Lucas Bassotto

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Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

Nome: Via Varejo

Descrição: Via Varejo S.A. é uma empresa de comércio varejista brasileira fundada em 2010, responsável pelas redes de lojas das bandeiras Casas Bahia e Pontofrio e das suas respectivas lojas virtuais, da fabricante de móveis Bartira, além de ser a administradora do site de e-commerce Extra.com.br.

Principais marcas: Casas Bahia, Pontofrio, Bartira e Extra

Setor: Consumo e varejo

Código na Bolsa: VVAR3

Histórico de preços

via varejo histórico
Fonte: TradingView

Breve história da Via Varejo

Em dezembro de 2009, o Grupo Pão de Açúcar adquiriu a Casas Bahia e transferiu sua unidade de varejo para a Globex Utilidades S.A., empresa dona do Pontofrio que foi comprada em junho do mesmo ano.

A Globex operava o varejo online através de sua subsidiária Nova Pontocom, uma empresa de comércio eletrônico que foi criada em 2010 após a fusão das operações online da Casas Bahia, Pontofrio e Extra, uma rede de hipermercados pertencente ao Grupo Pão de Açúcar.

A Nova Pontocom tinha na época 18% de participação no mercado de varejo online brasileiro. No começo de 2012, a Globex Utilidades oficialmente trocou a razão social para Via Varejo, e assumiu a nova identidade corporativa que traz em si as cores do Brasil.

A Via Varejo assumiu, desde 2016, o controle das operações da Cnova Brasil, e desde então a empresa é a proprietária e operadora das seguintes lojas: Extra.com.br, Casasbahia.com.br e Pontofrio.com.br.

Infraestrutura

Em agosto de 2017, a empresa tinha 966 lojas no Brasil, distribuídas sobre as bandeiras Casas Bahia, com 749 lojas e Pontofrio, com 217 lojas. O estado com o maior número de lojas da Casas Bahia e do Pontofrio é São Paulo, com 324 e 58 lojas respectivamente.

centro de distribuição casas bahia
Centro de Distribuição da Via Varejo em Jundiaí.

Para dar suporte à demanda de lojas e clientes, a empresa mantém uma rede de logística, com 26 centros de distribuição e entrepostos localizados em regiões estratégicas do país, com área de armazenagem superior a 10 milhões de m³. Toda esta infraestrutura suporta uma média mensal de 1 milhão de entregas, realizadas por uma frota superior a 3 mil equipamentos, entre próprios e terceirizados

Como a Via Varejo ganha dinheiro?

A Via Varejo detém o controle das operações das principais varejistas brasileiras: Extra, Ponto Frio e Casas Bahia. As três empresas têm alta penetração e aderência na maior parte das classes sociais brasileiras: de pobres à classe média. Quando olhamos para a Via Varejo, percebemos que estamos diante de uma empresa que tem um enorme marketplace que vende de eletrodomésticos, eletrônicos, móveis e mais variados serviços.

Além de ganhar com a venda de produtos, a Via Varejo também ganha com juros de financiamento. Veja bem, não é fácil mobiliar uma casa inteira. Muitas pessoas optam por parcelamentos em cartão de crédito ou carnê das próprias lojas. E o fato de ter uma grande infraestrutura, torna ainda mais fácil a venda e a penetração em diferentes territórios e segmentos da sociedade brasileira.

Além de lojas físicas, o conglomerado também está atacando o e-commerce. A empresa ainda tem um longo caminho a percorrer quando se trata de capacidade online, principalmente quando comparada a outros concorrentes como Magazine Luiza, por exemplo.

No entanto, a empresa teve grandes avanços em seus aplicativos, principalmente nas Casas Bahia e no BanQI, uma espécie de Banco Digital da Via Varejo.

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Quais os empecilhos da Via Varejo?

A Via Varejo vem de uma recuperação nos últimos anos. Recentemente, a Via Varejo foi investigada por fraude contábil, dando um impacto de R$ 1,19 bilhão em seu balanço financeiro. Em 2018, a empresa teve um prejuízo de R$ 862 milhões.

Além disso, a empresa (em reestruturação) concorre em um setor que é caracterizado por margens baixas e empresas mais capitalizadas. Além disso, ela tem uma carteira de R$ 3,7 bilhões no crediário. Uma inadimplência de seus clientes pode gerar péssimas consequências para o balanço da empresa.

No entanto, a empresa segue em processo de reestruturação puxado por parte do movimento de recuperação da atual gestão, que modernizou as lojas com 8 mil computadores e fez a plataforma do e-commerce suportar grandes Black Fridays sem nenhum percalço.

via varejo resultado

Seus números também vêm crescendo. Na última divulgação de resultados financeiros (2020 t1), a empresa vem mostrando um crescimento em sua margem bruta/líquida e decréscimo nas despesas operacionais. Contudo, o ponto mais preocupante da empresa é a sua dívida de R$ 2 bilhões. Ela pode ser um problema quando comparada a de outras empresas no mesmo setor.

O mercado financeiro também segue otimista na recuperação da Via Varejo. Só em 2019, as ações da empresa subiram 242%. Apesar de terem caído durante a crise do Coronavírus, suas ações mostraram uma “recuperação em V”, e a empresa já acumula alta de 63% no ano. O número de acionistas da Via Varejo hoje é 20 vezes maior do que em 2017.

Os próximos resultados financeiros da empresa podem ser consultados no site institucional.

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Vale a pena investir nas ações da Via Varejo?

Muitos analistas que trabalham para o sell-side (corretoras, bancos de investimentos e fundos) estão com análises otimistas e apostando em uma recuperação da empresa. De fato, a nova gestão vem fazendo um bom trabalho especialmente no e-commerce, ainda mais em um momento de transição importante que estamos vivendo por conta do Coronavírus. 

No entanto, a empresa vem de um histórico financeiro que não é positivo. Ela revelou um prejuízo financeiro de R$ 854 milhões em 2018. Ainda assim, seus acionistas continuam acreditando na capacidade da gestão de Michael Klein. O fato é que a Via Varejo ainda tem um longo caminho a percorrer, especialmente no varejo online. A alta das suas ações são puxadas especialmente por investidores individuais. 

Muitas das análises do “sell-side” apontam um preço-alvo entre R$ 28 e R$ 32 até o final de 2020. Com as ações da Via Varejo cotadas acima dos R$ 15, o ganho potencial é elevado, assim como o risco. A decisão de investir vai depender do apetite ao risco. Não espere uma vida fácil ao se tornar acionista desta empresa. 

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