Blue Chips

Blue Chips – Quanto maior, melhor?

Se há empresas que são o desejo de muitos investidores e marcam presença em suas carteiras, definitivamente são as Blue Chips. A origem do termo está relacionada às fichas azuis do pôquer e de outros jogos de azar, já que as fichas desta cor valem mais do que as outras. Essa categoria de ações é baseada nas grandes empresas, que estão consolidadas no mercado e na Bolsa de Valores. 

As Blue Chips são consideradas ações mais seguras, pois são de empresas que detém vantagens competitivas em suas áreas de atuação, possuem finanças saudáveis e com crescimento, sendo relativamente mais estáveis do que seus pares. Além disso, elas possuem uma característica primordial para muitos investidores que tem como objetivo viver de renda, elas costumam pagar bons dividendos aos seus acionistas. 

É importante frisar que não existe uma lista oficial onde são classificadas ações Blue Chips, essa classificação é especulativa. Ou seja, é feita por um consenso de mercado a partir de análises de especialistas e do comportamento das ações. 

Mas afinal, o que o investidor que saber é se dá para enriquecer apenas investindo nesse tipo de empresa. 

Contexto

Para responder essa questão, devemos prestar atenção em alguns fatos essenciais dessa discussão, afinal entender o que são as Blue Chips não é tão complicado, mas é preciso compreender o seu contexto.

Quando você ouve dizer no jornal que o índice Ibovespa subiu ou caiu, há grandes chances de que ações de empresas, como Petrobras ou Itaú, tenham influenciado nessa movimentação. Isso porque o Índice Bovespa, principal índice da nossa Bolsa brasileira, é composto por muitas ações Blue Chips, como as duas mencionadas anteriormente, que representam respectivamente 5,91% e 6,86% da carteira teórica do Ibovespa.

Sendo assim, se muitas dessas ações caem, o índice também tende a realizar o mesmo movimento.

Além disso, as  Blue Chips movimentam grandes quantias de dinheiro, devido ao fato de terem enorme liquidez. Esse requisito é muito importante, principalmente para quem opera em curtíssimo prazo (scalpers), curto prazo (day traders) e no intervalo de dias (swing traders), afinal, uma ação com liquidez representa mais agilidade na hora comprá-la e vendê-la, sem a preocupação de perder muito tempo buscando um comprador.

Entendendo as Blue Chips

Dizem que quanto maior a altura, maior é a queda, mas será que essa afirmação se encaixa no caso das Blue Chips?!

As Blue Chips atuam em setores muito importantes da economia, por conta disso são muito expostas às políticas do governo,  cotações internacionais e problemas internos, como Petrobras e Vale, que produzem commodities e estão expostas aos preços dos barris de petróleo e ao minério de ferro, respectivamente.

Para se ter uma ideia, as ações de Vale ainda são impactadas pelo desastre da barragem de Brumadinho há dois anos. Além dos impactos provocados pela pandemia do coronavírus, que provocaram o desaquecimento da economia chinesa, país que compra cerca de 70% de todo o minério de ferro exportado no mundo. 

Além disso, essas empresas também podem se tornar alvo de novas regulamentações ou alterações nas políticas do governo. A Petrobrás, por exemplo, foi diretamente afetada quando o presidente Bolsonaro interveio na questão do reajuste dos preços do diesel em 2019. Com isso suas ações despencaram mais de 8% e a companhia chegou a perder R$ 32 bilhões em valor de mercado em apenas um dia.

Vamos à análise!

Para responder nosso questionamento inicial, foram escolhidas 7 empresas para compor uma carteira fictícia, onde foram investidos 1 lote (100 ações) para cada. As empresas Blue Chips escolhidas foram:

  • VALE3 – Vale, representando o setor mineração;
  • ITUB4 – Itaú Unibanco, representando o setor financeiro;
  • PETR4 – Petrobras, representando o setor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis;
  • GGBR4 – Gerdau, representando o setor metalúrgico;
  • ABEV3 – Ambev, representando o setor de bebidas;
  • CMIG4 – Companhia Energética de Minas Gerais, representando o setor de energia;
  • USIM5 – Usiminas, representando o setor siderúrgico.

