vista a política fiscal expansionista nos EUA. O Fed mantendo os juros em patamares muito baixos, a fim de aliviar a pressão da dívida,  e o aumento gradual da taxa Selic no Brasil, traz condições para os investidores estrangeiros fazem investimentos no Brasil atrelados aos juros.

Por fim, a vitória dos candidatos eleitos de Bolsonaro para as presidências das casas legislativas brasileiras, impulsionam ainda mais esse argumento. Com a chegada de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco a agenda de reformas, privatizações e programas de suporte à economia voltam a ser prioridades. 

Com a economia brasileira voltando aos eixos, há espaço para melhora do real.

Veja também: A cotação do Dólar vai cair em 2021?

De olho nas Tecs

Apple, Microsoft, Visa e Mastercard superaram as expectativas do mercado nas últimas semanas, mesmo após a pandemia, expansões monetárias e fiscais.

Mas será que esses resultados se manterão crescentes? 

No patamar atual, o preço é o grande inimigo dos papéis de tecnologia, tendo em vista que os seus valuations são pouco atraentes. Além disso, as empresas se tornam vulneráveis a qualquer notícia ruim que pode desestabilizar as negociações, tendo em vista a sensibilidade e temeridade do mercado.   

A política interna dos EUA também pode ser um grande desafio para o setor, tendo em vista a regulamentação, os impostos corporativos mais altos e também o risco de uma inflação mais alta neste ano pode desencadear uma retração no setor. 

Fim dos juros baixo?

A elevação da Selic esta cada vez mais próxima, o desafio de controlar a inflação se tornou ainda maior em 2021.

No mercado de renda fixa, a curva de juros, que reflete as expectativas do mercado para o CDI em diferentes prazos, abriu em praticamente todos os vértices, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passou de 3,305% para 3,330%. Já a do DI para janeiro de 2027 caiu de 7,010% para 6,970%, demonstrando expectativa de alta da Selic seguindo o fim do forward guidance e a visão de que o Banco Central deve voltar a subir juros ainda no primeiro semestre.

Juros - fevereiro DI  – Janeiro de 2027

Fiscal a solta 

A famosa bola de neve das dívidas está longe de acabar. Em 2020, o Brasil elevou a sua relação Dívida Bruta sobre PIB para 89,3% por conta dos gastos extraordinários com a pandemia. O resultado foi melhor que o esperado no início do ano passado, mas nosso time econômico projeta que a trajetória da dívida se mantenha próxima de 100% pelos próximos 10 anos.

O mercado espera que com  a eleição dos candidatos apoiados pelo governo, a agenda econômica poderá fluir de forma mais intensa, gerando uma redução do risco político, resultando em redução do gasto público e um fortalecimento da agenda liberal de Guedes.

China

Diferentemente de direcionamentos recentes, o Banco Popular da China indicou um tom menos conservador, para a compra de ativos, que havia sido reduzida. A manutenção de liquidez no gigante asiático é muito importante para os mercados emergentes e deverá sustentar a alta nesses países, inclusive no Brasil.

A retomada da economia Chinesa deve beneficiar as empresas de commodities negociadas em Bolsa, tendo em vista os investimentos em infraestrutura e indústria, o que puxa os preços do minério de ferro e do aço. Fazem do setor um dos melhores para investir neste mês.

Conclusão 

Apesar de curto, o mês de fevereiro promete, começa a temporada de balanços, o mercado espera uma atuação positiva dos representantes do Congresso Nacional, vacinação, fóruns de internet, pacote de estímulos nos EUA, elevação do risco fiscal e muito mais.  

Altos e baixos sempre irão ocorrer, o investidor não dá para esperar por valorização constante. É importante que o investidor fique atento a essas repercussões e estabeleça objetivos para os movimentos de mercado que vão acontecer. 

Ativos ligados a commodities e setor financeiro, tendem a performar bem em um cenário de melhora do Ibovespa. Caso o cenário seja oposto, o ideal é buscar papéis mais defensivos, que entregam bons resultados,  ligados à nova economia, como o e-commerce.  

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