Listagem direta ou IPO: Qual a preferência das empresas na abertura de capital?

Listagem direta ou IPO: Qual a preferência das empresas na abertura de capital?

Um fato curioso tem acontecido na bolsa de valores, principalmente com as empresas que desejam receber investimentos por meio da abertura de capital. Muitas delas têm preferido realizar uma listagem direta ao invés de começar as suas IPOs. As informações foram colocadas na CNN Business.

Em 2018, o próprio Spotify preferiu fazer essa listagem direta ao invés de abrir seu IPO no mercado. O murmúrio foi um tanto quanto barulhento e levantou diversos questionamentos entre os investidores dos EUA. Mas depois do Spotify, diversas outras empresas fizeram o mesmo com o passar dos anos, principalmente as ligadas ao setor de tecnologia.

A própria Coinbase, bastante aguardada no mercado de ações em 2021, fará sua listagem direta na bolsa de valores, embora esta tenha sido adiada recentemente. Outra corretora, a Robinhood, também despertou a ideia de fazer uma listagem direta ao invés de IPO.

Guilherme Zanin, que é estrategista da Avenue Securities, explica as distinções entre os dois processos: “No IPO, a empresa que deseja abrir capital contrata um banco subscritor para avaliar a empresa, apresentá-la aos investidores e garantir a compra de parte das novas ações que serão emitidas e disponibilizadas ao mercado”.

Ele ainda continua dizendo que: “Já na listagem direta, a empresa faz todo o processo por conta própria. Precisa ir atrás de possíveis investidores, tratar da documentação necessária e, ao fim do processo, oferecer suas ações ao público sem qualquer garantia, como se fosse um leilão. É um processo mais barato e mais arriscado”.

No entanto, essa intermediação através de um banco acaba gerando certos custos, que nem todas empresas estão dispostas a pagar, que pode variar entre 2% e 8% dos recursos levantados pelos investidores. 

Os riscos da listagem direta na bolsa de valores

Na listagem direta, porém, os riscos são ainda maiores, já que não há nenhuma garantia sobre a oferta de suas ações. Os bancos podem até entrar nesse processo todo, mas seu papel acaba sendo mais relacionado a serem conselheiros que qualquer outra coisa.

Por conta dessas características, as empresas que optam pela listagem direta, e que, desse modo, tentam se livrar de uma boa parte dos custos para entrar na bolsa de valores, precisam ter uma certa relevância para efetuar isso. É por conta disso que grandes empresas de tecnologia, mas novas, acabam sendo as que mais aderem a isso, como o Spotify.

O Spotify, mesmo sem dar lucro, continua vendo suas ações subirem de preço. O valor de mercado da empresa passou de US$26,5 bilhões para US$48,43 bilhões de 2018 para cá, tendo valorizado quase 13% em seu primeiro na bolsa de valores em 2018.

Um caso parecido em relação a sucesso com a lista direta ocorreu com a Roblox, do segmento de games. Para o CEO do Spotify, é até “idiota” a forma que nunca se questionava o processo tradicional de IPO e que muitas coisas mudaram desde então, permitindo maior capacidade das empresas privadas de atrair investimento.

Grande parte das empresas ainda preferem abrir capital para investimentos através de IPOs, embora existam muitos questionamentos sobre o papel dos bancos nessas empresas enquanto isso acontece. A listagem direta pode ser uma nova tendência entre empresas de grande popularidade, mas dificilmente será maioria, considerando todos os riscos.

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