A governança corporativa e a teoria de agência

A governança corporativa e a teoria de agência

O tema não é novidade no mercado, mas ressurge com força, muitas vezes integrado ao conceito de ESG. A sigla que virou febre no mundo, possui o G de governança, foco do tema de hoje. 

Atualmente, uma empresa alinhada as boas práticas de mercado em relação à governança corporativa, é muito bem vista por investidores. Isso significa que a mesma possui uma gestão sólida e compromissada com resultados.

Nesse sentido, é bem provável que você já tenha ouvido o termo, dado sua importância no mundo dos investimentos de hoje. Se ainda não, o artigo de hoje irá pontuar os conceitos básicos sobre o tema, além de explicar o surgimento do conceito e de sua importância nos dias atuais. 

Por fim, será tratado um conceito muito importante dentro desse contexto de governança corporativa que é a “teoria de agência”. Permaneça até o fim e compreenda a importância desse tema para os investimentos. 

A origem da governança corporativa

Foi na primeira década do século XXI que o tema de fato ganhou importância. Isso, graças aos escândalos financeiros que envolveram grandes empresas norte-americanas como a Enron e a Tyco. 

Nesse sentido, principalmente por conta do caso Enron, discussões que tratavam sobre as demonstrações financeiras e o papel de empresas de auditoria foram iniciadas. Leis importantes sobre governança corporativa foram aprovadas nos Estados Unidos. 

Com isso, algo que ficou claro para todo o mercado, é que os investidores estavam a partir desse momento, buscando empresas que adotassem boas práticas de governança corporativa, aceitando inclusive pagar um preço mais alto por isso. 

Através do fortalecimento do tema através das discussões internacionais na  Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), surgiu então o fórum Business Sector Advisory Group on Corporate Governance, com foco exclusivo no tema. 

Sendo assim, diretrizes internacionais foram criadas com intuito de que houvesse a adequação de leis, atuação de órgãos regulatórios, e a elaboração de recomendações.

Governança corporativa

De maneira geral, a governança corporativa está relacionada aos costumes, políticas, leis e comportamentos que são utilizados para se gerir uma empresa.

Com isso, para o IBGC  Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, governança corporativa seria o sistema pela qual as empresas são dirigidas, monitoradas e incentivadas. 

O que inclui todo o relacionamento entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle das demais partes interessadas. 

Nesse sentido, o principal objetivo da governança corporativa é recuperar e garantir a confiabilidade de uma determinada empresa para seus acionistas. Para isso, é necessário que se crie um ambiente com incentivos e monitoramentos.

Dessa forma, esse sistema deve ser capaz de garantir que o comportamento dos executivos dessa companhia esteja sempre alinhado aos interesses dos acionistas. 

Teoria de agência: agente x principal

Considerando o possível conflito de interesse exposto acima, torna-se necessário entender esse conceito. Quando se pensa em uma pequena companhia, por exemplo, dado que o proprietário e o gestor são o mesmo indivíduo, é natural que exista um alinhamento de interesses. 

Com isso, o que é bom para o gestor, também é bom para o acionista. Contudo, à medida que uma companhia cresce torna-se necessário a contratação de outros profissionais (agentes).

Estes profissionais que tomam decisões no lugar dos acionistas (principais). Com isso, podem surgir conflitos de interesse entre o principal e o agente. 

Veja também: Estratégias phygital e as instituições financeiras

Governança e custos de agência

As relações de agência podem ser vistas como qualquer contrato onde um principal delega funções para outro (agente). Ou seja, podemos definir as relações como sendo qualquer relação em que um indivíduo contrata outro para agir em seu nome. 

Dessa forma, os custos de agência estão atrelados com as despesas necessárias para o monitoramento desses agentes. Por exemplo, as demonstrações contábeis de empresas que estão listadas na bolsa.

Há um trabalho de auditoria que busca garantir que as informações contidas no relatório representam a realidade. 

Em outras palavras, podemos pensar no trabalho de auditoria como uma das formas que os, nesse caso, os (principais) donos de fato da companhia, possuem de observar as ações dos agentes.

Será que estão alinhadas mesmo com o interesse dos acionistas? Será que não há informações falsas ou distorcidas nos relatórios? Responder esses e outros questionamentos é justamente o trabalho dos auditores. 

Alinhamento de interesses

Uma das formas que se possui de mitigar o risco envolvendo o conflito de interesses, é o compartilhamento de riscos entre o principal e o agente.

Com isso, o gestor pode dividir alguns tipos de risco com o acionista, isso pode ser realizado, por exemplo, através de pagamentos baseados em ações da companhia. 

Assim, entende-se que existirá um maior alinhamento entre o gestor e o acionista, pois ambos estarão interessados em maximizar o valor de mercado da companhia.

Contudo, também há riscos atrelados a esse tipo de estratégia, que é a valorização artificial dos preços da companhia por decisões equivocadas tomadas por gestores com esse intuito.

Um exemplo recente disso, foi a divulgação de que  o fundo Berkshire Hathaway havia adquirido ações da companhia IRB, essa informação foi relatada por gestores da companhia que tinham sua remuneração baseada no valor de mercado da ação. 

Contudo, a mesma era falsa, o que elevou a desconfiança do mercado em relação à empresa, além de mostrar outros diversos problemas em relação à governança corporativa da empresa.

Veja também: Entenda o que são privatizações

Conclusão 

Governança corporativa é um tema de muita importância ao se avaliar uma empresa. Em linhas gerais, é importante o investidor conhecer a fundo quem são de fato os agentes que estão administrando as decisões das companhias que o mesmo investe. 

Nesse sentido, cada vez mais o mercado estará preocupado com o tema, definindo a alocação de recursos naquelas companhias que estejam alinhadas as práticas de governança corporativa.

Como vimos em seguida na teoria de agência, isso tudo não se aplica somente ao mercado de ações. Analisar essa questão do conflito de interesses é importante para qualquer área onde existam relações de pessoas com interesses possivelmente diferentes. 

Nesse sentido, compreender sobre esse assunto pode te ajudar a refletir melhor sobre suas decisões relacionadas a quem confiar quando o assunto for investimento. Lembrando que uma possível solução interessante passa pela ideia do compartilhamento de riscos. 

Veja também: Período de silêncio no mercado financeiro, você sabe o que é?

Total
0
Shares
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Related Posts