IPO da Caixa Seguridade (CXSE3): Vale a pena participar?

IPO da Caixa Seguridade (CXSE3): Vale a pena participar?

A Caixa Seguridade, atualmente controlada pela Caixa Econômica Federal, é uma das principais empresas do segmento de seguros no Brasil, oferecendo seguros de vida, habitacional, prestamista, entre outros.

A companhia consolida as participações societárias da Caixa Econômica Federal em empresas dos ramos de seguros, previdência privada, capitalização, consórcio e corretagem de seguros.

A Caixa Seguridade decidiu abrir seu capital e lançar seu IPO, que terá o ticker “CXSE3” para negociação na B3, já estreando como o mais alto nível de governança da bolsa brasileira.

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O período de reserva irá terminar na próxima segunda-feira (26), para pequenos investidores, que terão a oportunidade comprar ações da Caixa Seguridade antes da estreia na bolsa, prevista para a próxima quinta-feira (29).

De acordo com o prospecto preliminar, a oferta contará com um total de 450 milhões de ações ordinárias e será 100% secundária, desse modo, todo o capital levantado será destinado ao acionista vendedor (CEF), sem que haja recursos destinados à companhia.

A faixa indicativa para a CXSE3 está entre R$ 9,33 e R$ 12,67. No entanto, se considerarmos R$ 11,00 como o preço médio, o valor total da oferta e o valor de mercado seriam de R$ 4,95 bilhões e R$ 33 bilhões, respectivamente.

Para os investidores que tiverem interessados em adquirir as ações pela alocação prioritária da oferta deverão concordar com o instrumento de lock-up, fazendo com que o comprador seja obrigado a manter suas ações por um tempo mínimo antes de vendê-las.

Desse modo, para aqueles que aderirem à alocação para empregados ou para investidores qualificados, será restrito qualquer tipo de negociação das ações pelo prazo de 60 dias. Para o varejo, o prazo é de 45 dias.

Um pouco mais sobre a Caixa Seguridade

Com mais de 150 anos de história, a Caixa Econômica Federal iniciou suas atividades no mercado de seguros em 1967.

Entre os anos 1970 e 1980, a indústria brasileira de seguros obteve um crescimento modesto, influenciado principalmente pelas condições econômicas do período, com enfraquecimento político e econômico, identificados pelo aumento da pobreza e falta de  regulamentação legal.

Incrementando ainda mais essa questão, na mesma década, havia uma baixa atenção para a proteção garantida pelos seguros.

No entanto, a partir dos anos 1990, mudanças na regulamentação do setor permitiram que as companhias seguradoras tivessem maior liberdade para estruturar seus produtos. Um Possibilitando o ingresso de parcerias estrangeiras, que trouxeram experiências dos mercados mais consolidados ao segmento brasileiro de seguridade.

Um pouco mais à frente, em 2001 para ser exato, a Caixa estabeleceu uma parceria com a francesa CNP Assurances, especialista em seguros há mais de 150 anos. A CNP Assurances lidera o mercado francês, ocupando o quarto lugar em seguros de vida na Europa.

Em maio de 2025 a Caixa Seguridade foi constituída, sendo uma subsidiária integral da CEF, com o intuito de consolidar todas as atividades da Caixa nos ramos de seguros, capitalização, previdência complementar aberta, consórcios, corretagem e atividades afins, incluindo também as expansões futuras no Brasil ou no exterior.

Tal decisão permitiu que a empresa tivesse ganhos enormes de escala em suas atividades, permitindo que pudéssemos conhecer a companhia do tamanho que ela é atualmente.

Mercado de atuação

A Caixa Seguridade é uma das seguradoras com maior força no país, conseguindo explorar uma base de mais de 140 milhões de clientes do seu controlador, um importante diferencial em relação aos concorrentes.

Além disso, nos últimos dois anos, a Caixa Seguridade foi a empresa que mais cresceu em participação de mercado, saindo do 5º para o 3º lugar em valor de prêmios emitidos, segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Podemos classificar os segmentos de atuação da empresa em 6 partes, sendo elas:  seguros, previdência complementar aberta,  capitalização, consórcio, assistência e corretagem. Vejamos cada uma:

Seguros

O segmento representa os seguros da categoria vida e acidentes pessoais, seguro habitacional, prestamista, seguro patrimonial, em caso de automóveis ou residência, e seguros empresariais.

Previdência complementar aberta

Disponibilidade para os clientes (pessoas físicas e jurídicas) o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre), planos previdenciários que permitem o acúmulo de recursos por meio de um prazo contratado, com diferenças do modelo tributário escolhido.

Capitalização

Os produtos de capitalização são aqueles em que parte dos pagamentos realizados pela  pessoa que adquire o título, é usada para formar um capital, que será paga em moeda corrente, de acordo com um prazo máximo estabelecido, ao passo que o restante dos valores dos pagamentos é usado para custear os sorteios e as despesas administrativas das sociedades de capitalização.

Consórcios

Tem como finalidade formar poupança comum destinada à aquisição de determinados bens, administrando grupos para a compra de bens móveis e imóveis.

Assistência

A Caixa Seguridade oferece serviços assistenciais vendidos diretamente aos clientes da Caixa ou como benefícios acoplados às apólices vendidas pelas empresas do grupo.

Corretagem

Serviço de corretagem no processo de vendas dos produtos de seguridade realizado na rede de distribuição da Caixa.

