Lucas Bassotto

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Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

O Nubank é o maior exemplo de fintech brasileira que conseguiu alcançar uma base relevante de usuários em relativamente pouco tempo de existência. A empresa foi fundada em 2013, lançou seu cartão de crédito em 2014, mas em 2016 que deu seu ponto de virada para crescer, atingindo 1 milhão de clientes e 2017.

Com dinheiro na mesa e avaliada em R$ 53 bi após várias rodadas de investimentos, a empresa quer encontrar formas de capitalizar sua base de mais de 26 milhões de pessoas que usam seus serviços de cartões de crédito e conta-corrente. 

Aliás, ganhar dinheiro com a base enorme de clientes tem sido um dos maiores desafios para fintechs, que ficam para trás no quesito quando comparadas com os “bancões”. Muitas destas empresas só são viáveis com a entrada de investidores. Mas o Nubank quer mudar essa história.

Já circulava há um tempo nos bastidores a informação que o Nubank ia comprar a Easynvest. A informação saiu nos veículos hoje e deixa claro o recado: o “roxinho” vai chegar pesado para competir com outras corretoras e DTVMs no mercado brasileiro.

A Easynvest, uma das maiores corretoras brasileiras, já tem uma base relevante, com mais de 1,5 milhão de clientes e R$ 20 bilhões sob custódia em investimentos. Isso não é pouca coisa. O Nubank sabe disso, a XP sabe disso, o BTG também sabe e o Itaú também. 

O negócio será realizado por meio de pagamento em dinheiro e, em sua maior parte, trocas de ações. Os acionistas da Easynvest vão receber ações do Nubank, a começar pela Advent, empresa americana de private equity que detém a maior participação da corretora, com 60% do capital.

Profissionais de gerência também vão ganhar ações, com o objetivo de alinhar interesses para que a integração seja bem-sucedida e para a operação futura.

Isso abre as portas para uma base gigantesca de clientes investir em mais de 450 produtos diferentes, criando uma fonte de receita recorrente relevante para o Nubank muito rapidamente.

Foi uma jogada inteligente, visto o crescimento da popularidade dos investimentos no Brasil, principalmente pela quantidade de informação na internet. Esse é um mercado que tem um espaço gigantesco para crescer.

Além disso, o Nubank conta com uma equipe competente que vai saber trabalhar muito bem sua base e direcioná-la para estes produtos. No mínimo, essa será uma história interessante de acompanhar. Será que o próximo passo da empresa se dará com um IPO, abrindo seu capital na Bolsa? Cenas para os próximos capítulos.

Se a XP virou o que virou começando praticamente do zero, imagina o estrago que uma empresa estruturada pode fazer? Quem pode não estar gostando muito bem da história é o Itaú, que já trocou farpas com a XP, sua investida

No final das contas, quase todos ganham, exceto a empresa que ficar para trás. O cenário de fintechs e investimentos no Brasil será interessantíssimo para os próximos 5 anos. Vamos acompanhar de perto.

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