Camila Russar

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Designer, marketeira de produto e apaixonada por escrever textos sobre tecnologia e startups.

Este é o terceiro texto da nossa série “Unicórnios”, coletânea que abordará a história das startups que alcançaram o valor de US$ 1 bilhão. Falaremos sobre seus fundadores, soluções, expansão e políticas internas. A Wildlife Studios é destaque neste terceiro episódio. 

Apesar de ter mais de 2 bilhões de downloads, a Wildlife Studios não é tão conhecida no Brasil como seus companheiros unicórnios Nubank e iFood.

A empresa brasileira Wildlife é umas das desenvolvedoras e publishers de jogos mobile mais importantes do mundo. Dois de seus jogos em destaque hoje, Tennis Clash e Zooba, somam 1 milhão de reviews. Em seu site, a Wildlife afirma ter mais de 2 bilhões de downloads somados dentre seus jogos. Mas, por que não ouvimos falar tanto dela assim? 

A Wildlife é a desenvolvedora dos games, que não carregam o nome da empresa em seus títulos. Também, por estar em um mercado de nicho, tem menos destaque na mídia quando comparado aos outros unicórnios. Como o Nubank, super presente na imprensa e com seus brand lovers e o iFood, que faz anúncios e envia cupons constantemente para seus usuários.

A startup foi criada em 2011, com o objetivo de desenvolver entretenimento gratuito para os novos computadores portáteis pessoais que começaram a se popularizar uma década atrás. Os jogos para smartphones ainda não eram tão explorados na época, mercado que os irmãos Victor e Arthur Lazarte decidiram marcar presença.

Hoje, a empresa tem mais de 500 funcionários, 6 escritórios espalhados em 4 países, Brasil, Argentina, Irlanda e EUA. Mais de 70 jogos e conta com um valuation de U$ 1,3 bilhões. 

Os fundadores da Wildlife Studios

Engenheiros pela USP, Victor (33) e Arthur Lazarte (35) trabalhavam em grandes empresas antes de decidirem empreender. Arthur trabalhou no Boston Consulting Group e Victor no JP Morgan, em Londres. Voltaram para a casa de seus pais, e, com US$ 100 iniciaram a Top Free Games, que depois se tornou a Wildlife.

Em entrevista à Exame, depois de receber o investimento da Benchmark Capital, que tem em seu portfólio Uber, Twitter e Snapchat, Arthur discorre sobre os objetivos para o investimento captado em dezembro de 2019:  

“Iniciamos uma nova etapa no nosso ciclo de crescimento, que nos deixa mais próximos da nossa missão de divertir bilhões de pessoas ao redor do mundo. Queremos entregar a melhor experiência aos nossos jogadores, por isso, continuaremos focados em unir profissionais de referência, com ampla experiência internacional, a jovens talentos nos mercados onde atuamos. Queremos que a Wildlife seja a empresa onde os melhores talentos vêm e fazem o melhor trabalho das suas vidas, desenvolvendo e distribuindo jogos que marcaram uma geração de jogadores”.

Cultura empresarial

Como dito acima por Arthur Lazarte, o objetivo da empresa é ter em seu time os melhores profissionais, focados em Produto, Engenharia, Arte, Marketing e Dados e garantir o melhor ambiente de trabalho para eles. Eles reafirmam as habilidades de seu time em diversas comunicações, site e redes sociais. 

A empresa possui um código de conduta, bem explícito em seu site, que aborda questões culturais do dia a dia e também de compliance. O documento está originalmente em inglês, segue a tradução de um trecho:

Apoiar uns aos outros

Acreditamos em um ambiente de confiança, segurança, suporte e colaboração onde os colaboradores da Wildlife tenham a oportunidade de alcançar seu potencial total. Todo colaborador é responsável por participar e garantir a nossa cultura que é de aceitação e respeito e nunca representada por assédio, bullying, preconceito, discriminação ou violência.

Como ganhar dinheiro com jogos gratuitos?

Os jogos da Wildlife são todos gratuitos. Mas, desde o início, a startup é rentável. O faturamento da empresa vem de anúncios nos jogos e também da venda de melhorias para os gamers. Fases especiais, roupas para seus personagens e outros diversos itens digitais são comercializados nos jogos.

Impacto do coronavírus

Com o coronavírus e a quarentena,  a empresa afirma que seus downloads cresceram entre 40 e 50%. Seu custo por aquisição de cliente também caiu. Nas semanas de abril, um de seus jogos passou de 500 mil para 1 milhão de downloads. 

Além disso, a empresa tem meta de contratação de mais 300 pessoas até o final do ano, segundo a Exame. Em entrevista para a Infomoney, os fundadores afirmam que querer ser a nova Nintendo dos jogos para smartphones. 

Mercado de games

O mercado de jogos no mundo inteiro movimentou US$ 10 bilhões só em março. Estima-se, que, ao todo ele represente US$ 148,8 bilhões

Existe muito espaço para o unicórnio brasileiro crescer. Como forma de incorporar mais jogos ao portfólio, a empresa já adquiriu outros escritórios, os incorporando à startup.

A Wildlife é sem dúvida uma fonte de inspiração incrível para empreendedores. Sua história, sobre como dois profissionais brasileiros que montaram uma das maiores empresas do mundo no setor sem cobrar por downloads é um grande exemplo. A criatividade e coragem de sair do lugar comum geralmente são premiadas.E, os irmãos Lazarte certamente tem esses atributos para os jogos dos negócios.

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