Lucas Bassotto

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Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

Com a pandemia, as empresas levaram um choque e precisaram mudar de forma radical a rotina de trabalho. Das salas e torres comerciais para casa, o home-office surgiu como o único meio para continuar os trabalhos diários. O que se pensava ser algo temporário vem se provando que veio para ficar.

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O tempo passou e as empresas estão começando a perceber que talvez não precisavam de uma sala com snacks, sinuca e poltronas massageadoras, ou que os funcionários podem produzir muito bem sem precisar gastar horas em conduções públicas. Algumas empresas gostaram tanto que pretendem adotar o home-office de maneira permanente.

A XP Inc., a maior corretora brasileira, já anunciou que vai construir sua sede no município de São Roque, a mais de 60 km da capital paulista. A tendência é que mais empresas da região da Faria Lima também façam o mesmo. Afinal, um andar ou sala comercial na região da Berrini/Vila Olímpia/Faria Lima não é das coisas mais baratas do mundo.

A previsão é de que sejam devolvidos, até o final do ano, 73,9 mil metros quadrados em imóveis classe A em São Paulo e que a taxa de vacância suba para 16,5%. Estes “bairros corporativos” serão os mais afetados, assim como os fundos imobiliários que investem nos imóveis da região.

Êxodo urbano?

Nos últimos 80 anos, o Brasil foi caracterizado pelo êxodo rural, de trabalhadores do campo se concentrando nas capitais em busca de melhores condições de vida. Naturalmente, o mercado imobiliário cresceu muito nas grandes cidades, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro.

Grandes empresas, universidades, movimento cultural e oportunidades se concentraram nas grandes cidades. Naturalmente o preço dos imóveis também subiu. Não é incomum ver pessoas pagando R$ 2.000 a R$ 3.000 para morar em apartamentos padrão nas duas principais capitais.

Agora fica a questão também para os trabalhadores destas empresas. Vale a pena continuar pagando aluguel em uma grande capital ou ir mais para o interior? Muitas pessoas já está fazendo essas contas e entregando as chaves dos imóveis alugados.

Com menor procura, vem o baque no preço. Será que o mercado imobiliário vai sentir o golpe diante de menor procura? Teoricamente, sim. O mercado imobiliário das capitais será muito afetado, principalmente se a tendência do home-office adquirir mais força.

Obviamente essas mudanças não vão ocorrer de forma imediata. Há contratos para serem cumpridos. Além disso, o mercado melhor do que ninguém tem uma grande capacidade de adaptação.

Além disso, a tendência do home-office já estava acontecendo há pelo menos 10 anos. O problema é que isso nunca foi levado tão a sério como hoje, porque as empresas não queriam arriscar o modelo. Atualmente, o argumento para a completa migração para o home-office ficou mais forte.

Fundos Imobiliários em risco?

A tendência do home-office também deixa investidores de Fundos Imobiliários mais preocupados. Se estes fundos investem em imóveis, será que eles serão uma boa opção para o longo prazo? A verdade é que existem diferentes fundos imobiliários que investem em diferentes empreendimentos: corporativo, logístico ou residencial.

Logo, afirmar que todo setor de Fundos Imobiliários irá colapsar talvez soe como um exagero. O IFIX (Índice de fundos imobiliários), por exemplo, teve uma rápida recuperação depois do dia 12 de Março, que foi quando aconteceu uma queda generalizada de todos os ativos do mercado financeiro.

Preço histórico do IFIX, principal índice imobiliário do Brasil

ifix crise imobiliária
Fonte: https://br.tradingview.com/

A verdade é que quem quiser investir em Fundos Imobiliários, deverá prestar mais atenção e fazer uma reflexão ainda maior para ver onde os gestores estão colocando o seu dinheiro. Algumas regiões terão grandes perdas sim, mas outras regiões terão grande desvalorização.

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