Xp

Entenda o divórcio entre o banco Itaú e a XP

Digamos que você investidor, colecionou muitos jogos e acessórios junto ao seu console de videogame. O conjunto possui muito mais valor agregado do que apenas o console sozinho. Contudo, as pessoas não reconhecem esse valor quando você coloca o kit todo a venda. 

Assim, a melhor solução é vender os itens de forma separada e embolsar um ganho muito superior. É isso que o Itaú está fazendo ao se divorciar da XP, um negócio complexo e nunca antes realizado por aqui. 

Com isso, vamos nesse artigo, entender o começo disso tudo e explicar para você investidor, quais são as implicações dessa separação, como é possível ganhar dinheiro com ela e como ficará sua situação, caso tenha ações do Banco Itaú. 

Onde Tudo começou (XP x Itaú)

Para entender essa história toda, precisamos voltar um pouco no tempo. Em meados de 2017, o Itaú resolveu comprar 49% das ações da XP. Investindo um capital de cerca de R$ 6 bilhões. Nesse sentido, a ideia original era elevar essa participação para 62,4% em 2020 e eleva-lo para 74,9% em 2022. 

O problema é que em 2019, a XP resolveu abrir seu capital em Nova York, tornando-se a XP Inc. Com isso, o Itaú teve sua participação diluída para 46%. Contudo, o feito foi muito interessante para o Itaú que viu seu investimento de  R$ 6 bilhões se tornar R$ 58 bilhões em pouco tempo.

A questão toda é que esse valor não era reconhecido pelo mercado nas avaliações sobre o banco. Assim, para contornar esse problema. O Itaú optou por realizar uma operação um tanto quanto complexa com suas ações da XP.

O Banco criou uma companhia e transferiu as ações que detinha em balanço para essa companhia (XPart). Uma companhia que pertence ao Itaú, mas que não faz parte do conglomerado bancário. Além disso, sua sede está presente nos Estados Unidos. 

A XPart possuirá ações no mercado e todos os milhares e atuais acionistas do Banco receberão ações da companhia de forma proporcional a sua participação no Banco Itaú. 

A XP Inc. apresentará à administração da XPart a proposta de incorporação. De modo que os acionistas da XPart recebam ações classe “A” da XP Inc. (ou o equivalente em BDRs) na proporção de suas participações no capital social total da XPart.

Veja também: XP Inc. anuncia associação com Faros, criando nova corretora de investimentos

Essa era realmente a “Jogada” que o Itaú pensou lá atrás?

 Não, quando O Itaú adquiriu os seus 49% de participação na XP, comprometendo-se a elevar essa participação para 75%. A ideia era engolir o que era até então, o único concorrente capaz de atingir fortemente o setor bancário. 

Assim, a XP trazia conceitos novos e interessantes, trocou os gerentes por agentes autônomos e investiu fortemente em tecnologia. Reduzindo a necessidade do atendimento presencial, bastante comum nas agências bancárias. Dessa forma, trocou tudo isso por atendimento em plataformas digitais. 

Assim, a XP conseguiu adquirir uma fatia importante do mercado sem arcar, contudo, com custos pesados que são muito comuns aos grandes bancos. Não iria demorar muito para a plataforma se tornar uma instituição financeira confiável e tradicional. 

Percebendo isso, o Itaú com seu forte caixa, decidiu logo comprar a ameaça em potencial. Estancando assim, um dano maior ainda, visto que a XP vinha roubando os clientes do Itaú.

Guerra declarada AAI (XP) x gerentes (Itaú)

XP

Por mais contraditório que parecesse. Pouco antes de fechar o negócio, as empresas estavam se confrontando nas mídias, especialmente na TV. Aonde a XP fazia campanhas agressivas contra o setor bancário. Comerciais aonde os bancos pegavam todo dinheiro de seus clientes, fornecendo muito pouco em troca. 

Como então explicar essa venda? Acontece que apesar do crescimento, a XP ainda esbarrava na dificuldade em captar sem ser reconhecida como uma instituição tradicional ou mesmo grande no mercado. A associação com Itaú seria importante para resolver esse problema, passando então confiança aos futuros clientes. 

Logo após a aquisição, o principal executivo e fundador da XP, Guilherme Benchimol, deixou claro que era hora de crescer. Dado a redução da desconfiança com relação à empresa, que possuía agora o selo Itaú de confiança.

Com suas próprias palavras em uma reunião com agentes autônomos Benchimol disse: “abriu a porteira, pessoal, vamos arrebentar.”

Nesse sentido, a XP não por acaso, cresceu exponencialmente desde então. Enquanto o Itaú assumia o controle da plataforma, absorvendo a tecnologia do grupo e mudando seu modelo de negócios. 

Veja também: Quem são os grandes inimigos dos bancos tradicionais?

O grande “Não” do Banco Central e o novo posicionamento do Itaú em relação a XP

Tudo parecia caminhar bem para o desfecho desejado pelo Itaú. No entanto, cabia ao Banco Central dar a palavra final sobre o negócio.

E essa última palavra, foi um sonoro “Não”. Impedindo que o Itaú assumisse o controle da XP, o que fez com que o Itaú não mais pensasse na XP com objetivos estratégicos, mas como uma espécie de investimento financeiro. 

“Nossa participação na XP virou um investimento financeiro, em vez de um ativo estratégico. Concluímos que seria melhor transferir esses ativos diretamente para nossos acionistas”, disse o diretor-presidente do Itaú, Candido Bracher, no final do ano passado. 

Itaú: assembleia para deliberar sobre o tema deve ocorrer em 1º de outubro

Por fim, voltando ao ponto que o Itaú decide criar a Xpart, para transferir sua participação entregando a possibilidade de seus acionistas fazerem o que quiserem com a participação na XP

Já se tem programado para o dia primeiro de outubro em assembleia geral extraordinária a deliberação sobre a incorporação da XPart pela XP. Assim, sendo aprovada essa incorporação, as ações de emissão do Itaú (ADRs) continuarão a ser negociados com direito a recebimento da Xpart até o pregão do dia primeiro de outubro. 

Dessa forma, depois dessa data, os acionistas controladores da companhia, receberão ações classe A da emissão da XP, enquanto o restante dos acionistas, receberão BDRs patrocinados nível I, lastreados em ações classe A de emissão da XP

O fato relevante divulgado pela companhia reforça ainda que o fechamento dos livros de emissão e cancelamento não afetarão a negociação dos ADRs do Itaú Unibanco, que continuará acontecendo normalmente durante todo esse período.

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