Camila Russar

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Designer, marketeira de produto e apaixonada por escrever textos sobre tecnologia e startups.

Este é o sétimo texto da nossa série “Unicórnios”. Essa coletânea abordará a história das startups que alcançaram o valor de US$ 1 bilhão. Falaremos sobre seus fundadores, soluções, expansão e políticas internas. O Discord é destaque neste episódio. 

Discord

Fundado em 2015 com o propósito de conectar os gamers, o Discord hoje vale US$ 3,5 bilhões. A startup estadunidense alcançou o título de unicórnio em abril de 2018. Na data, recebeu aporte de US$ 50 milhões em um valuation de US$ 1,65 bilhões. 

Cinco anos atrás, Jason Citron e Stan Vishnevskiy decidiram descontinuar um projeto em que já trabalhavam juntos, o jogo “Fates Forever”. O motivo foi seu baixo faturamento. 

Nos anos anteriores, já haviam notado a necessidade de uma rede que facilitasse a comunicação das pessoas durante os jogos. Podendo integrar mais os times e aproximando todas as partes de mundo. 

Depois de um tempo de pesquisa e testes feitos por Stan Vishnevskiy, mais desenvolvedores que trabalhavam no “Fates Forever” migraram para esse projeto da plataforma de comunicação. 

Em 2015, foi formalizado o nascimento do Discord, com Jason Citron se tornando o CEO e Stan Vishnevskiy, o CTO.

“Se eu não estivesse ficado sem dinheiro, nunca teria pivotado” afirma Citron em uma entrevista para o Business Insider.

A nova estratégia

Sucesso absoluto entre os gamers, a marca anunciou, neste último dia 30, uma nova identidade. Agora, além de pertencer ao mundo dos jogos, o app quer ser utilizado por mais comunidades. Se aproximando um pouco das funcionalidades que hoje o Slack tem, por exemplo. 

Em seu vídeo do novo lançamento, o Discord deixa bem claro a importância que sua origem com os gamers tem. Mas afirma que ao longo desses anos, outros grupos de usuários também estiveram presentes na plataforma. Músicos, jornalistas, estudantes e grupos de amigos.

“Discord is your place to talk” é o novo slogan da marca. Em tradução livre, significa “Discord é o seu lugar para conversar”.

Esse anúncio foi antecedido por um novo investimento que a plataforma recebeu de US$ 100 milhões.

Os números do Discord

Em seu site, o Discord afirma ter mais de 100 milhões de usuários ativos por mês e 13,5 milhões de servidores ativos por semana. Ao todo, possibilita 4 bilhões de minutos de conversas por dia. Pelo Linkedin, a empresa tem mais de 500 funcionários e sede em San Francisco, na Califórnia. 

As funcionalidades

Entre um Skype e um Slack, o Discord possui servidores personalizáveis para você incluir seus amigos e convidados em um grupo. 

Assim como nos outros apps de comunicação, envio de mensagens de texto, arquivos, chamadas de voz e de vídeo estão presentes na plataforma. Um diferencial muito utilizado é a função de usar o Discord como um rádio. Com ela, você aperta um botão na hora de falar. 

A integração do Discord com outras ferramentas é um de seus grandes diferenciais. Além de eliminar ruídos do som nativamente, é possível conectar um robô que separa o áudio de cada um dos participantes da chamada. Esse recurso facilita, por exemplo, gravações de podcasts. 

Outro exemplo é a personalização dos acessos dos membros do seu servidor. Você pode criar moderadores, dar acessos diferentes para cada um dos membros e criar grupos de trabalho com diferentes pessoas que estejam convidadas.  

Exemplo de servidor do Discord personalizado

Uso do Discord

Infelizmente, nos últimos anos, grupos neonazistas e supremacistas raciais utilizaram o Discord para sua agenda de eventos e produção de conteúdo racista. O Discord sempre deixou bem claro que qualquer tipo de violação de direitos humanos e promoção à violência não é permitida na plataforma. 

No último acontecimento, em que expulsou vários servidores do app, a empresa comunicou:

“Condenamos a supremacia racional, neonazismo e qualquer outro grupo que se baseie nessas crenças. Eles não são bem vindos no Discord. Nós não lemos as mensagens particulares dos servidores, mas nossos termos de uso explicitamente proíbem assédio, ameaças e incentivo à violência.”

Em seu site, deixam bem claro as regras para interagir com outras pessoas. Caso qualquer uma delas seja infringida, a pessoa pode ser removida do Discord.

Diretrizes da comunidade do Discord

  1. “Não organize, participe ou encoraje o assédio a outros. Desentendimentos acontecem e são algo normal, mas comentários negativos contínuos, repetitivos ou agressivos podem ser interpretados como assédio, o que não é permitido.
  2. Não organize, promova ou coordene servidores sobre discursos de ódio. É inaceitável atacar uma pessoa ou comunidade por causa de características como etnia, nacionalidade, sexo, gênero, orientação sexual, afiliação religiosa ou deficiências.
  3. Não faça ameaças de violência ou de lesar outras pessoas. Isso inclui ameaças indiretas e também compartilhar (ou ameaçar compartilhar) informações particulares de alguém (prática conhecida como doxxing).
  4. Não tente evadir bloqueios de usuários ou banimentos de servidores. Não envie pedidos de amizade ou mensagens repetidas e indesejadas, especialmente se a pessoa já deixou claro que não quer mais falar com você. Não tente esconder sua identidade para tentar contatar alguém que bloqueou você, ou evitar de qualquer outra forma as ferramentas de proteção a usuários que disponibilizamos.
  5. Não envie vírus ou malware para outras pessoas, nem tente aplicar golpes, hackear ou fazer DDoS contra elas.”

A empresa também afirma que esses grupos são minoria em sua plataforma que foi feita para inclusão e conexão entre pessoas. 

O crescimento dos apps de comunicação 

Com o cenário de isolamento social, os apps de troca de mensagens e videoconferências estão em um crescimento absoluto. Tivemos o caso do Zoom nos últimos meses, em que seu valor de mercado aumentou em 200% só em 2020. 

Acredito que o Discord não ficará de fora dessa nova adoção. A mudança do dia a dia das empresas deve permanecer em muitos setores. E, a estratégia de englobar outros tipos de usuários da plataforma veio em bom tempo. Assim como o Slack, que inicialmente foi desenvolvido para o mundo dos gamers, o Discord diversifica seu público e se posiciona para seu crescimento exponencial.

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