O Ministério da Economia anunciou nesta sexta-feira o corte na projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a 0,02%, ante alta de 2,1% indicada há dez dias, numa mostra da rápida deterioração das expectativas em meio ao avanço do coronavírus e seu alto impacto na economia.

Para a inflação, a equipe econômica agora vê alta de 3,05% do IPCA neste ano, contra percentual de 3,12% antes. Já a projeção para o preço médio do petróleo Brent caiu a 41,87 dólares por barril, contra patamar de 52,70 dólares divulgado na semana passada.

Durante a semana, o COPOM (Comitê de Política Monetária) chegou a cortar a taxa de juros em 0,5 p.p, de 4,25% para 3,75%. A projeção de dólar para o final do ano também subiu de R$ 4,20 para R$ 4,35.

Vale lembrar que cada instituição faz sua projeção. A FGV, por exemplo, já está projetando uma recessão de 4,4% no PIB Brasileiro.

Juros baixos são solução?

Nos últimos 2 anos, o Brasil veio em uma clara política de corte de juros. O objetivo dessa política é bem simples: estimular a economia e deixar o crédito mais barato, principalmente para indústrias de bens de capital. No entanto, a política tem se mostrado pouco efetiva até o momento.

Em 2016, o Brasil optou pelo teto de gastos públicos. Se utilizar de gastos públicos é um meio de fazer política econômica para crescimento, também conhecida como Política Fiscal. Atualmente, com o alto endividamento e com um teto de gastos, o governo tem pouca margem para dar estímulos na economia.

Economistas mais alinhados com a teoria Keynesiana defendem a suspensão do teto de gastos, para que o governo possa fazer uma política fiscal que combata os choques econômicos causados pelo coronavírus. Contudo, economistas mais ortodoxos advertem que isso poderia aumentar a dívida líquida da economia brasileira, aumentando ainda mais o risco-país.

As perspectivas econômicas mudaram completamente com o coronavírus. A preocupação com a guerra comercial entre China e Estados Unidos praticamente não existe mais. O Brasil estava em uma boa trajetória de crescimento, lento, mas sustentável e saudável, com uma política clara do Banco Central.

O Banco Central se colocou em uma armadilha?

O fato é que surge um questionamento: será que o Banco Central exagerou na redução da taxa de juros? O câmbio pode ser um bom indicador. O Real desvalorizou mais de 28% frente ao dólar americano só em 2020. Entretanto, a moeda americana já vinha em trajetória de alta ao longo de 2019.

A estratégia de redução da taxa de juros poderia funcionar, mas o choque causado pelo coronavírus pode comprometê-la. Os estrangeiros compraram dólar e o Brasil de repente não é mais tão atrativo. Se diminuir ainda mais a taxa de juros, a economia poderá entrar em um estágio de estagflação (economia estagnada com inflação) e alta do dólar.

Por outro lado, se resolver surpreender e aumentar significativamente a taxa de juros, poderá retirar a liquidez da economia em um momento crítico. Fazendo uma política de restrição em uma crise. E agora, Roberto Campos? Qual será sua jogada?

Falando em incentivo…

O governo do Reino Unido pagará 80% dos salários dos funcionários incapazes de trabalhar devido à pandemia de coronavírus, até 2.500 libras esterlinas por mês, anunciou o chanceler.

O chanceler Rishi Sunak disse que as medidas “sem precedentes” fazem parte dos planos para proteger o emprego das pessoas. As empresas alertaram que o vírus pode entrar em colapso, destruindo milhares de empregos, à medida que a vida no Reino Unido é suspensa.

No Brasil, Paulo Guedes anunciou uma ajuda de R$ 200 por mês para trabalhadores autônomos impossibilitados de obter renda durante o período. Nos Estados Unidos, discute-se a possibilidade de o Governo dar um cheque de US$ 1,000 para a população.

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