Bitcoin: Qual o futuro da criptomoeda?

Bitcoin: Qual o futuro da criptomoeda?

O Bitcoin sem sombra de dúvida foi uma ascensão meteórica, de US $10.000 para um recorde histórico de US $65.000 em abril, garantindo seu lugar no topo das criptomoedas mais importantes do mercado nos últimos tempos. 

Além disso, todo esse sucesso levou a uma onda de adoção institucional, seguidas também por hordas de capital para startups de criptografia, dando origem a novos unicórnios cripto, empresas com US $1 bilhão a mais em avaliação, sinalizando uma nova fase para todo o mundo. 

Muito além de um conto de sucesso, ao longo do tempo conseguimos observar a importância que o Bitcoin ganhava no mundo, exemplo disso foi a Coinbase, a maior bolsa de criptomoedas dos Estados Unidos, que abalou a indústria e os mercados públicos com sua estreia no Nasdaq em 14 de abril.

Em um momento durante o dia de abertura, o valor de mercado da Coinbase ultrapassou US $100 bilhões, estabelecendo um padrão alto para startups de criptografia que ainda estão de olho em seus IPOs. 

Entretanto, nem tudo no criptomercado cheira a flores. 

Momentos de tensão 

Apesar dos grandes momentos de ascensão do Bitcoin ao longo dos anos, o Sr. Mercado resolveu deixar os mais entusiastas da criptomoeda em uma crise existencial. Desde sua alta em meados de abril, o preço do Bitcoin despencou em 47%. 

Grande parte dessa queda vem de dois fatos relevantes: o primeiro foi provocado pela China, de onde vem até três quartos da oferta mundial da moeda, que restringiu a sua mineração e o seu comércio. Além disso, a maior criptomoeda do mundo sofreu ataques de alguns tweets do fundador da Tesla, Elon Musk, que colocou em dúvida o consumo energético provocado pela mineração da criptomoeda. 

Esses dois fatos foram suficientes para gerar uma crise entre os investidores comuns e uma porta de saída para alguns investidores institucionais. Desse modo, o preço do Bitcoin têm enfrentado alguma dificuldade ultimamente, caindo mais de 15% entre ontem e hoje em meio a uma liquidação mais ampla do mercado. A moeda digital mais proeminente do mundo caiu para apenas US $31.035,49 esta manhã, conforme mostram os dados do Coinmarketcap.

Neste ponto, a criptomoeda caiu cerca de 15,6% em relação à alta intradiária de ontem de $36.777,56, revelam números do Coinmarketcap. O Bitcoin sofreu essas quedas em um momento em que o ativo digital tem sido negociado principalmente entre US $30.000 e US $42.000 desde o final de maio.

À luz das atuais condições do mercado, vários analistas técnicos destacaram os níveis de preços cruciais que os investidores devem observar.

Veja também: O que são transações em P2P em Bitcoin?

Bitcoin e seu ciclo de desenvolvimento 

Em um sentido quase bíblico, assim como a grande inundação, enviada por uma divindade, de modo a destruir a civilização, e realizar a sua reestruturação, o poder destrutivo do Bitcoin atualmente, pode ser a chave para o rejuvenescimento do ecossistema.

Dessa maneira, os abalos do mercado referente a moeda digital, nada mais são do que uma parte vital do ciclo de vida completo de um mercado em desenvolvimento, à medida que os excessos que se acumularam são eliminados, preparando o terreno para uma nova rodada de crescimento.

Embora haja uma espécie de “assombração” que circula o Bitcoin, tendo em vista que muitos investidores que operam no curto prazo foram os grandes afetados pela queda massiva da criptomoeda, ao observamos mais atentamente os investidores de longo prazo, perceberemos que houve uma nova rodada de acumulação está ocorrendo. Tudo isso pode indicar que a “Idade das Trevas” já tenha passado. 

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Alteração da posição líquida do detentor de longo prazo. Fonte: Glassnode

Além disso, uma nova indicação para o próximo movimento de alta pode ser encontrada ao olharmos as mudanças na oferta de líquido e ilíquido de BTC nos últimos 6 meses.