Todo o capital alocado (R$ 17.034,00), foi considerando a cotação dos ativos a exatamente um ano atrás (10/02/2020), ou seja: 

  • VALE3 – R$ 48,97 – Valor aplicado: R$ 4.897,00;
  • ITUB4 – R$ 32,33 – Valor aplicado: R$ 3.233,00;
  • PETR4 – R$ 29,42 – Valor aplicado: R$ R$ 2.942,00;
  • GGBR4 – R$ 20,07 – Valor aplicado: R$ 2.007,00;
  • ABEV3 – R$ 15,91 – Valor aplicado: R$ 1.591,00;
  • CMIG4 – R$ 13,83 – Valor aplicado: R$ 1.383,00;
  • USIM5 – R$ 9,81 – Valor aplicado: R$ 981,00.

Durante todo o período de 2020, obtivemos uma rentabilidade de 30,00%, contra 2,92% do IBOV. Considerando o desconto da inflação no período, a rentabilidade real foi de 25,96%. 

Com 4 meses no positivo e 7 no negativo, a maior rentabilidade da carteira foi em novembro de 2020, com 22,50% de valorização, tendo sua menor rentabilidade em março de 2020 com -24,60% de desvalorização. 

Blue Chips rentabilidade

Nota-se que o gráfico abaixo é relativamente fluido, sempre acompanhando o desempenho do índice. Uma clara tendência de alta se iniciou a partir de setembro de 2020, ocorrendo um deslocamento do IBOV. 

Blue Chips carteiraRentabilidade da carteira no período de 1 ano

O movimento pode ser explicado, basta observamos o gráfico abaixo, que demostra os impactos da pandemia no Brasil em março de 2020 e dos meses seguintes, com o grande pessimismo do mercado e a alta flutuação nos preços das ações. A esperança pelo reinício das atividades econômicas com a chegada das vacinas, atrelado ao bom resultado das Blue Chips no 3t2020, impulsionaram a alta das cotações e melhora na performance índice nos últimos meses do ano. 

Blue ChipsIbovespa mês a mês (azul) / Ibovespa acumulado (vermelho)

Proventos à vista

Você se lembra que falamos que no geral, as Blue Chips pagam ótimos e crescentes dividendos?! Dos R$ 17.034,00 aplicados inicialmente, após o período de um ano, houve um retorno de R$ 426,80 em proventos, o que significa uma rentabilidade de 2,51%.

Proventos Proventos

Riscos

Em relação ao risco x retorno, considerando o período mencionado, a carteira obteve 30,00% de rentabilidade, com volatilidade de 43,12%, representando um Índice Sharpe de 0,64. 

Quer saber mais sobre o Índice Sharpe?! Comentamos mais sobre ele aqui

É necessário constatar que o risco é um conceito de variabilidade dos retornos, ou seja, quanto maior a incerteza da alocação em um ativo, menor será visibilidade do futuro para o seu investimento.

Conclusão 

Observamos que a carteira fictícia das Blue Chips apresentou um excelente resultado em comparação com o IBOV, conseguindo superar todas as mazelas do ano de 2020. Mas é preciso fazer uma ressalva, rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. 

Apesar do bom resultado em relação ao índice, a escolha por investimentos vai além de adquirir grandes ou pequenas empresas. Antes de investir em qualquer ação, é essencial realizar análises sobre os seus resultados, sua gestão e seus planos para o futuro, a fim de traçar as melhores estratégias, buscando maior assertividade em suas operações.

A melhor opção para o investidor seria dividir o seu capital entre carteiras, deixando parte em ações de empresas sólidas, de menor risco  e com distribuição de dividendos e outra parte em ações mais voláteis, buscando maior rentabilidade. A alocação referente a cada carteira dependerá do seu perfil de investidor, no qual falamos mais neste artigo.

Deixo aqui três sugestões para composição da carteira de acordo com cada perfil.  

perfil de investidor

Caro leitor, é  necessário fazer um aviso muito importante. Apesar de ser tentador ficar o dia inteiro na frente de um computador realizando pequenas operações, que irão multiplicar em diversas vezes o seu dinheiro, a verdade não é bem essa. 

A rentabilidade dos seus investimentos não pode ser controlada e é diretamente proporcional ao risco que você corre. Ao contrário das promessas que você vê na internet, poucas pessoas realmente conseguem ganhar muito dinheiro no mercado financeiro, afinal de contas, aqueles que não foram bem sucedidos não são contabilizados. 

A história é escrita pelos vencedores e você não vai querer estar no outro time. Para isso, procure executar bem os seus investimentos, aumente sua renda e seus aportes mensais, construa uma ponte para o seu processo de enriquecimento ao longo do tempo, preservando o seu poder de compra e gerando mais renda passiva. Concentra-se no mais importante, o tempo é o fator determinante e seu maior aliado. 

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