Uma série de produtos, com destaque para os eletrônicos, já começa a sofrer reflexos do câmbio desfavorável no seu preço final. A conta, neste caso paga em dólar, chegou mais rápido para artigos que têm parte ou sua totalidade importados. 

Com a moeda americana se aproximando dos R$ 6 – estava em R$ 4 na virada do ano – fica muito difícil para a indústria, e, consequentemente, para o comércio, não repassar essa diferença para o consumidor.

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Apesar de alguns videogames serem produzidos no Brasil, a maioria dos componentes eletrônicos é importada. Com isso, há um repasse do aumento de custo para o investidor final. Pois, o fabricante repassa para o atacado, que repassa para o varejo, que chega até a ponta consumidora. A transferência de preços funciona em efeito cascata. 

No começo, o impacto do câmbio demorou para chegar, pois algumas empresas já possuíam estoques adquiridos com o dólar. Ainda assim, o “delay” não demorou muito e os preços foram repassados, principalmente durante o mês de Abril.

A brincadeira ficou mais cara

Até ano passado, era possível encontrar um Xbox One S por R$ 1200 no site do Zoom, mas hoje ele está saindo por R$ 1699, o que representa um aumento de preço na magnitude de 41,58%.

Variação de preço do Xbox One S

preço xbox one s
Fonte: Zoom

O mesmo se aplica ao PS4 Slim, que também teve valorização de 40,58%. Era possível encontrá-los na loja por R$ 1600 a R$ 1700.

Variação de preço do Playstation 4 Slim

preço ps4
Fonte: Zoom

Quem prefere jogar no PC está pagando 63,75% a mais em uma placa de vídeo do modelo AMD RX 580 8gb.

Variação de preço da RX 580

preço radeon rx 580
Fonte: Zoom

De modo geral, quem joga no computador foi o mais prejudicado pela alta do dólar. Uma configuração de placa-mãe, memória e processador que saía por R$ 1450, está valendo em média R$ 1800.

O Brasil, enquanto importador, fica muito atrelado à variação do dólar. Desta forma, quando há alta na cotação da moeda norte-americana, o brasileiro tende a perder poder de compra frente aos importados. 

Contudo, a alta do dólar expõe uma falta de conhecimento dos comerciantes em relação às medidas para conter a oscilação e manter um estoque menos atrelado ao preço do dólar. Além disso, a alta também revelou que poucas empresas de fato estão fazendo estoques, optando por comprar lotes que já estão “vendidos”.

O que as lojas podem fazer para evitar oscilação no dólar?

Uma empresa pode utilizar um contrato futuro de dólar, uma espécie de derivativo, para se proteger de uma alta ou de uma baixa da moeda estrangeira. Ao importar um produto, eles poderiam comprar em dólar o equivalente ao valor gasto no produto até a venda dele, fixando assim o preço do produto na cotação em R$, ou aproveitando a alta do dólar para lucrar.

O nome dessa operação é conhecida como hedge, onde se minimiza o risco de sofrer com a desvalorização do Real. Caso as empresas utilizassem essa técnica com mais frequência, poderiam desfrutar de preços mais competitivos, sem terem a necessidade de repassar custos para os clientes.

Contudo, essa estratégia é pouco acessível para pequenos comerciantes e também exige conhecimentos sobre derivativos, economia e câmbio. Ainda assim, essa é uma técnica muito utilizada por exportadores de commodities, que pode ser perfeitamente utilizada por grandes atacadistas do setor. 

O que você pode fazer para se proteger da alta do dólar?

Existe aquele velho ditado: “Se não pode com eles, junte-se a eles”. A melhor maneira de estar protegido da alta do dólar é comprar dólar. Ter uma parte de seu patrimônio investida em dólar pode ser uma medida sábia para evitar perder poder de compra com a alta do dólar.

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Caso não possa optar por investir na moeda, a melhor alternativa é esperar o tempo passar e o dólar desvalorizar, o que parece pouco provável diante do cenário atual em que o Brasil se torna pouco atrativo para investidores estrangeiros. 

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