Fornecimento de Bitcoin líquido e altamente líquido.
Fornecimento de Bitcoin líquido e altamente líquido. Fonte: Glassnode

Desse modo, os 160.700 BTC do gráfico acima passam de um estado de ilíquido de volta para a circulação de líquido durante o mês de maio, representando apenas 22% da oferta total que passou de líquido para ilíquido desde março de 2020.

Em outras palavras, isso significa que 78% do Bitcoin adquirido desde então permanece não gasto, indicando uma perspectiva geral positiva para os detentores de longo prazo.

Influência do mercado no Bitcoin

Além das questões institucionais, o mercado de derivativos pode ter tido uma grande influência na queda do Bitcoin. Para entendermos melhor, basta lembrarmos que o mercado veio de uma sequência de alta muito forte desde abril do ano passado, estando muito alavancado. 

Grande parte dessa alavancagem veio das incertezas em relação às políticas econômicas globais e seus impactos sobre o valor das moedas fiduciárias. Como resultado, milhões de investidores passaram a enxergar no Bitcoin a oportunidade de proteger o seu capital de intervenções políticas.

À medida que os mercados se deterioram, os investidores são pressionados a gerar liquidez para cobrir perdas e obrigações e isso deprime ainda mais os preços. É importante lembrar que mercado de cripto não possui leilão de fechamento ou circuit breaker, logo, se torna menos protegido de uma liquidação exagerada.

Desse modo, um grande fluxo negativo fez com que o todo o mercado sofresse uma correção, potencializada pelo acionamento de stops e liquidações de grandes posições, movimentos que são normais quando o mercado está muito alavancado.

Veja também: China quer destronar o Bitcoin, mas o povo chinês não

Bitcoin: Barreiras pela frente 

Um dos pontos que essa nova rodada encontra logo de início é a consumo energético da criptomoeda, de fato as pesquisas indicam que o consumo energético do Bitcoin é elevado, com  113,89 terawatt-hora ao ano, o que equivale ao consumo de países inteiros, como a Holanda (110,68 TWh/ano). 

Entretanto, o consumo é muito menor do que o da mineração de ouro (240,61 TWh/ano) e do sistema bancário (263,72 TWh/ano) e, nestes dois casos, ainda há outros impactos ambientais além do uso excessivo de energia elétrica.

Todavia, muito mais do que continuar essa “briga” infinita de quem consegue poluir mais o planeta, a comunidade cripto vem promovendo iniciativas que ajudam a tornar o Bitcoin e o mercado de criptoativos com um todo mais sustentável. Exemplo disso é a expansão do uso de energia renovável na mineração da criptomoeda.

Recentemente, a Square, empresa de pagamentos digitais, firmou uma parceria com a Blockstream, startup de tecnologia de Bitcoin, para lançar uma mineradora de Bitcoin 100% à base de energia solar, nos Estados Unidos. 

A nova iniciativa é parte da promessa da Square de ser neutra em carbono em suas atividades de Bitcoin até 2030. Como parte desse compromisso, feito em dezembro de 2020, a Square prometeu financiar projetos de Bitcoin que reduzissem a pegada de carbono do BTC.

Veja também: O consumo de energia do Bitcoin altera seus fundamentos?

Conclusão 

De acordo com dados do TradingView, no mês passado houve um declínio historicamente grande na atividade na rede, reduzindo a sua expansão e diminuindo a demanda por transações e liquidação.

Volume de negociação - Bitcoin
Volume de negociação – Bitcoin – Fonte: Tradingview

Assim como nas histórias de Noé, que navegou contra o mundo inundado, durante 40 dias e 40 noites, à medida que o preço do Bitcoin atinja um certo nível, no qual haja retomada do volume de compra, em relação aos volumes de venda, os compradores irão retomar o interesse e negociar.

Em suma, a pressão vendedora do Bitcoin vai se dissipar, fazendo com que os investidores que lutaram contra as tempestades, possam finalmente descer em terra seca. 

Veja também: El Salvador pode ser o primeiro país a adotar o Bitcoin legalmente

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