Entendido o mercado de atuação da Caixa Seguridade, vejamos sua elevada importância no setor em comparação com outros players. Em seguros habitacionais, por exemplo, a Caixa apresenta um market share de 61,7%, muito à frente dos demais bancos.

IPO da Caixa Seguridade: Vale a pena participar?

É evidente que hoje, com a tecnologia ao nosso favor, existem diversos outros bancos digitais, que oferecem atrativos serviços financeiros. No entanto, pelo receio de parte da população com relação às instituições financeiras menores, os grandes bancos acabaram se consolidando, e a marca mais forte tem um papel fundamental nesse processo.

Afinal, a Caixa traz segurança aos correntistas, principalmente na hora de adquirir um seguro de vida ou habitacional.

IPO da Caixa Seguridade: Vale a pena participar?

Perspectivas para o setor

O Brasil é o oitavo país com maior potencial de crescimento no setor segurador, segundo o Índice Global de Seguros Potenciais (GIP).

Além disso, nos últimos 10 anos, a indústria brasileira de seguros vivenciou um ambiente muito favorável, traduzido em uma taxa composta anual de crescimento de 9,9%, segundo dados da Susep. Desse modo, entre 2010 e 2019, o total de prêmios ganhos anuais na indústria saltou de R$ 45,1 bilhões para R$ 105,2 bilhões.

IPO da Caixa Seguridade: Vale a pena participar?

Principais vantagens

É esperado pelos investidores que a Caixa tenha um futuro promissor pela frente, com alto potencial de crescimento e bom retorno para os acionistas. Essa expectativa está relacionado diretamente a diversos fatores, tais como:

  • Parceria estratégica com seguradoras de qualidade mundial,  elevando o setor de seguros para os seus negócios. Para se ter uma ideia, somente no segmento de capitalização, a Caixa Seguridade é parceira da Icatu, a maior seguradora independente do Brasil em vida, previdência e capitalização.

  • Disponibilidade de acesso exclusivo à comercialização de produtos nas redes de distribuição da Caixa, as quais marcam presença em 99% dos municípios brasileiros, fazendo com que a companhia venda seus produtos a milhões de pessoas.

  • Se considerarmos que a empresa oferece produtos de duração elevada, alta taxa de renovação e recorrência de comissões, podemos dizer que a sua receita é relativamente estável e até mesmo resiliente a ciclos econômicos. Como, por exemplo, os seguros habitacionais, que possuem prazos médios de mais de 10 anos.

Principais riscos

No entanto, não é apenas de vantagens que consiste um negócio. Por essa razão pontuarei os principais riscos que a empresa oferece aos seus acionistas. São eles:

  • A pior crise sanitária mundial acentua os efeitos da sinistralidade, que se elevaram em 27,4% só em 2020. Caso as provisões não sejam adequadas, a Caixa Seguridade poderá ter  enormes prejuízos.

  • Devemos considerar que o controlador da Caixa Seguridade é a Caixa Econômica Federal, banco pertencente ao Governo Federal, por essa razão, existe um risco relevante de desalinhamento entre o controlador e a companhia. Caso haja interferência, pode ocorrer uma perda de rentabilidade.

  • Atualmente a companhia dispõe de uma série de processos judiciais, os quais podem afetar duramente seus resultados. Entre eles, há processos tributários que, somados, podem resultar em perdas de mais de R$ 2 bilhões.

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Últimos resultados

A Caixa Seguridade consegue crescer e, concomitantemente, distribuir proventos robustos. Em 2020, ela pagou R$ 1,844 bilhão em dividendos.

A receita consolidada apresentou CAGR de 14,15% entre 2016 e 2020, além de uma forte geração de caixa. A companhia tem um atributo interessante: um crescimento elevado de suas receitas somado a uma necessidade baixa de investimentos para buscar expansão.

Além disso, por utilizar a estrutura física da Caixa Econômica Federal, a companhia dispõe de um balanço enxuto. Esse fator, combinado à sua lucratividade, culmina em um ROE elevado.

O histórico de resultados da companhia é excelente, afinal sua receita consolidada apresentou um CAGR de 14,15% entre 2016 e 2020, além de uma forte geração de caixa. A Caixa Seguridade tem outro atributo interessante: um crescimento elevado de suas receitas somado a uma baixa necessidade de investimentos para buscar expansão.

Em relação ao seu endividamento,  a Caixa Seguridade apresenta bons índices de liquidez, com uma liquidez corrente de 2,45 e uma liquidez geral de 25,43. O passivo total representa 4,09% do patrimônio líquido. A companhia não utiliza capital de terceiros, logo sua alavancagem é saudável.

Conclusão 

Apesar de não conseguir ver, pelo menos em um futuro próximo, a reestruturação da empresa em suas linhas de negócios, com parceiros altamente qualificados, o que poderia impulsionar suas receitas e melhorar o seu mix de produtos ofertados, a Caixa Seguridade vem trabalhando para que isso aconteça no longo prazo. 

No entanto, por mais que os segmentos de atuação da Caixa Seguridade sejam promissores e de fato a companhia se esforce para que haja uma real estruturação, ter como controlador uma estatal é um grande risco de interferência política na administração da companhia. 

Para aqueles que desejarem aderir ao IPO, tenha em mente que as mudanças deverão trazer resultados positivos à companhia. Além disso, uma governança melhor e clientes de renda mais alta podem favorecer o negócio. 

Em suma, é preciso estar sempre atento se a empresa está buscando o melhor retorno para os seus acionistas e não para o governo.

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